Autista, estudante de Medicina destaca a importância do diagnóstico e da informação
A relevância de compartilhar
informações precisas e responsáveis sobre o Transtorno do Espectro Autista
(TEA) foi ressaltada pela estudante de Medicina Eloá Ribeiro, de 18 anos,
durante a 5ª edição do TJMT Inclusivo -
Capacitação e Conscientização em Autismo, realizada em 17 de outubro em
Rondonópolis.
Ao lado de seu cão de suporte
emocional, Hector, um imponente Boiadeiro/Pastor de Berna, Eloá participou de
todos os debates e relatou sua trajetória marcada por um diagnóstico tardio.
“Ele (o diagnóstico) só chegou aos 18 anos de idade. Além de autismo, eu também
tenho TDAH e superdotação”, contou.
Segundo ela, as características
da superdotação mascararam o autismo por muito tempo, dificultando o
reconhecimento adequado do seu quadro. “Por eu ter facilidade de falar e boa
comunicação, muitos profissionais diziam que eu não era autista. Isso me trouxe
muitas dificuldades”, lembrou.
O diagnóstico veio em um momento
de fragilidade emocional. “Eu estava lidando com uma depressão e um transtorno
de estresse pós-traumático. O Hector foi incrível para mim, porque começou a me
ajudar com aquelas dificuldades que estavam me desconectando. Por exemplo, eu
tinha dificuldade com o toque físico, mas quando o Hector chegou, consegui
ligar o toque a algo positivo novamente. Ele trouxe benefícios extremos”,
afirmou.
Ao refletir sobre o impacto das
ações promovidas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Eloá destacou o valor
da informação como instrumento de transformação. “É extremamente importante. Se
profissionais da saúde e professores têm acesso a essas informações e sabem
identificar o autismo e fazer adaptações, isso muda vidas. Traz bem-estar e uma
nova qualidade de vida”, defendeu.
Para ela, o conhecimento
compartilhado hoje pode evitar que outras pessoas enfrentem as mesmas
dificuldades. “Eu gostaria que na minha infância e adolescência os
profissionais que passaram por mim tivessem tido essas informações. Fico feliz
em saber que as crianças e adolescentes de hoje terão uma vivência totalmente
diferente graças às ações promovidas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.”
Atualmente, Eloá cursa Medicina
na Universidade Federal de Rondonópolis, e vive há cerca de dois anos com o cão
de suporte emocional. “A reitoria foi extremamente atenciosa com a gente. O
Hector me acompanha nas aulas, exceto nas de laboratório, por uma escolha
minha, já que precisamos de total foco”, explicou.
O evento
O TJMT Inclusivo - Capacitação e Conscientização em Autismo é
uma iniciativa da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, presidida pela
desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho.
O ciclo de capacitações já passou
pelas cidades de Cuiabá, Sinop, Sorriso, Cáceres e Rondonópolis, reunindo
esforços para promover a conscientização sobre o espectro autista em diferentes
regiões do estado. A próxima edição será no dia 5 de dezembro, novamente em
Cuiabá.
O projeto “TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo” está alinhado com a Resolução CNJ nº 401/2021, que estabelece diretrizes de acessibilidade no Poder Judiciário e possibilitou aos mais de 1,4 mil participantes (magistrados, servidores e público em geral) uma intensa programação reunindo especialistas na área.
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Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
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