Laboratório de Inovação debate engenharia de prompt com foco na atividade judicial
Na manhã da última
segunda-feira, (12.05), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio
do Laboratório de Inovação (InovaJusMT), promoveu o II Diálogo Digital com o
tema “Engenharia de Prompt com Foco na Atividade Judicial”. O evento,
transmitido ao vivo pela plataforma Microsoft Teams, contou com a participação
de 295 magistrados e assessores, refletindo o crescente interesse no uso
estratégico da inteligência artificial no Judiciário.
A abertura do encontro foi
realizada pelo juiz de direito da 1ª vara da Comarca de Comodoro, Vinicius
Paiva Galhardo, membro do InovaJusMT, que ressaltou a importância de capacitar
os operadores do Direito para o uso consciente e eficiente das ferramentas
tecnológicas emergentes. O palestrante convidado foi o professor Jaime Zacarias
da Silva Neto, assessor técnico de desembargador no Tribunal de Justiça do
Estado de Pernambuco, docente no Projurista e no Instituto dos Magistrados do
Nordeste.
Durante sua fala, Zacarias
destacou que a engenharia de prompt não é apenas uma técnica, mas uma mudança
de postura frente às novas tecnologias. “Ao interagir com sistemas de IA, o
operador do Direito deve se posicionar como maestro: é ele quem conduz a lógica
jurídica, define o objetivo e estabelece os fundamentos fáticos e legais”,
explicou.
Um dos pontos centrais da
palestra foi o princípio da essencialidade da informação. Segundo o professor,
não se trata de “jogar todo o processo” na IA, mas de selecionar, como em uma
petição eficaz, apenas os elementos essenciais para uma resposta precisa. “A IA
não compreende normas jurídicas; ela compreende tokens. Portanto, clareza,
concisão e orientação são indispensáveis”, alertou.
Zacarias também apresentou
exemplos práticos, como o desenvolvimento de prompts para elaboração de
sentenças, e defendeu o uso da linguagem Markdown como ferramenta de
estruturação textual para interações mais consistentes com inteligências artificiais
generativas.
A linguagem Markdown
é uma forma simples de adicionar formatação a textos
usando apenas caracteres do teclado comum, sem necessidade de comandos
complexos ou menus gráficos. Ela é usada, por exemplo, para deixar o texto em negrito, itálico, criar
listas, inserir links, títulos, tabelas e códigos.
“O InovaJusMT busca fomentar o uso de tecnologias que
transformem a realidade e o número de
servidores e magistrados que acompanharam o “II Diálogos Digitais” comprovou
que acertamos no tema escolhido. A abordagem prática e direta do palestrante
Jaime foi um dos grandes diferenciais do evento, dando uma contribuição objetiva
e útil para a uso da IA de forma segura e produtiva”, salientou o gestor de
inovação do InovaJusMT, Thomas Caetano.
Outro ponto relevante abordado
foi a chamada busca ativa de referências jurídicas, doutrina, jurisprudência e
legislação, como forma de calibrar a resposta da IA. “A IA pode aprender
conosco, mas depende da forma como a guiamos. Quanto mais preciso for o caminho
argumentativo, mais útil será a resposta gerada”, afirmou o palestrante.
Durante o bate-papo com os
participantes, Daniela Leite de Campos questionou sobre o uso conjunto do
ChatGPT com a ferramenta NotebookLM, que trabalha com fontes previamente inseridas.
O professor elogiou a prática.
“Gosto bastante. Cada processo
que analiso, coloco lá e gero um relatório e despacho com o magistrado. Hoje,
quem usa essa combinação está fazendo um bom uso da IA”, respondeu.
A primeira edição do Diálogo
Digital, realizada no começo de abril deste ano, abordou a “Eficiência
Processual com Inteligência Artificial e Omni”.
Josiane Dalmagro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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