Letramento racial no TJMT é construído com debates e reflexões em curso com mais de 220 inscritos
A segunda aula do curso de Letramento Racial
e Antirracismo, promovido pelo Comitê de Promoção da Equidade Racial do Poder
Judiciário de Mato Grosso, realizada na manhã desta quinta-feira (5 de junho), foi
permeada por debates e reflexões acerca de diversos aspectos que norteiam a
vida das pessoas negras no Brasil, como a beleza da mulher negra, sentimentos
de identificação e pertencimento, busca pelas raízes ancestrais, vagas
afirmativas e avaliações em bancas de heteroidentificação em concursos
públicos, intolerância religiosa, entre outros.
Por meio do método ancestral da “circularidade”,
a professora doutora Silviane Ramos conduziu a construção do saber de forma
coletiva, com a participação ativa das mais de 220 pessoas que estiveram
presentes na aula on-line, dentre elas magistrados (as), servidores (as) e
demais colaboradores. Todos foram recebidos pela juíza Renata do Carmo Evaristo
Parreira, coordenadora do Comitê de Equidade Racial, e puderam sanar dúvidas,
compartilhar experiências e trocar informações, tornando a aula dinâmica e
envolvente.
“Por que a circularidade é
muito presente para as sociedades africanas? Porque é tudo na mesma linha dos
olhos para todo mundo, em igualdade, mesmo que seja mais velho, mais novo,
porque todo mundo tem essa possibilidade de aprender com as lentes do seu
momento, mas as trocas elas acontecem com todo o respeito. E isso, nas
sociedades que são colonizadas, quando vem, a gente já recebe tudo de cima para
baixo. Então, há uma dificuldade porque é uma opressão mesmo, diferente do
círculo. No círculo, não estou oprimindo ninguém”, explicou a professora.
Por meio do debate e das situações
relatadas pelos alunos, Silviane Ramos propôs que sejam feitas anotações para a
posterior elaboração de um protocolo antirracista a ser implantado pelo Poder
Judiciário de Mato Grosso, de modo a prevenir e se antecipar a episódios de
racismo no ambiente institucional. Ela apresentou ainda sugestões práticas de
como promover o letramento racial, como o uso da linguagem acessível,
existência de espaços de escuta ativa, convite a intelectuais negros para os
eventos e cursos, por exemplo.
Conforme a professora doutora, por
meio de condutas antirracistas como essas é possível inverter a lógica do
apagamento historicamente construído em relação à população negra e sua
contribuição na sociedade. “O que a gente precisa aprender, além de conhecer a
nossa história, de saber sobre nós, é saber sobre esse silenciamento e
por que aconteceu esse silenciamento e apagamento, roubos, assaltos. A gente
precisa compreender que a dor de um corpo negro não é menor do que a dor de um
corpo branco ou do corpo indígena e vice-versa. A gente não pode comparar as
dores”, afirmou.
Silviane Ramos defendeu ainda a importância de ações como a do Poder Judiciário de Mato Grosso em promover o curso de letramento racial. “A gente precisa trazer a nossa realidade à baila porque é isso que vai cartografar qual é o movimento, qual é a dinâmica que a gente precisar pôr no nosso ambiente de trabalho, nas nossas relações. Letramento racial não é sobre formatar, é sobre transformar a partir de mim, do meu autoconhecimento para com as minhas relações de aquilombamento, de união, de unicidade, de juntar aliados, de fazer esse enfrentamento, de empoderar outras mulheres, outros jovens”.
Leia também:
TJMT inicia curso de letramento racial com reflexões sobre práticas antirracistas
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
28/05/2025 15:04
TJMT promove Curso de Letramento Racial e Antirracismo com programação imersiva e foco na equidade
30/05/2025 13:24
TJMT realiza Curso de Letramento Racial e Antirracismo com foco em inclusão e justiça social
06/06/2025 16:46
Curso de Letramento Racial tem aula marcada por emoção e reflexão no TJMT











