Especialista: reconhecer o autismo é compreender a diversidade humana com responsabilidade social
A manhã de debates da 5ª edição do projeto “TJMT Inclusivo -
Capacitação e Conscientização em Autismo”, realizada nesta sexta-feira (17 de
outubro) na cidade de Rondonópolis, foi concluída com a participação da
psicóloga especialista em Neuropsicologia pelo Instituto Israelita de Ensino e
Pesquisa Albert Einstein, Paola Cristina de Almeida Barcellos, que conduziu uma
apresentação dedicada ao reconhecimento de sinais e critérios diagnósticos do
transtorno do espectro autista (TEA).
Destacando que a compreensão do autismo vai além dos
estereótipos, sendo um “ato de cuidado e responsabilidade social”, Barcellos
alertou que a identificação precoce das manifestações do espectro pode
transformar a trajetória de uma pessoa autista: “É na fase pequenininha que é
melhor e mais fácil que a criança aprenda, porque o cérebro dela está criando
aquelas conexões”.
Graduada em Psicologia pela Universidade Católica de
Vitória, Barcellos ressaltou que o autismo é uma condição neurológica, e não
uma doença, que “faz parte da identidade de cada pessoa”. Segundo ela, trata-se
de uma condição que afeta a forma como a pessoa se comunica, interage com o
ambiente e percebe o mundo ao seu redor, já presente desde a fase intrauterina.
Durante a palestra, a psicóloga trouxe explicações acessíveis
sobre os critérios utilizados atualmente para o diagnóstico clínico, destacando
o uso do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e da
CID-11 (Classificação Internacional de Doenças). Esses manuais são as
principais ferramentas da comunidade científica e médica para a avaliação do
TEA.
O transtorno, segundo ela, é caracterizado por dois pilares:
déficits persistentes na comunicação e interação social e padrões restritos e
repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Em sua explanação,
Barcellos exemplificou sinais frequentes em crianças pequenas, como ausência de
contato visual, falta de resposta ao nome, ausência de gestos como apontar para
demonstrar interesse e atraso ou perda da fala.
Entre os comportamentos repetitivos, citou gestos como
“movimentar muito as mãos”, “falar de forma repetitiva”, além da preferência
por temas muito específicos.
Ao tratar da variabilidade do espectro, Barcellos alertou
que “não existe uma pessoa que é pouco autista ou mais autista, quem é autista,
é autista”, reforçando a importância de compreender o autismo como um espectro
amplo, que abrange diferentes perfis e necessidades.
Durante a apresentação, também foram desmontados alguns
mitos recorrentes sobre o autismo. A psicóloga foi enfática ao afirmar que
“autismo não é causado por vacinas” e que “não é resultado de má educação dos
pais”. Outro ponto ressaltado foi a ideia equivocada de que todos os autistas
são gênios: “Podemos sim ter muitos autistas geniais, mas não necessariamente
todos serão”.
Barcellos também tratou das questões sensoriais, comuns
entre pessoas com autismo. “Aproximadamente 75% podem ter alguma disfunção de
processamento sensorial”, o que pode incluir hipersensibilidade a sons, luzes,
cheiros ou texturas, por exemplo.
A psicóloga encerrou sua participação agradecendo ao
Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) pela realização do evento e pela
oportunidade de ampliar o debate sobre a conscientização e capacitação em
autismo. “Quero agradecer imensamente essa oportunidade de estar aqui
palestrando e falando com vocês sobre um tema tão importante, tão significativo
na nossa sociedade”.
O evento
A 5ª edição do
projeto “TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo” é promovida
pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do TJMT, presidida pela
desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho,
e pela Diretoria do Fórum de Rondonópolis, em parceria com a Escola
Superior da Magistratura (Esmagis-MT), da Escola dos Servidores, do Projeto
Autismo na Escola e da ADNA de Rondonópolis. O evento reuniu magistrados(as),
servidores(as), profissionais da saúde, da educação, estudantes, familiares e
pessoas atípicas.
A iniciativa está alinhada com a Resolução CNJ nº 401/2021,
que estabelece diretrizes de acessibilidade no Poder Judiciário.
A edição em Rondonópolis soma-se a outras já realizadas em Cáceres, Sinop, Sorriso e Cuiabá.
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Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
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