Livro lançado em Cuiabá propõe modelo de ativismo judicial com base no diálogo entre poderes

Durante
o lançamento oficial da obra no Brasil, Thamay destacou que o Poder Judiciário
é, ao final, o responsável por impedir que omissões inconstitucionais persistam
quando os demais poderes não cumprem seu papel.
“A
grande dificuldade do chamado ativismo judicial, infelizmente, é achar que o
problema está com o Poder Judiciário, quando, na verdade, não está, e este livro
busca mostrar isso. O Judiciário é acionado para implementar condutas que os
demais deveriam adotar, mas não o fazem”, salientou.

“Por
exemplo, antes de permitir que o ativismo no Supremo tivesse ocorrido, no caso
da Raposa Serra do Sol, um exemplo clássico que se aplica muito aqui a Mato
Grosso, o Supremo Tribunal Federal poderia, em vez de criar a regra do jogo
para as demarcações de terras indígenas, ter notificado o legislador para, em
diálogo, verificar se havia interesse e condições de legislar sobre o tema.
Após isso, e não o fazendo, o Judiciário estaria absolutamente à vontade para
agir, desde que dentro dos limites do pedido e com base nele, nunca fora dele”,
exemplificou.
Para
Thamay, é inaceitável permitir que omissões matem pessoas ou impeçam o cidadão
de ter o mínimo existencial para uma vida digna. “Se o Poder Judiciário está
aqui, como está nesta casa e em outras também, pronto para responder à
sociedade, não é razoável que a resposta seja ‘eu não posso julgar porque não é
problema meu’, se o pedido está feito. Este livro realmente se preocupa em
apresentar caminhos de diálogo para que o Judiciário continue realizando o
ativismo judicial, mas um ativismo judicial diferente do que se tem falado por
aí. Um ativismo que já tenho visto neste tribunal e em outros lugares, com
diálogo, com observação do que tem acontecido lá fora, e não apenas decisões
monocráticas. Esse não é um caminho razoável, pois pode trazer uma série de
implicações”, pontuou.
Ele
destacou que a obra também aborda, além das omissões do Legislativo, as do
Poder Executivo. “Este é um livro que realmente defende um ativismo judicial
não violento, não isolado, mas um ativismo judicial de um Poder Judiciário que
tem feito, sim, um trabalho extraordinário no Brasil, com acertos e desacertos,
como nós, na advocacia, também temos.”

Doutor
em Direito pela Universidad de Salamanca, Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul e Università Degli Studi di Pavia, Thamay também é mestre em
Direito pela Unisinos e pela PUC Minas. É professor titular dos programas de
graduação e pós-graduação da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), professor
titular e coordenador de cursos no Instituto Iter, além de atuar como árbitro,
consultor jurídico e parecerista.
Clique neste link para assistir ao lançamento (a partir de 3:40).
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito / Foto: Josi Dias
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br
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