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  01 - Conheço, já peguei minha muda nas ações do projeto;

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Poder Judiciário de Mato Grosso

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05.02.2019 19:10

Ribeirinho Cidadão leva qualidade de vida a adolescente com doença rara e outras ações em Barão
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O adolescente Liedson Damaceno da Silva,14 anos, gosta de pescar, jogar futebol e andar a cavalo. Atividades comuns para garotos da idade dele na Comunidade Capoeirinha, zona rural de Barão de Melgaço, onde mora. Entretanto, o sol do Pantanal castiga a pele dele muito mais do que a de outros meninos.
 
Ele tem uma doença rara chamada Ictiose, ou doença da escama de peixe, como é popularmente conhecida. Trata-se de uma doença autoimune caracterizada pela intensa secura da pele, que faz com que ela descame constantemente, além de deixá-la avermelhada e com aspecto envelhecido.
 
Tímido, Liedson não reclama. O pai, o autônomo Lino da Silva, 47, revela que a doença traz incômodos que deixam o garoto mais retraído e isolado. "Onde ele senta fica um pozinho branco" revela. "Se eles vão pescar, já fica queimado. Ele foi a um almoço caminhando e já ficou vermelho. Nunca chegou a ferir, mas a gente tem medo que ocorra".
 
Nesta terça-feira (5 de fevereiro), durante a 12ª edição do projeto Ribeirinho Cidadão, o garoto coletou sangue para exames e recebeu pomadas e protetor solar das mãos da enfermeira do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Alessandra Medina. "Este é um tratamento paliativo, para dar qualidade de vida. A doença não tem cura, mas com tratamento adequado, ele poderá ter uma vida praticamente normal. Hoje ele inicia esse processo, com os exames vamos buscar a Farmácia de Alto Custo para fornecer a medicação e acompanhar o caso, junto à prefeitura de Barão", revela a servidora, informando que os medicamentos foram prescritos pela dermatologista parceira do TJ, Leoni Lima.
 
Esta foi apenas uma das ações do Ribeirinho Cidadão no Dia D em Barão de Melgaço. Desde cedo os mais de 50 parceiros do projeto se acomodaram na orla da cidade para atender a população.
 
O sitiante Francisco Gomes não perde uma edição. Sua alegria é levar para casa uma muda distribuída pelo Juizado Volante Ambiental (Juvam). "Já fiz uma floresta nestes 12 anos de projeto", brinca. Ele conta que a propriedade que vive tem quatro hectares e está muito arborizada com Pau Brasil, ipês, e árvores frutíferas como cupuaçu, acerola, goiaba e ingá.
 
O casal de aposentados Erotides Alves da Silva, 58 anos, e João Ribeiro da Silva, 67 anos, foram ao Ribeirinho para fazer a segunda via da identidade de dona Erotides, mas quando passaram pela van do Juvam não resistiram e pegaram uma muda de jabuticaba. "Minha neta ama a fruta", justifica o avô coruja.
 
A dona de casa Mari Fontes, 31 anos, aproveitou o dia para cuidar do sorriso dela e da filha, Milena Fontes, de cinco anos. "Ela estava com cárie e eu também precisava de cuidados. Para gente não é muito fácil vir à cidade e muitas vezes não tem o profissional, o que dificulta mais ainda", revela a mãe, que mora na comunidade rural Capão.
 
As duas foram atendidas pelos dentistas da Marinha do Brasil que acompanham o projeto no Navio de Assistência Hospitalar Tenente Maximiano, da base de Corumbá (MS) parceiro do Ribeirinho no Pantanal. Para o comandante Rafael Saidel, o projeto permite à equipe do navio, formada por dois médicos, dois dentistas e quatro enfermeiros, cumprir a missão de levar saúde e cidadania às populações carentes e isoladas. "Por muitas vezes ouvimos que o Estado não chega a uma localidade, mas o Ribeirinho Cidadão chega. E isso nos enche de orgulho".
 
O Dia D em Barão contou com a presença das integrantes da Cemulher (Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do Tribunal de Justiça), que distribuíram panfletos e conversaram com as moradoras da cidade. "Nossa intenção é propagar que as mulheres têm a quem recorrer e como fazer isso em uma situação de violência", explica a desembargadora e coordenadora da Cemulher, Maria Erotides Kneip.
 
Durante todo o dia foram oferecidos serviços como conciliações, corte de cabelo, palestras e confecção de documentos. Um dos que mais chamaram a atenção foi a entrega de 350 pares de calçados, produtos apreendidos e doados pela Polícia Federal ao projeto.
 
A cozinheira Nilza Lima Duarte, 60 anos, saiu de lá com um tênis, uma sandália e um enorme sentimento de gratidão. "Agora vou poder fazer minha caminhada", brinca. "No ano passado consegui trocar meus óculos", diz ao afirmar que sempre participa do Ribeirinho.
 
As comunidades de Santo Antônio de Leverger e Poconé também terão um Dia D do Projeto Ribeirinho Cidadão, com o objetivo de reforçar os atendimentos oferecidos pela Justiça Comunitária em terra com a expedição do projeto pelas águas do Pantanal. Em Barão de Melgaço, as ações do Dia D se encerraram com o Casamento Comunitário de 16 casais no Centro de Eventos da cidade. E nesta quarta-feira (6 de fevereiro), o projeto segue até o meio-dia em Barão e depois a expedição fluvial irá a comunidade Estirão Comprido.
 
"Tudo que planejamos, com as bênçãos de Deus, ocorreu em Barão. A população fica satisfeita e nosso objetivo é esse: congregar os parceiros que se deslocaram de Cuiabá para prestar esse serviço. Só tenho a agradecer. E temos ainda mais pela frente, quando a expedição zarpar pelo rio e chegar às 40 comunidades de difícil acesso", revelou o coordenador do projeto juiz, José Antônio Bezerra Filho.
 
Ribeirinho Cidadão - O projeto é realizado pelo Poder Judiciário e a Defensoria Pública, em parceria com a Assembleia Legislativa, Ministério Público Estadual, Marinha do Brasil- 6º Distrito Naval, Tribunal Regional Eleitoral, Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, Governo de Mato Grosso, Federal, SICOOB-União, SESC Pantanal, Prefeitura dos municípios de Santo Antônio de Leverger, de Barão de Melgaço, Juscimeira e Poconé, Colônia de Pescadores Z5, INCRA, UFMT, Hospital Júlio Muller, Univag, OAB, Delegacia da Polícia Comunitária, Clóvis – Papai Noel, Galvan Cabeleireiro, Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal.
 
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Alcione dos Anjos/Fotos: Lucas Lima
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