Encerramento de Congresso destaca desafios e avanços na insolvência do agronegócio

No painel dedicado à “Insolvência do Empresário
Rural”, realizado no período vespertino, o juiz Renan Carlos Leão Pereira do
Nascimento, da 4ª Vara Cível de Rondonópolis, presidiu os debates. Com 12 anos
de atuação na vara especializada em recuperação judicial, Renan destacou as
particularidades do produtor rural diante das exigências legais para
deferimento do pedido de recuperação.
“Uma das grandes preocupações do juízo, no momento
do deferimento da recuperação judicial do produtor rural, é saber se devemos
seguir rigorosamente a letra da lei ou a realidade do campo. O artigo 51 da Lei
de Recuperação Judicial exige uma série de documentos comuns a sociedades
comerciais, mas que muitas vezes não condizem com a realidade dos pequenos
produtores rurais, que trabalham em família, sem estrutura formalizada”,
explicou o magistrado.
Renan reforçou que muitos produtores têm sua
contabilidade baseada apenas no Imposto de Renda de Pessoa Física, sem balanços
patrimoniais formais, situação que frequentemente motiva a contestação dos
credores e a suspensão da recuperação. “Trata-se, em geral, de produtores
idosos, que nunca precisaram formalizar suas atividades de maneira completa até
enfrentar crises, como secas ou quebras de safra, que os levam a recorrer ao
instituto da recuperação judicial”, acrescentou.
Ele também destacou casos exitosos de mediação
prévia, onde foram negociadas liberações parciais de bens financiados, como
tratores e estoques agrícolas, possibilitando a continuidade da produção e o
pagamento dos débitos. “Acredito que a recuperação judicial do produtor rural
não pode ser avaliada apenas pelo prisma jurídico formal, mas deve considerar a
realidade sociológica do campo”, defendeu.

A desembargadora Anglizey ressaltou a relevância da
integração entre o Judiciário estadual, o STJ e a advocacia para o
aperfeiçoamento do sistema de insolvência no Brasil. “O agronegócio, principal
atividade econômica do Mato Grosso, esteve presente em quase todos os painéis
do congresso, mostrando a maturidade e evolução na correta aplicação da lei no
setor. Este painel de encerramento trouxe uma atualização da jurisprudência do
STJ, fundamental para orientar a atuação dos operadores do direito”, afirmou.
O ministro Teodoro Silva Santos destacou a
importância social da recuperação judicial e seu papel no Estado Democrático de
Direito. “A recuperação judicial não é uma punição, mas um instrumento
democrático para que o empresário em dificuldade possa se reerguer, preservar
empregos, pagar tributos e continuar contribuindo para a sociedade. O
judiciário, o Ministério Público e a advocacia precisam atuar de forma
integrada para garantir esse equilíbrio”, afirmou.

Já o ministro Raul Araújo, relator de importantes
processos sobre insolvência no STJ, ressaltou os desafios enfrentados no
agronegócio. “Apesar do crescimento da produção, temos uma elevação preocupante
dos pedidos de recuperação judicial. Isso traz à tona a tensão entre credores,
que buscam garantir seus créditos excluindo-os do plano, e devedores, que
necessitam de flexibilização. É essencial que haja disposição para renegociação
para preservar o instituto da recuperação judicial”, destacou.
Raul ainda enfatizou a importância do congresso promovido pela OAB-MT. “Essa iniciativa é muito feliz, pois trata do setor mais importante do Brasil, o agronegócio, que exige constante atualização e diálogo entre todos os operadores do direito”, concluiu.
Fotos: Assessoria OAB/MT
Roberta Penha
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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