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Poder Judiciário de Mato Grosso

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11.10.2019 10:47

Adoção tardia garante a menina de 9 anos comemorar primeiro dia das crianças em família
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 Quem vê a Gabriela, de nove anos, vaidosa, com laço no cabelo, unhas pintadas de rosa e gloss nos lábios não imagina que há pouco mais de dois anos vivia próximo a uma boca de fumo, no Beco do Candeeiro, em Cuiabá, em um ambiente totalmente insalubre, perigoso e exposta a todos os tipos de riscos. A avó materna a entregou para adoção no ano passado por não querer para a neta o mesmo destino da filha, do genro e dos outros dois netos: envolvimento com drogas, violência, abandono e experiências traumáticas.
 
Mesmo podendo ter algumas lembranças dolorosas do passado, o contexto em que a menina vive hoje, acolhida por novos pais, faz com que traços já vividos se dissipem para dar lugar à nova realidade, com o quarto novo, os brinquedos favoritos e uma casa onde amor e carinho têm de sobra.
 
Tudo isso só foi possível após Alex e Elisandra Fortunato se cadastrarem no Projeto Padrinhos, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) do Poder Judiciário de Mato Grosso. Depois de algumas tentativas, tanto de apadrinhamento afetivo (quando levavam a criança acolhida dos lares para passar fim de semana e feriado em casa), quanto de apadrinhamento provedor (patrocinando curso para adolescente), Gabriela surgiu na vida deles e foi amor à primeira vista, como define a mãe.
 
A própria Gabriela tem a consciência e sente o carinho que recebe quando agradece aos pais, Alex e Elisandra Fortunato, ao colocar a mãozinha no coração dos dois, dizendo que foi ali que foi criada. A menina não ia à escola, não sabia ler e escrever. Hoje está sendo alfabetizada, está matriculada em uma escola e recebe aulas particulares em casa.
 
Carentes de tudo, mas, principalmente do amor de uma família, crianças e adolescentes adotadas tardiamente têm a esperança de realizarem o sonho de terem um lar. E esse será o primeiro Dia das Crianças em que Gabriela vai comemorar com os pais, um dia que, segundo a criança, será de muito passeio e alegria.
 
A mãe Elisandra conta que quando houve a intenção de adotar uma criança, após sofrer dois abortos espontâneos, a faixa etária pretendida era de zero a três anos, depois zero a cinco anos, mas, posteriormente, ‘abriram a mente’ e perguntaram: por que não uma criança mais velha? Foi quando conheceram Gabriela. Relata, com muita emoção, que fizeram a aproximação com o apadrinhamento afetivo da menina por 45 dias e, logo, o apego e o amor foram tão grandes que fizeram a solicitação da guarda provisória. Agora, aguardam a destituição do poder familiar para entrarem com pedido da guarda definitiva.
 
“Nesses dias de aproximação, quando levávamos a Gabriela para o colégio, notávamos que ficava emburrada, não queria descer do carro. Dizia que não queria ir embora e falávamos que iríamos buscá-la novamente na sexta-feira, assim que saísse da escola. No decorrer desse tempo recebemos ligações da Casa Lar dizendo que a Gabriela não queria ficar lá. Foi quando disse para ela rezar que nada seria impossível. Entramos com a solicitação da guarda provisória e foi concedida pela juíza, e agora estamos esperando a adoção definitiva”, comenta com a voz embargada e lágrimas nos olhos.
 
Hoje, a vida do casal mudou 100%. O pai, Alex, diz que tudo o que fazem é pensando na filha e no bem estar dela. “Antes tínhamos uma rotina, saíamos, acordávamos tarde. Agora, temos a Gabriela que precisa de atenção e cuidados. Então, levantamos cedo, preparamos o café da manhã, e, se vamos sair voltamos cedo, nos organizamos com os horários para ela. A nossa rotina mudou para melhor e ela já se adaptou às regras da casa”.
 
Viver a realidade da adoção tardia e ao mesmo tempo realizar desejo de ser pai e mãe vai muito além de se formar uma família. Tudo isso traz um grande significado para os envolvidos, em especial para a criança que passou por unidades de acolhimentos.
 
Com a chegada de Gabriela o amor é tanto que Alex e Elisandra esperam pela guarda definitiva da menina para buscarem, por meio de outra adoção, uma irmã para completar a família.
 
“A história do Alex e da Elisandra é linda. Eles criaram laços afetivos com a Gabriela já na fase do apadrinhamento, quando nos procuraram dizendo que o desejo do casal era muito maior do que apadrinhar, que queriam adotar a Gabriela, que tinham encontrado a filha deles”, comenta a coordenadora Ceja, Elaine Zorgetti.
 
Elaine Zorgetti reafirma que o Dia das Crianças para Gabriela será totalmente diferente e muito feliz. “O encontro dessa família não foi por acaso, foi um encontro de corações. Quando nós, no projeto padrinhos, que acompanhamos realmente todo esse procedimento, constatamos que a criança está inserida em uma família o sentimento é de muita alegria e satisfação”.
 
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Dani Cunha/Fotos: Alair Ribeiro
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