Proteção que salva vidas: saiba como pedir medida protetiva online e usar o botão do pânico
Diante do aumento
dos casos de feminicídio em Mato Grosso, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso
(TJMT) tem ampliado a divulgação dos mecanismos rápidos e acessíveis de que
dispõe para proteger mulheres em situação de violência doméstica. A medida
protetiva online e o botão do pânico são instrumentos eficazes,
disponibilizados de forma digital, que reduzem o tempo de resposta do Estado e
ajudam a salvar vidas.
Dados recentes
apontam crescimento no número de feminicídios no estado, sendo que a maioria
das vítimas não possuía qualquer proteção judicial no momento do crime. Esse
cenário reforça a importância de buscar ajuda o quanto antes. As estatísticas
também demonstram que mulheres que conseguem acessar a medida protetiva
apresentam risco significativamente menor de sofrer agressões letais.
Como resposta a essa
realidade, o Judiciário mato-grossense tem investido em tecnologia, integração
institucional e celeridade na análise dos pedidos. A medida protetiva de
urgência pode ser solicitada de forma online, sem a necessidade de boletim de
ocorrência, garantindo mais agilidade, segurança e acesso à Justiça, inclusive
para mulheres que enfrentam dificuldades de deslocamento até uma delegacia.
Esse avanço pode
ser mensurado por dados oficiais. O juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires, da 2ª
Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca
de Cuiabá, destaca que a redução do tempo de resposta do Judiciário representa
um avanço concreto na proteção das vítimas.
Segundo ele,
dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disponibilizados no painel Justiça
em Números, mostram que em janeiro de 2020 o tempo médio para emissão de medida
protetiva de urgência era de oito dias, considerando o período entre o
recebimento ou ajuizamento do pedido e a concessão, denegação, homologação ou
revogação da medida. “Com a migração para o Processo Judicial Eletrônico (PJe),
esse prazo caiu para dois dias e, nos últimos dois anos, foi consolidado em
apenas um dia, índice significativamente inferior à média nacional, que hoje é
de quatro dias”, explica.
O magistrado
ressalta ainda que outro avanço relevante é a automatização da liberação do
aplicativo para a vítima. “O cadastro já é viabilizado pela Polícia Civil e,
após a decisão judicial, o aplicativo é liberado de forma imediata, garantindo
proteção mais rápida e efetiva à mulher em situação de risco”, afirma.
Após a concessão
da medida protetiva, a vítima pode ter acesso ao botão do pânico, ferramenta
que permite acionar a Polícia Militar em segundos, em caso de risco iminente. O
recurso é integrado às forças de segurança e possibilita resposta rápida,
ampliando a fiscalização do cumprimento das determinações judiciais e
prevenindo novas agressões.
Além do
aplicativo, o Judiciário também utiliza tecnologias de monitoramento eletrônico
do agressor, atua de forma integrada com o Ministério Público e os órgãos de
segurança pública e prioriza a análise desses pedidos.
O TJMT reforça
que denunciar e pedir ajuda é fundamental. A medida protetiva não é apenas um
ato formal, mas uma ferramenta concreta de proteção, reconhecida por dados e
experiências como um dos meios mais eficazes no enfrentamento à violência
doméstica e ao feminicídio.
Informações
detalhadas sobre como solicitar a medida protetiva online, utilizar o botão do
pânico e acessar outros serviços de apoio estão disponíveis na página da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT).
Botão do Pânico
Virtual (aplicativo)
Disponível no
aplicativo SOS Mulher MT, o Botão do Pânico Virtual tem como objetivo conferir
maior proteção à mulher em situação de violência doméstica. A ferramenta
permite o acionamento rápido da Polícia Militar e contribui para a fiscalização
do cumprimento das medidas protetivas de urgência previstas na Lei nº
11.340/2006 (Lei Maria da Penha).
O recurso está
disponível para mulheres que possuem medida protetiva concedida pela Justiça e
residem nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis,
cidades que contam com unidades do Centro Integrado de Operações de Segurança
Pública (Ciosp).
Como funciona o
Botão do Pânico Virtual?
·
Acesse a loja de
aplicativos do celular e busque por SOS Mulher MT;
·
Faça a instalação do
aplicativo;
·
Abra o app e clique no
símbolo “+” para inserir o código de acionamento fornecido após a concessão da
medida protetiva;
·
Responda à pergunta de
confirmação;
·
Em situação de risco,
acione o botão SOS e confirme o pedido de ajuda.
O aplicativo
grava automaticamente 30 segundos do áudio ambiente e aciona as forças
policiais. A viatura mais próxima é deslocada imediatamente para atender a
ocorrência.
Botão do Pânico físico
(associado à tornozeleira eletrônica)
O Botão do Pânico
físico está vinculado aos casos em que o agressor é submetido ao uso de tornozeleira
eletrônica por decisão judicial. Esse mecanismo está disponível em todo o
Estado de Mato Grosso.
Nesses casos, o
juiz estabelece um raio mínimo de distância que deve ser respeitado pelo
agressor. Quando ocorre a aproximação indevida, o sistema é acionado
automaticamente.
Como funciona o
Botão do Pânico físico?
·
O agressor utiliza
tornozeleira eletrônica, determinada por decisão judicial;
·
A vítima recebe um
dispositivo vinculado ao sistema de monitoramento;
·
Caso o agressor
ultrapasse o limite de distância fixado, o dispositivo da vítima vibra,
alertando sobre o risco;
·
O sistema emite aviso
simultâneo para o agressor, para a vítima e para a Secretaria de Segurança
Pública;
·
A central de
monitoramento entra em contato com a vítima e as providências de segurança são
adotadas.
Esse tipo de botão é utilizado exclusivamente nos casos em que há medida protetiva com monitoramento eletrônico do agressor. Em regra, sua vigência é mais curta do que a de outras medidas protetivas e do uso do aplicativo SOS Mulher MT.
Adellisses Magalhães / Foto: Lucas Figueiredo
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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