5ª edição do TJMT Inclusivo em Rondonópolis fortalece diálogo sobre autismo e inclusão
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige da sociedade muito
mais do que conhecimento técnico - requer empatia, respeito e valorização das
singularidades de cada pessoa. Com esse propósito, o TJMT Inclusivo –
Capacitação e Conscientização em Autismo chegou à sua 5ª edição nesta
sexta-feira (17 de outubro), em Rondonópolis e reúne cerca de 1400 pessoas, de forma presenc ial e online.
O evento, realizado em formato híbrido, teve sua abertura
conduzida pelo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador
José Zuquim Nogueira.
“A verdadeira acessibilidade vai além das estruturas
físicas. Espero que o dia de hoje nos traga paz, harmonia, sabedoria, para que
possamos sair do evento com o caminho já marcado para a inserção. Em nome da
desembargadora Nilza Maria, do desembargador Márcio Vidal, da Escola da
Magistratura, cumprimento cada presença pela iniciativa, pela humanidade.
O presidente pontuou que existem encontros que não se medem
pelo número de cadeiras, mas pela intensidade e pelo silêncio que se quebra.
Este é um desses momentos, num território de escuta, onde o saber se curva e o
olhar aprende a ver o invisível. Uma partilha de mundos. Falamos como quem
deseja compreender o ritmo próprio de cada existência. Porque há pessoas que
não cabem nas molduras da festa e caminham por trilhas menos ruidosas e nos
ensinam que a diferença não é desvio, é direção.
“O ativista Nicolas Brito nos oferece uma frase que é um
chamado à liberdade: ‘o lugar do autista é onde ele quiser’. Que essa frase
seja uma provocação e nos transforme. Nasce aqui uma nova garantia do cuidado,
sem vírgulas de exclusão, sem parênteses e sem ponto final ao afeto”, disse.
A iniciativa, promovida pela Comissão de Acessibilidade e
Inclusão, presidida pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, oferece
formação para servidores, magistrados, profissionais da saúde e da educação,
familiares, estudantes e sociedade em geral, destacando a importância de
derrubar barreiras atitudinais, comunicacionais e arquitetônicas para a
construção de uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.
Para a magistrada, a iniciativa evidencia que o Tribunal de Justiça
de Mato Grosso vai além da aplicação das leis, atuando também na construção de
caminhos pautados pela escuta sensível, pela empatia e pela formulação de
políticas públicas eficazes voltadas à inclusão das pessoas com autismo. Ela
reforçou que a iniciativa está alinhada com a Resolução CNJ nº 401/2021, que
estabelece diretrizes de acessibilidade no Poder Judiciário:
“Primeiramente, é preciso possibilitar o conhecimento dos
diagnósticos, dos sintomas e de como procurar tratamento. Capacitar magistrados
e servidores sobre como acolher pessoas autistas quando vierem ao Fórum. O
Tribunal de Justiça não está aqui apenas para julgar recursos e processos, mas
sim para ajudar a sociedade a resolver problemas que a afligem”, citou.
Destacando o olhar humanizado implantado pela atual gestão
do TJMT, a juíza diretora do Fórum de Rondonópolis, Aline Bissoni, afirmou:
“não conheço ninguém que possa representar melhor essa pauta dentro do nosso
Tribunal do que a senhora desembargadora — sem desmerecer nenhum outro membro,
é claro. Digo isso porque conheço seu coração, sua dedicação genuína e sem
vaidade em tudo o que faz. Por isso, fico muito feliz em ver que, dentro da
nossa instituição, temos hoje um olhar tão humano. O Poder Judiciário tem se
humanizado cada vez mais.”
Conforme a juíza, o conhecimento que será compartilhado
neste evento, que é de altíssimo nível, será valioso. “Quanto mais conhecimento
for difundido, melhor para todos nós. Não só enquanto profissionais, mas também
enquanto seres humanos. Para mim, é um privilégio fazer parte de uma
instituição que hoje tem essa visão. Tenho muito orgulho do nosso tribunal por
isso, e parabenizo a desembargadora pela iniciativa”.
