Psicologia: curso da Esmagis capacita profissionais para aprimorar análise de depoimentos
Como
garantir decisões judiciais mais justas diante de depoimentos complexos? Essa
foi uma das propostas do Módulo 2 do “Curso de Técnicas de Inquirição Baseadas
em Psicologia do Testemunho”, promovido pela Escola Superior da Magistratura de
Mato Grosso (Esmagis-MT), que se encerrou na sexta-feira (7 de novembro). A
capacitação, iniciada na última quarta-feira (5), reuniu magistrados,
assessores, psicólogos e assistentes sociais, com o objetivo de aprimorar a
análise de depoimentos e fortalecer a tomada de decisões por parte dos
magistrados(as).
Credenciada
pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro
Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam), a capacitação teve como formador o juiz
de Direito do Tribunal de Justiça do Paraná e professor Tiago Gagliano Pinto
Alberto, que é pós-doutor em Filosofia (Pontifícia Universidade Católica do
Paraná), em Psicologia Cognitiva (PUC-RS) e em Direito (Universidad de
León/Espanha e PUC/PR).
Segundo
ele, os juízes e os operadores da justiça lidam com questões profundas, entre
elas se o que foi dito em depoimento representa, de fato, a reconstrução do que
aconteceu. “Para isso, não há técnicas no Direito para pesquisa, então a
solução é que nós tenhamos que utilizar outros ramos do pensamento científico,
outras escolas, outros aportes teóricos, para buscar respostas para essas
perguntas em específico. Uma delas é a psicologia do testemunho, que trabalha com
três eixos que podem nos auxiliar no Direito”, explicou.
O
primeiro eixo diz respeito à metodologia científica do fato, ou seja, elementos
que podem analisar se uma reconstrução do fato representa uma reconstrução
adequada e com credibilidade acentuada ou não. O segundo é que o juiz saiba
perguntar, utilizando técnicas adequadas de inquirição. O terceiro eixo
corresponde à análise da credibilidade da resposta. “Esses três eixos unidos,
agregados, utilizados de forma sinérgica, ou seja, em conjunto, viabilizam que
a produção da prova testemunhal e a sua correspondente avaliação sejam feitas
de maneira mais científica, mais técnica e mais adequada sob o ponto de vista
metodológico”, ressaltou o professor.
Titular
da Terceira Vara Criminal de Cáceres, a juíza Lucelia Oliveira Vizzotto considera
a iniciativa muito valiosa, especialmente no tocante ao funcionamento da
memória e como ela pode influenciar nos testemunhos, principalmente quando a
testemunha está sob efeito de drogas. “É um curso realmente excelente, o
professor é muito habilitado e competente. Trabalho na vara criminal, então a
gente lida no dia a dia com muitos depoimentos e, tendo essa lente da questão
da memória e da influência das drogas, o que é muito comum no âmbito criminal,
essa percepção se torna muito relevante”, opinou.
Já
o psicólogo Cristiano dos Anjos Lopes, do setor Psicossocial do Fórum de
Cuiabá, ressaltou que a atualização é essencial para lidar com as adversidades
da prática profissional e atender às demandas do público atendido, garantindo
informações precisas que auxiliem os magistrados na tomada de decisões. Ele também
enfatizou a relevância de o curso ser dado por um magistrado, unindo
conhecimento teórico e experiência prática. Para ele, essa combinação torna o
conteúdo mais rico e promove um espaço de diálogo entre psicólogos, assistentes
sociais e magistrados. “Existem elementos que são desconhecidos dos dois lados.
Aqui a gente discute o conteúdo apresentado sob essas diferentes perspectivas,
o que torna o curso muito rico.”
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br











