Poder Judiciário de Mato Grosso participa do lançamento do Plano Pena Justa, no STF
O
Poder Judiciário de Mato Grosso esteve presente no lançamento do Pena Justa –
Plano Nacional para o enfrentamento de questões urgentes das prisões, nesta
quarta-feira (12 de fevereiro), no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.
O evento contou com a participação do juiz Geraldo Fidelis, coordenador do
Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo
(GMF-MT).
O
lançamento do Plano Pena Justa foi marcado pela assinatura de diversos acordos
para execução e monitoramento do mesmo. Na oportunidade, também foi lançado o
Emprega 347, conjunto de ações do Pena Justa para oferecer ocupação para 100%
das pessoas presas, e o selo alusivo em parceria com os Correios.
O
presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís
Roberto Barroso, afirmou que o Pena Justa promoverá uma revolução no sistema
prisional brasileiro, em termos de direitos humanos. “As pessoas precisam
compreender que não dá para tratar os internos do sistema prisional com raiva,
que é o que geralmente a gente vê, porque o tratamento desumano faz com que o
sistema prisional realimente a criminalidade, seja dominado pela criminalidade
e as pessoas voltem à sociedade piores do que entraram.”
Segundo
disse o ministro, “precisamos dar um choque de eficiência e de dignidade no
sistema prisional. Pessoas que foram privadas de liberdade devem continuar
privadas da liberdade pelo menos por algum tempo. Mas foram condenadas apenas a
serem privadas de liberdade e não a serem violentadas, não a comerem comida
estragada e viverem em condições de falta de higiene. Portanto, nós estamos
procurando enfrentar esse problema, o que não significa indiferença em relação
à vítima, mas um esforço para evitar novas vítimas, se essas pessoas saírem
piores do que entraram”, asseverou.
Conforme
o juiz Geraldo Fidelis, o GMF-MT irá colocar em prática o Plano, seguindo o
direcionamento do Departamento de
Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de
Medidas Socioeducativas (DMF). “Vai ser um plano padrão. O Supremo
Tribunal Federal vai dar o direcionamento e vai ter um encaminhamento uníssono
para todos os estados. Ainda temos muitas dificuldades, mas o Brasil todo
estará mobilizado e Mato Grosso não vai fugir à regra. Vamos agir com firmeza,
visando que, no futuro, essas pessoas não venham a cometer mais crimes”,
afirma.
Entenda o plano
O
Pena Justa foi construído ao logo de 2024 pelo CNJ e pelo Ministério da Justiça
e Segurança Pública (MJSP), com quase 60 órgãos do Executivo e do Sistema de
Justiça e propostas da sociedade civil. Parte da compreensão de que os
problemas do sistema prisional agravam a situação da segurança pública no
Brasil, uma vez que o ambiente favorece a atuação de redes de crime organizado,
que ocupam espaços que deveriam ser do Estado.
Está
dividido em quatro eixos de atuação. O primeiro trata do controle de vagas no
sistema prisional e de como reduzir a superlotação. O segundo foca na estrutura
dos presídios e na garantia do básico para a sobrevivência de quem está sob
custódia do Estado, como saneamento, higiene e alimentação, além de estratégias
para trabalho e educação para as mais de 600 mil pessoas presas.
O
terceiro eixo estabelece ações voltadas às pessoas que deixam a prisão, para
que a reintegração e o pertencimento possam contribuir com a quebra de ciclos
de violência e a redução da reincidência. O quarto e último eixo traz medidas
para que o estado de coisas inconstitucional não se repita.
O
Pena Justa tem o apoio técnico do programa Fazendo Justiça, que desde 2019 atua
a partir das premissas estabelecidas pelo STF no julgamento cautelar da ADPF
347. O Fazendo Justiça é
coordenado pelo CNJ em parceria com o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (Pnud) e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
Com informações da Agência CNJ de Notícias
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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