Seminário de Mudanças Climáticas tem palestra sobre gestão climática e inovação sustentável
Em um momento em que o mundo discute caminhos para
conter o aquecimento global e cumprir as metas do Acordo de Paris, o debate
sobre descarbonização e mercado de carbono ganhou destaque no 10º Encontro de Sustentabilidade e no 2º
Seminário de Mudanças Climáticas, promovidos em conjunto pelo Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Núcleo de Sustentabilidade e pela
Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), por meio do Eixo Temático de Meio
Ambiente.
Nesta quarta-feira (17 de setembro), o professor e
pesquisador Carlos Sanquetta ministrou, de forma remota, a palestra “Gestão Climática e Descarbonização –
Mercado de Carbono e Perspectivas”, chamando atenção para os desafios e oportunidades
que envolvem a transição para uma economia de baixo impacto ambiental.
Logo no início, Sanquetta explicou que conduziria
sua exposição abordando temas como mudanças climáticas, vulnerabilidade e
riscos, compromissos do Judiciário e desafios globais e locais.
Ph.D. em Ecologia e Recursos Naturais, membro do
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC/ONU) e referência
internacional em sustentabilidade, Sanquetta destacou que a questão da
descarbonização está no centro do debate climático. Ele anunciou que
apresentaria uma síntese com perspectivas e possíveis caminhos a serem
seguidos.
O professor ressaltou que o aumento da concentração
de gases de efeito estufa é um dado científico comprovado.
“Historicamente, a concentração era de 280 partes
por milhão. Hoje já atingimos 430 partes por milhão, com elevação de
temperatura de 1,5 grau registrada a partir de 2023. Esse é um fato inequívoco
que aponta para uma preocupação urgente da sociedade atual”, afirmou.
Na sequência, explicou que as consequências vão
desde o derretimento de geleiras até a intensificação de eventos extremos, como
secas, inundações e ciclones. Para ele, vivemos uma era de vulnerabilidade e de
emergência climática, causada principalmente pelas emissões provenientes da
queima de combustíveis fósseis, da agropecuária, do desmatamento e da geração
de resíduos.
Segundo Sanquetta, enfrentar essa realidade exige
duas frentes de ação, que são as medidas de adaptação e medidas de mitigação.
Ele observou que é preciso aumentar a resiliência das sociedades, tanto no
campo quanto nas cidades, reduzindo emissões e ajustando atividades cotidianas
ao clima em transformação.
Ao abordar a agenda internacional, o pesquisador
lembrou que compromissos firmados em tratados como o Protocolo de Kyoto e, mais
recentemente, o Acordo de Paris, são fundamentais para conter a crise
climática.
“O Acordo de Paris, assinado em 2015, estabeleceu
compromissos para todos os países. O Brasil, por exemplo, se comprometeu a
reduzir até 2030 quase 60% de suas emissões. É um desafio imenso, que exige
mudanças profundas nos hábitos de consumo e produção”, destacou.
Sobre a descarbonização, Sanquetta explicou que se
trata de um processo contínuo que começa pelo planejamento, passa pelo
inventário das emissões e pela redução, para só então alcançar a compensação.
Ele frisou que planos de descarbonização podem e devem ser adotados por
indivíduos, empresas, cidades e tribunais.
O especialista ainda chamou atenção para a
importância da neutralidade e de metas mais ousadas. “Nós podemos neutralizar
nossas emissões, mas também podemos almejar o chamado carbono negativo, quando
conseguimos remover mais do que emitimos. Quem sabe um dia o Brasil não será
apenas neutro, mas um país que compensa emissões de outros que não conseguem
reduzir”, provocou.
Ao final, enfatizou que o sucesso dessa jornada
depende da continuidade das ações e da transparência no processo.
“É fundamental inventariar corretamente, reduzir de
forma consistente e relatar com total transparência. A verificação por
terceiros dá confiabilidade aos resultados e garante que o processo seja
efetivo”, concluiu.
A palestra integrou a programação do 10º Encontro de Sustentabilidade e do 2º
Seminário de Mudanças Climáticas do TJMT, realizados em Cuiabá. O evento
reúne magistrados, servidores, representantes de instituições públicas,
acadêmicos e especialistas para debater práticas de sustentabilidade,
judicialização ambiental, ESG, transição energética e gestão de resíduos sólidos.
Outro ponto de destaque do encontro é o compromisso
em ser carbono neutro, com certificação de compensação das emissões de gases de
efeito estufa, em alinhamento com a Resolução nº 594/2024 do Conselho Nacional
de Justiça, que prevê a neutralização de carbono em todo o Judiciário até 2030.
O evento segue até esta quinta-feira (18 de setembro), no Espaço Justiça, Cultura e Arte Desembargador Gervásio Leite, em Cuiabá, com a presença de especialistas nacionais e internacionais que discutem soluções para enfrentar a crise climática.
Confira mais fotos no flickr do TJMT: flickr.com/photos/tjmtoficial_/albums/72177720329104223/with/54796343508
Flávia Borges / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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