Juiz Tiago Gagliano fala sobre o cérebro e a tomada de decisões no podcast Explicando Direito

Segundo
Gagliano, o processo de tomada de decisão é único no nosso cérebro. “Funciona
da mesma maneira, seja quando um juiz vai condenar alguém a muitos e muitos
anos de prisão, seja quando uma pessoa vai escolher com qual sapato deseja sair
de casa. O que muda são apenas as especificidades. Então, obviamente, o juiz
não vai virar para um acusado e dizer: ‘use o sapato tal’. Não, ele vai
condená-lo, assim como não olhará para o sapato e dirá: ‘eu te condeno’. O que
muda são apenas as especificidades, mas o processo em si de tomada de decisão é
o mesmo, o que nos dá algumas pistas indicativas interessantes.”
Conforme
o entrevistado, diferentemente do que se imagina, o nosso cérebro não é
programado para encontrar a verdade nas coisas. “Ao contrário, se ele tiver que
escolher entre verdade e sobrevivência, escolherá, sem sombra de dúvida, a
sobrevivência. Então, muitas vezes isso se traduz em falsos positivos ou falsos
negativos. Ou seja, você acaba acreditando ou deixando de acreditar em alguém
ou em alguma coisa porque o que o seu cérebro está tentando fazer é proteger
você, para que possa permanecer vivo. Isso ocorre num nível de inconsciência
tremendo, em que você sequer tem percepção do movimento cerebral que está acontecendo.
E isso se traduz também no âmbito judicial”, observou.
Dentre
outros assuntos abordados na entrevista, o magistrado ressaltou a importância
da terapia para uma melhor tomada de decisões. “O terapeuta mostra aspectos que
não vimos, então ele corrige uma coisa chamada assimetria informacional. Ele
nos dá mais dados, mais variáveis, mais informações que estavam nubladas para
nós. E aí, se você está disposto a conhecer esses dados, essas informações e
considerá-las, o seu processo decisório se torna mais rico. Então, o seu
terapeuta tem razão, e esse pode ser um bom caminho para todos nós.”
“A
mensagem final e, obviamente, o que pode ajudar a corrigir toda a rota do
sistema é o processo educacional. Precisamos educar mais as pessoas, os
técnicos, os profissionais que atuam na área decisória, na área de tomada de
decisão, para que possam visualizar as variáveis que devem ser consideradas e
perceber os possíveis equívocos que não perceberiam — as ‘casquinhas de banana’
que os levariam a escorregar — para que isso não ocorra. Em síntese, é uma
questão educacional”, complementou.
Neste link, você ouve o programa na página da Rádio TJ.
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Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
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Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br
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