Comarca de Juscimeira completa 27 anos de serviços prestados à população
Juscimeira é uma cidade que pulsa
natureza, tradição e oportunidades. A capital das águas termais é banhada pelos
rios São Lourenço, Areial e Prata e por diversos córregos de onde brotam verdadeiros
refúgios, como cachoeiras cristalinas, a exemplo das Cachoeiras do Prata, Bispo
e Mirandópolis, além de revelar grutas e sítios arqueológicos, com inscrições
rupestres da era pré-histórica.
É da natureza que surgiu também o
atrativo para a colonização, uma vez que, em meados do século 20, garimpeiros
se instalaram na região, explorando a extração de diamantes às margens do rio
Areia. O fato de ser cortada pelo BR-163/364 é um ponto que facilitou o
desenvolvimento das principais atividades econômicas atualmente: agricultura e
pecuária. Além disso, o turismo também movimenta a economia que sustenta cerca
de 12 mil habitantes.
Em 9 de julho de 1990 foi criada a comarca
de Juscimeira pela Lei nº 5.642. No entanto, a instalação de fato ocorreu em 4
de setembro de 1998, abrangendo o município de Juscimeira e seus três
distritos: Irenópolis, Santa Elvira e São Lourenço de Fátima. Além do juiz
diretor do foro, Alcindo Peres da Rosa, a unidade conta com mais de 30
servidores efetivos, comissionados, credenciados, terceirizados, estagiários e
policiais. Atualmente, quase 1,1 mil processos e mais de 300 inquéritos
tramitam na Vara Única.
Em comemoração ao aniversario de 27 anos da
comarca, o fórum realizará um círculo de paz de celebração com sua equipe. De
acordo com o gestor geral, Paulo Pessoa,
atualmente, todo o quadro de assessores são ex-estagiários da unidade, “o que
demonstra o compromisso e a valorização do nosso talento interno”, afirma.
Titular da Vara Única de Juscimeira há quase 10 anos, o
juiz Alcindo Peres da Rosa afirma que tem sido muito feliz na comarca. “Desde
que cheguei aqui, percebi uma grande união entre os servidores e colaboradores terceirizados,
sendo que considero como uma família, devido à forma como todos se relacionam e
à união que possuem, vez que quase todos são bastante antigos na comarca, alguns
estando aqui desde a sua fundação”, afirma.
Questionado
sobre algum caso marcante em que atuou ao longo de sua trajetória na comarca de
Juscimeira, o magistrado destaca que, por se tratar de Vara Única, se faz
necessário o constante estudo da legislação e jurisprudência em diversas áreas
do Direito, visando entregar a justiça da maneira mais célere e efetiva
possível.
“Dada
à diversidade de casos, difícil é selecionar algum, no entanto, me recordo que
quando aqui cheguei, deparei com dois processos que, naquela época, já tinham
mais de quarenta anos de existência. Resolvi me debruçar sobre os processos,
tentando por um fim nos mesmos. Tratava-se de ações de danos materiais e
morais, em virtude de perda de hortigranjeiros, motivada pela pulverização de
herbicidas, em fazendas vizinhas à uma comunidade de imigrantes japoneses. Como
se tratava de uma comunidade populosa, em que todos se dedicavam à mesma
tarefa, houve o ingresso de um número elevado de autores, em ambos os processos,
os quais já foram divididos, visando facilitar o seu tramite e, com o decorrer
do tempo, muitos autores foram falecendo e deixando os seus sucessores, no polo
ativo, o que dificultava muito a ciência das decisões, gerando impasses
processuais quase intransponíveis tecnicamente”, relata.
O
juiz Alcindo Peres segue contando que mesmo diante desse quadro dificultoso,
resolveu desconsiderar alguns aspectos processuais e sentenciar os referidos
processos, mesmo sob o risco das sentenças serem reformadas em grau de recurso.
“Todavia, para minha surpresa, as sentenças transitaram em julgado e o mais interessante
é que, apesar dos altíssimos valores, devido ao tempo transcorrido, na execução
das sentenças houve acordo entre as partes, permitindo colocar um ponto final
em um litígio com quase meio século de existência, de uma forma que satisfez a
todos os participantes, tendo, inclusive, recebido a visita de advogados que
vieram agradecer em seus nomes e em nome de seus clientes que já haviam
perdido, completamente, as esperanças de receber algo, desses processos”, conta
o magistrado.
O gestor geral da comarca, Paulo
Pessoa, compartilha ainda outros casos judiciais que marcaram a história da
unidade, como o fato dela ter sido a primeira comarca do Estado a realizar
audiência gravada, em 2008, quando os processos ainda eram físicos.
Em 2010, outro episódio, ocorrido
no Juizado Especial, marcou a história da comarca. “O caso envolveu um senhor carroceiro, que
realizava pequenos fretes. Ele nos procurou, inicialmente desconfiado e
insatisfeito, após ter sido vítima de um golpe, no qual realizou um frete de
apenas R$ 15,00 e foi vítima de calote. Na ocasião, formalizamos seu pedido por
escrito, na época, tudo em papel. No dia marcado para a audiência, ele chegou
cedo, permaneceu em seu canto, ressabiado e com um olhar de espanto. E, para
surpresa de todos, ao final, recebeu seu direito. Foi um momento de grande
orgulho, misturado com o sentimento de dever cumprido, que proporcionou a todos
presentes uma imensa felicidade e gratidão”, relembra Paulo.
O gestor geral destaca outro fato de grande repercussão,
ocorrido em 2014, quando a juíza Luciana de Souza Cavar Moretti condenou o Estado
a pagar uma advogada dativa que atuou em sessão do Tribunal do Júri naquela
comarca, devido à impossibilidade de atuação da Defensoria Pública.
Conforme Paulo
Pessoa, no Fórum, há uma preocupação em levar os serviços do Judiciário para
perto da comunidade, estando presente em escolas e praças, por meio do Juizado
Especial. “Realizamos a 1ª Olimpíada do Judiciário, reunindo quatro escolas e
promovendo confraternização entre alunos e famílias. Também promovemos
campanhas sociais como o Faça Bonito e ações vinculadas à Coordenadoria
Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, Cemulher”,
informa.
De acordo com o juiz Alcindo Peres,
ele segue na comarca “com muita alegria e confiante de que, com a
colaboração de todos os que aqui labutam, continuaremos cumprindo as metas
impostas pelo CNJ e Corregedoria, visando à melhoria da premiação do nosso
Egrégio Tribunal de Justiça e, acima de tudo, entregando a prestação jurisdicional
aos que aqui clamam por justiça”.
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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