Justiça e comunidade unem forças pela preservação do Ribeirão Arareau em Rondonópolis
A 11ª edição do projeto ‘O Rio é Nosso’ de Rondonópolis irá transformar
a paisagem das margens do Ribeirão Arareau. Neste ano, o projeto, que promove a
limpeza do rio, fará a recuperação da mata ciliar de três pontos considerados
críticos, com o plantio de 650 mudas de espécies nativas da região. A ação,
desenvolvida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Juizado Especial
Volante Ambiental (Juvam) da Comarca, será realizada no dia 20 de setembro, às
6h30, com concentração no Parque das Águas, Centro de Rondonópolis.
O planejamento de limpeza abrange extensão do Ribeirão Arareau, da
Eletronorte até o Cais, um total de 7,5 quilômetros (km). Esse percurso será
dividido em 18 trechos.
O Ribeirão Arareau é afluente do Rio Vermelho, já foi considerado um
patrimônio natural da cidade de Rondonópolis. Hoje, o curso d’água enfrenta
problemas de assoreamento das margens e descarte irregular de lixo e despejos
irregulares de resíduos sólidos em sua Área de Preservação Permanente (APP).
“O Rio é Nosso surge como uma ação de mobilização social que visa não
somente recolher resíduos, mas também conscientizar a população sobre a
importância da preservação dos recursos hídricos e do meio ambiente. A
atividade reforça a corresponsabilidade entre Poder Público, instituições e
cidadãos na construção de uma cidade mais limpa, sustentável e resiliente”,
explica Márcia Melotto, gestora do Juizado Volante Ambiental (Juvam) da
Comarca.
A consciência ambiental prevê mudar realidades como a de Leila Maria de
Aquino Tolentino (57 anos) e Raiane Aquino Tolentino (36 anos), mãe e filha que
tiram do rio, hoje contaminado, o alimento que vai para a mesa da
família.
Frequentadoras assíduas do local, elas pescavam enquanto lamentavam a
poluição das águas provocada pelo descarte irregular do esgoto da cidade e pela
falta de consciência ambiental de outros frequentadores.
“Eu e minha filha sempre levamos o lixo embora. O que a gente traz, a
gente recolhe e joga no lixo. Mas muita gente deixa aqui. Acho isso errado,
desleal. Se podemos usufruir, por que deixar o lixo na beira do rio,
contaminando a água e os peixes?”, questionou Leila Maria.
Enquanto isso, a filha retirava o peixe do anzol e pedia mudanças na
rede de esgoto da cidade. “Cai tudo no rio e é muito prejudicial. Aqui a gente
pesca, frita e como o peixe. É o nosso momento de lazer e também
alimento”.
Parceria
O local da pesca escolhido por mãe e filha ficava no Cais, ponto de
encontro entre o Ribeirão Arareau e o Rio Vermelho, uma das áreas escolhidas
para o reflorestamento. No espaço serão plantadas 335 mudas de espécies
nativas, definidas a partir de um estudo técnico feito em parceria com a
Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).
“A universidade, por meio do Laboratório de Geotecnologias, está
apoiando o projeto do Juvam, de limpeza do rio. Nossa atuação é na parte de
geotecnologias: fazemos a análise dos trechos que receberão a limpeza e também
definimos as áreas para o plantio de mudas. Usamos tecnologias do laboratório,
do mestrado e da graduação para processar imagens, mensurar as áreas e definir
os pontos mais adequados para o replantio. Identificamos três áreas
prioritárias: uma na região do Cais, outro ponto na região central (na rua H) e
um terceiro ponto próximo ao Linhão da Eletronorte”, detalhou Roberto Bueno
Luiz (engenheiro agrônomo e ambiental, aluno pesquisador do mestrado em Gestão
e Tecnologia Ambiental pela UFR).
O trabalho da instituição de ensino foi realizado a partir do Termo de
Cooperação Técnica firmado com o Juvam. Já o trabalho de análise do solo e da definição
das espécies adequadas para cada local foi conduzido pelo engenheiro florestal
Leandro Bernardo Leite, que fez a avaliação das condições do terreno, como
áreas alagadas ou secas e a identificação das espécies que serão plantadas.
O engenheiro explica que o plantio de mudas fortalece a mata ciliar, que
protege o rio contra assoreamento, ao evitar que o solo e a areia sejam levados
para o leito. Também dificulta o acesso irregular de pessoas às margens e
contribui para o equilíbrio da fauna e da flora. Além disso, traz
conscientização ambiental. “Pretendemos usar 15 espécies nativas como jabotá da
mata, jenipapo, cajá mirim, ingá, araticum, cambará rugoso, marmelinho, que
além do valor ambiental têm grande valor paisagístico”, detalha.
As 650 mudas previstas serão plantadas em uma área de aproximadamente
três hectares, distribuídas nas regiões do Cais e da área central. A previsão é
que a ação, iniciada no dia 20 de setembro, seja continuada com o
acompanhamento do desenvolvimento das mudas e novos plantios ao longo do
ano. Dentre os plantios futuros está programado o reflorestamento da
região do Linhão da Eletronorte.
O Rio é Nosso
A 11ª edição do ‘O Rio é Nosso’ será realizada no Dia Mundial da
Limpeza. O projeto ocorre desde 2015, sob coordenação do juízo responsável pelo
Juvam de Rondonópolis, atualmente a juíza Milene Aparecida Pereira Beltramini.
A edição deste ano já conta com 44 instituições parceiras, entre órgãos
públicos, instituições de ensino, Ministério Público, empresas privadas, além
de voluntários da comunidade.
O objetivo da ação é estimular práticas de cidadania e responsabilidade
socioambiental por meio da participação ativa na limpeza do Ribeirão Arareau e
fomentar a reflexão sobre o descarte correto dos resíduos.
A atividade também atende os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS), especialmente os ODS 6 (Água Potável e Saneamento), ODS 11 (Cidades e
Comunidades Sustentáveis), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 13
(Ação contra a Mudança Global do Clima).
O projeto também vai promover a arrecadação solidária de ração para
animais em vulnerabilidade, um Pit Stop Educacional com doação de mudas.
Priscilla Silva / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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