Recupera MT: Especialistas defendem prazos mais curtos e gestão eficiente de bens apreendidos
O terceiro painel da Conferência Recupera MT, que está sendo realizada
nesta quinta-feira (2 de outubro) e sexta-feira (3 de outubro) no Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT), contou com a participação do juiz federal Carlos
Haddad, do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), e do delegado da
Polícia Federal Bruno Torquato Zampier Lacerda. Os palestrantes compartilharam
experiências e boas práticas relacionadas à recuperação de ativos, tema central
do evento.
O juiz federal Carlos Haddad abriu a apresentação destacando a
importância da razoável duração dos processos, princípio previsto na
Constituição Federal. Ele apresentou a experiência desenvolvida na unidade em
que atua no TRF6, que consiste no estabelecimento de prazos máximos para a
tramitação dos processos. Nos casos mais complexos, por exemplo, as sentenças
são proferidas, em média, em um ano e meio.
O magistrado defende que a comunidade jurídica precisa avançar para além
da razoável duração do processo, com o estabelecimento de prazos mais curtos, o
que ele chamou de “prazos ótimos”. “Essa celeridade processual proporciona
apresentação de menos incidentes processuais, inexistência de prescrição,
diminuição de custos e aumento da percepção de justiça”, ressaltou o
magistrado.
Já o delegado Bruno Torquato Zampier enfatizou que a recuperação de
ativos vem se consolidando como política pública de enfrentamento ao crime
organizado. Ele destacou que o objetivo central é descapitalizar as
organizações criminosas, assegurando uma gestão eficiente dos bens apreendidos.
“O que é melhor: apreender uma Ferrari e devolvê-la ao final do processo, em 10
anos, quando já vai estar sucateada, ou apreender o veículo, promover o leilão
e depositar o valor arrecadado em conta judicial com correção monetária? E
assim, se houver absolvição, o réu receberá o valor devidamente atualizado”,
exemplificou.
Segundo o delegado, o trabalho não se limita à identificação e apreensão
do patrimônio. É necessário também administrar, alienar e dar destinação
correta aos bens. Ele reforçou a importância da conscientização dos atores
processuais e da interlocução com órgãos públicos para evitar o abandono de ativos
durante os processos.
A Conferência Recupera MT segue até esta sexta-feira (3 de outubro), no
auditório Espaço Justiça, Cultura e Arte Desembargador Gervásio Leite, na sede
do TJMT. O encontro reúne magistrados, promotores, policiais, servidores e
autoridades do sistema de justiça para debater estratégias de identificação,
apreensão, administração e destinação de bens vinculados a infrações penais.
O evento é fruto de uma articulação entre a Rede Nacional de Recuperação de Ativos – Recupera, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e instituições do sistema de justiça de Mato Grosso, como o TJMT, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça e da Escola Superior da Magistratura - Esmagis-MT), a Polícia Judiciária Civil (PJC) e o Ministério Público Estadual (MPE-MT).
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Assessoria de Comunicação / Foto: Alair Ribeiro
CGJ-MT
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