Cejusc de 2º Grau realiza mutirões para buscar acordos em processos ambientais
O Centro Judiciário de Solução de
Conflitos e Cidadania – Cejusc de 2º Grau do Tribunal de Justiça de Mato Grosso
(TJMT) passou a realizar mutirões de conciliação dos recursos de processos
ambientais, de acordo com as demandas enviadas pelas secretarias dos gabinetes
de desembargadores.
O intuito é acelerar a resolução de
ações judiciais que, mesmo em fase de recurso, ainda oferecem possibilidades de
acordo entre as partes. Esses processos envolvem uma ampla gama de questões
ambientais, como desmatamento, queimadas, uso inadequado de agrotóxicos,
licenciamento ambiental, entre outros, buscando soluções que unam a celeridade
do julgamento com a preservação do meio ambiente e a entrega da justiça para as
partes envolvidas.
A iniciativa já é adotada em ações de
primeiro grau e, devido à boa adesão dos interessados, também foi
disponibilizada no segundo grau, conforme explica o desembargador Mário Roberto
Kono de Oliveira, presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de
Solução de Conflitos (Nupemec) do TJMT. “O mutirão ambiental começou no
primeiro grau, mas se notou também a importância dele no segundo grau. Por mais
que haja já um lado aparentemente vencedor da demanda - porque enquanto não há
trânsito em julgado tudo pode ser revertido-, quando se busca soluções em que
se preserve o meio ambiente, em que se preservem os direitos do Estado, em que
se preservem os direitos do produtor, isso também é muito importante, tanto em
primeiro quanto em segundo grau. É a economia sendo movimentada, é o produtor
continuando a produzir, é o meio ambiente sendo recuperado e cada um cumprindo
o seu papel”, comenta.
O coordenador do Cejusc de 2º Grau,
desembargador Sebastião de Arruda Almeida, destaca que os mutirões de
conciliação ambiental no segundo grau ocorrem naqueles casos em que os impactos
ambientais são menos graves e em que há possibilidade de resolução do conflito
por meio da consensualidade. “Via de regra, não se trata de questões ambientais
de impacto extremamente grave e que poderiam sim ser resolvidos através dos
mutirões ambientais. O impacto disso é que, além de nós trabalharmos a questão
de redução de estoque desses processos de menor complexidade ambiental, também
temos a grande oportunidade de todos, magistratura, Ministério Público, órgãos
ambientais e também o cidadão, aprendermos a tratar do meio ambiente diante da
atualidade desse importante tema, principalmente para o nosso estado, que é um
estado do agronegócio, ou seja, todos estão aprendendo como podemos tratar o
meio ambiente em equilíbrio com a economia, com o processo produtivo do
agronegócio aqui no estado de Mato Grosso”, enfatiza.
Número
de acordos crescem
A primeira edição do mutirão de
conciliação ambiental de 2º grau ocorreu entre os dias 14 e 16 de abril deste
ano e resultou em um índice de acordo de 25,23%. Esse percentual aumentou para
26,38% na segunda edição, realizada entre 7 e 9 de julho, de forma híbrida
(presencial e virtual). Durante este evento, foram disponibilizadas seis salas
no Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá, equipadas com monitores,
computadores, caixas de som e câmeras para audiências simultâneas.
Após o sucesso das duas primeiras
edições, o volume de processos enviados ao Cejusc de 2º Grau continuou a
crescer, o que resultou em novas edições de audiências com pautas concentradas
na área ambiental. O objetivo foi aumentar a eficiência das audiências,
permitindo que os temas fossem tratados de forma mais ágil, direta e menos
dispersa.
Nos dias 29 e 30 de julho, ocorreu a
terceira edição do mutirão, realizada exclusivamente de forma on-line, com um
índice de acordos de 34,78%. Esse resultado evidencia que o aprimoramento
contínuo dos serviços oferecidos pelo Cejusc de 2º Grau tem criado um ambiente
mais favorável à celebração de acordos, beneficiando tanto as partes envolvidas
quanto o sistema judiciário como um todo.
“A expectativa é que esse índice
aumente ainda mais porque a intenção do Cejusc de 2º Grau é fazer com que essas
demandas ambientais tenham mais celeridade, tratam-se de processos que vêm se
alongando por vários anos e no Cejusc de 2º Grau acaba-se fazendo esses
acordos, chegando a um ponto comum que seja bom para ambas as partes, que saem
satisfeitas com isso”, afirma a gestora administrativa do Cejusc do 2º Grau,
Marilza Silva Fleury. Segundo ela, já houve caso que tramitou em apenas 16 dias
no Cejusc, entre distribuição, intimação e devolução para a Câmara.
A adoção do formato híbrido
(presencial e/ou virtual) é um dos principais fatores que contribuem para a
celeridade processual, pois permite que as partes acessem e participem das
audiências de qualquer local. Nas audiências de conciliação, além dos
representantes do Ministério Público e das partes envolvidas (ativo e passivo),
também participam técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e
representantes da Procuradoria Geral do Estado, enriquecendo o processo com
conhecimentos técnicos e jurídicos essenciais para uma resolução mais eficaz e
justa.
O servidor do TJMT, Ubiracy Félix, que atua como mediador voluntário no Cejusc de 2º Grau, destaca que outro grande ponto positivo do mutirão de
conciliação é a satisfação das partes, que formulam a solução para os próprios
conflitos de forma célere. “O conciliador é o terceiro imparcial capacitado e
que, com técnicas apropriadas, melhora o diálogo entre as partes e oferece um
lugar seguro no qual as partes dialogam diretamente na busca de resolver suas
situações pendentes, ou seja, buscam soluções para o conflito e saem
satisfeitos”.
Além disso, o sistema de Justiça se
beneficia da redução do estoque processual em um período mais curto. Isso
ocorre porque o prazo de permanência dos processos no Cejusc de 2º Grau é de 30
dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias, caso haja deferimento do
relator. Nos casos em que as partes firmam um acordo, é o próprio relator do
processo quem procede com a homologação, garantindo maior agilidade e eficácia
na conclusão das demandas.
Leia também:
Mais de 100 processos
em grau de recurso podem ser solucionados em mutirão ambiental
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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