Citando os inúmeros desafios frente às medidas de
acolhimento e respeito à neurodivergência, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio
Ferreira, destacou que o debate trará importantes transformações. “Mais do que
simplesmente olhar para o autismo enquanto diagnóstico, é preciso olhar para a
pessoa com autismo, enxergá-la em sua totalidade. Esse é um trabalho que
só pode ser feito de forma conjunta, com diálogo e engajamento entre as
instituições e a sociedade. O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso
entendeu isso com clareza. Nós não vamos promover coesão social apenas por meio
de sentenças. É preciso que todas as instituições estejam presentes na criação,
no debate e na busca por soluções reais para os problemas que a sociedade
enfrenta.”
Com carga horária de 24 horas e transmissão ao vivo peloYouTube do TJMT, o projeto TJMT Inclusivo, dedicado ao tema do autismo, reúne
uma série de palestras e atividades voltadas à conscientização e à inclusão.
Intensa programação
A formação, ao longo desta sexta-feira (17 de outubro),
proporcionará a servidores, magistrados e ao público em geral conhecer
mais sobre o ativista autista Nicolas Brito Sales, que discorrerá sobre o
direito de estar e pertencer com o tema “Lugar de autista é onde ele quiser estar”.
A doutora em neurociências Anita Brito abordará o tema
“Inclusão social e neurodiversidade”, enquanto o neurologista pediátrico Dr.
Marino Miloca tratará da temática “Atualizações e impactos do autismo na
sociedade”.
A psicóloga Paola Barcellos enfocará o reconhecimento dos
sinais e critérios diagnósticos atuais, e Adriana Ferreira de Souza, servidora
do TJMT, promoverá um intenso e profundo debate com o “Depoimento de mãe
atípica e meditação de fortalecimento interior”. Já a psicóloga Érica Rezende
Barbieri discutirá os desafios do diagnóstico de autismo na vida adulta, e
Luciano José Denti destacará a importância do cuidado humanizado com famílias
atípicas no contexto terapêutico.
A programação também conta com a palestra da fisioterapeuta
Francieli Martins, sobre o papel da fisioterapia no desenvolvimento de crianças
atípicas e condições neuropsicomotoras. O encerramento será marcado pela
análise dos magistrados Antonio Veloso Peleja Júnior e Renata do Carmo Evaristo
Parreira, que apresentaram casos sob a ótica jurídica com o tema “O TEA sob a
ótica dos tribunais”.
A 5ª edição do projeto TJMT Inclusivo – Capacitação e
Conscientização em Autismo é promovida pela Comissão de Acessibilidade, em
parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e a Escola dos
Servidores.
A edição em Rondonópolis soma-se a outras já realizadas em
Cáceres, Sinop, Sorriso e Cuiabá, e reflete o compromisso do Tribunal em
percorrer todo o estado levando informação e capacitação. As atividades em
Rondonópolis ocorrem no Centro de Eventos da ADNA – Rondonópolis.
Participaram da solenidade de abertura: o presidente do TJMT, José Zuquim Nogueira; a desembargadora Nilza Pôssas de Carvalho; o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira de Souza; o juiz Wanderlei José dos Reis, titular da Segunda Vara Especializada de Família e Sucessões de Rondonópolis; as juízas Cristhiane Trombini Puia Baggio e Maria das Graças Gomes da Costa, da Terceira Vara Criminal e Vara Especializada da Infância e Juventude, respectivamente; a primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris, a promotora de Justiça, Ivanete Bernardez; a vice-presidente da OAB - seccional Rondonópolis, Priscila Santos Raimundi; a reitora da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Analy Castilho Polizel de Souza; magistrados, professores, representantes de entidades de classe, da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso e público em geral.
Acesse fotos do evento no Flickr do TJMT
Confira também a cobertura pelo Instagram do TJMT: @tjmtoficial
Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br











