TJMT encerra semana de combate ao assédio com foco em prevenção e acolhimento
A Semana de Combate ao Assédio Moral, Assédio Sexual e à
Discriminação promovida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) chegou ao
fim nesta sexta-feira (09 de maio). Com o objetivo de sensibilizar, acolher e
fortalecer a cultura de respeito, a iniciativa mobilizou magistrados,
servidores e colaboradores do TJMT em diversas ações e reflexões sobre o
enfrentamento dessas práticas.
A culminância das atividades contou com uma palestra da
desembargadora Salise Monteiro Sanchotene, do Tribunal Regional Federal da 4ª
Região (TRF4). Ela iniciou sua fala abordando a complexidade de discutir temas
como assédio dentro de instituições públicas como o Judiciário. Salise
ressaltou o impacto do assédio nas vítimas, destacando dados alarmantes de uma
pesquisa de 2023. “Tivemos índices altíssimos de pessoas que adoeceram dentro
do Poder Judiciário por práticas de assédio”, afirmou.
A importância de um tratamento sensível e acolhedor para as
vítimas também foi abordada pela desembargadora Wandymara Galvão Ramos Paiva
Zanolo, presidente do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral,
Assédio Sexual e da Discriminação do TJMT. Ela destacou o papel educativo da
semana e reforçou que a vítima de assédio não está sozinha.
“O assédio fica
muitas vezes escondido, as pessoas sofrem sozinhas. O intuito da semana foi
divulgar que a vítima tem proteção na Comissão, na Ouvidoria, na Corregedoria e
que ela não precisa ficar só”, afirmou. Além disso, a desembargadora comentou
sobre as urnas físicas criadas para facilitar a denúncia anônima e garantir o
sigilo. “Levamos as urnas para incentivar o servidor a fazer a denúncia e se
sentir protegido”, acrescentou.
A juíza Jaqueline Cherulli, coordenadora da Semana,
presidente da Associação Mato-grossense dos Magistrados (AMAM) e representante
da Associação Brasileira de Mulheres Juízas (ABMJ), explicou como a Comissão de
Prevenção e Enfrentamento do Assédio atua, não apenas recebendo denúncias, mas
também oferecendo soluções restaurativas.
“A instrução normativa trata a notícia de assédio de forma
sensível. Se a vítima quiser levar a situação adiante, podemos trabalhar com a
justiça restaurativa, que tem sido muito eficaz”, destacou. Ela também
enfatizou a importância de acolher e cuidar das vítimas, destacando que este é
o primeiro passo para garantir um ambiente de trabalho saudável e seguro.
“Estamos aqui para dar suporte à vítima, mas também é uma
questão de encorajamento. A vítima precisa ser respeitada, e se ela optar por
avançar, a comissão se encarrega de encaminhar o caso para os órgãos
competentes”, explicou Jaqueline, referindo-se à importância da
confidencialidade e do respeito à escolha da vítima.
Salise Monteiro Sanchotene também falou sobre a efetividade
das ações preventivas, como o círculo restaurativo, que permite que a vítima
relate como se sente em relação ao assédio, promovendo um ambiente de
reconciliação.
“Quando a vítima é solicitada a relatar como se sente ao ser
exposta ou humilhada na frente dos colegas, o gestor se dá conta da gravidade
da situação”, afirmou. Ela alertou para a necessidade de qualificação e
capacitação dos gestores e lembrou que o assédio não se restringe apenas aos
servidores, mas pode envolver qualquer hierarquia dentro do Judiciário. “A
mudança de cultura tem que acontecer em todos os escalões”, pontuou.
Em relação ao assédio sexual, a desembargadora destacou que
se caracteriza não apenas com toques, mas também pode envolver comportamentos
como o envio de imagens com conotação sexual. “O assédio sexual não precisa ser
necessariamente um contato físico. Mostrar uma imagem ou vídeo com conotação
sexual dentro do ambiente de trabalho é suficiente para caracterizar o
assédio”, explicou.
A ação do TJMT contou com o apoio de diversas entidades,
como a Comissão de Equidade de Gênero, a Esmagis, a Amam e a ABMJ, reforçando o
compromisso conjunto de promover um ambiente institucional mais humano, ético e
respeitoso. O trabalho realizado durante a semana será continuado com a
implementação de novas atividades ao longo do ano, incluindo capacitações em
comarcas do interior de Mato Grosso.
Em suas palavras finais, Jaqueline Cherulli reforçou o papel
contínuo do TJMT no enfrentamento do assédio. “O trabalho continua. A urna foi
um passo importante na campanha deste ano, e estamos felizes com o resultado,
pois conseguimos alcançar o objetivo de facilitar a comunicação das vítimas. O
trabalho não para aqui”, disse.
Flávia Borges / Foto: Lucas Figueiredo
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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