Delegado reitera necessidade de recuperar ativos em prol da segurança pública
Na
manhã desta terça-feira (21/10), o delegado da Polícia Federal Wedson Cajé
apresentou importantes reflexões durante a palestra “Descapitalização
Qualificada de Organizações Criminosas”, especialmente sobre a necessidade de
se asfixiar as engrenagens financeiras das organizações criminosas e de
recuperar esses ativos em favor do Estado, especificamente para a segurança
pública.
Cajé
foi o primeiro palestrante do segundo dia do módulo avançado do “Programa
Nacional de Capacitação e Treinamento para a Recuperação de Ativos e o Combate
à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (PNDL)”, ofertado em Cuiabá, no Tribunal de
Justiça de Mato Grosso.
“Quando
a gente fala de descapitalização de organizações criminosas, a gente está
falando de uma série de políticas públicas que visam o enfrentamento do crime
organizado. Para enfrentar o crime organizado, algumas técnicas são novas, mas
outras são muito antigas. Quem nunca ouviu falar de ‘follow the money’
[procurar o dinheiro das organizações criminosas]? São décadas e décadas que se
fala sobre isso, mas nem sempre os atores que participam do sistema de
persecução penal estão preparados”, destacou.
Conforme
o delegado, ainda persiste em muitos uma mentalidade voltada à prisão, o que,
segundo ele, nunca é o suficiente. “Você pode encarcerar uma pessoa, mas parte
do grupo criminoso ainda vai se beneficiar dos valores que estão por aí. Então,
mais importante do que uma prisão, é asfixiar as engrenagens financeiras de uma
organização criminosa”, observou. Além da descapitalização, o palestrante
reforçou a necessidade de recuperar esses ativos para o Estado, se possível
para reinvestimentos na área de segurança pública, criando um ciclo virtuoso.
Na
palestra, ele apresentou dados sensíveis, que demonstram a eficácia de ações
para combater a lavagem de dinheiro. “Você precisa compreender a organização
criminosa, entender como é que o dinheiro chega até ela e como ela gasta esse
dinheiro. E aí você vai ter que falar de lavagem de dinheiro, ou seja, como
essas pessoas utilizam diversos tipos de comércios ou mesmo estruturas
elaboradas para dar aparência de legalidade para valores que auferiram com a
prática delituosa. ‘Ah, eu quero descapitalizar uma organização criminosa’. É
preciso saber como ela funciona e que engrenagens utiliza. E isso às vezes leva
um pouco de tempo. O investigador que vai atuar contra isso, o sistema de
persecução penal, tem que saber que essa investigação não vai ser tão rápida. É
preciso controlar um pouquinho a ansiedade. A lei processual penal brasileira
traz instrumentos para isso, como a ação controlada. Você vai aguardar o momento
da atuação até que você compreenda e aí você possa prender, de fato, os
líderes.”
Em
relação a práticas já utilizadas em outros países, o delegado destacou que é
preciso adaptar as fórmulas utilizadas à realidade brasileira. “Mas nós somos
muito parecidos, até mais do que a gente imagina. E existem algumas questões
que são princípios. Acredito que nós precisamos melhorar o nosso sistema de
justiça criminal em todas as etapas, da investigação criminal até a fase
processual, mas compreendendo e aplicando esses princípios à realidade
brasileira é sim possível, desde que a gente tenha um pouco de persistência. É
preciso trabalhar nas bases, trabalhar a corrupção policial, trabalhar o
processo penal para que ele seja mais efetivo”, defendeu.
Aparar
a grama
Sobre o senso comum que diz que a aparato estatal apenas ‘enxuga o gelo’ com relação à criminalidade, o delegado Wedson Cajé afirma que a mentalidade deve ser outra: aparar a grama. “A gente tem trabalhado tanto e o crime ainda está aí. Mas vamos pensar de forma contrária. E se a gente parasse de fazer? Como é que o Estado brasileiro estaria? Se as coisas não estão tão boas, estariam muito piores. Não é enxugar gelo, é aparar a grama, é tentar fazer a manutenção da sociedade.”
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Foto: Alair Ribeiro
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