Cemulher alerta que campanha “Não é não” é permanente e deve ser reforçada no Carnaval

Mulheres
brasileiras contam com a Lei nº 14.786/2023, que instituiu o protocolo “Não é
Não” para prevenir constrangimentos e situações de violência decorrentes de sua
negativa em interagir com alguém que demonstre interesse e as aborde em locais
públicos, como casas noturnas, boates, espetáculos musicais, shows, com venda
de bebida alcoólica.
E em Mato Grosso, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça (Cemulher-MT) lembra que o protocolo é válido durante o ano todo, principalmente no Carnaval. “Mulheres e meninas precisam ser respeitadas em sua integridade física, mental e sexual. É preciso disseminar que importunação sexual é crime e precisa ser combatida, que colocar a mulher numa situação constrangedora, insistindo em uma interação que ela não deseja, não é ‘cantada’, não é paquera, mas sim um abuso”, afirma a coordenadora da Cemulher, desembargadora Maria Erotides Kneip.
Para
contribuir nessa conscientização, os juízes das Varas Especializadas de
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá dão dicas e
orientações por meio de um vídeo educativo que pode ser conferido no canal do TJMT no
Youtube.
Trabalho em rede
Além
disso, o trabalho de combate à importunação é intensificado neste período do
ano, por meio das redes de enfrentamento à violência doméstica e familiar,
atualmente presentes em 101 municípios de Mato Grosso. Essa ampliação das redes resulta do trabalho
de sensibilização e capacitação promovido pela equipe da Cemulher junto às
Prefeituras, Câmaras de Vereadores, Secretarias Municipais de Assistência
Social, de Saúde, Educação e da Mulher, Polícia Civil, Polícia Militar, Guardas
Municipais, Defensoria Pública, Ministério Público, Ordem dos Advogados do
Brasil e entidades da sociedade civil que atuam no combate à violência contra a
mulher, para garantir os direitos dessa parcela da população.
“A violência contra a mulher não se combate apenas com sentenças e medidas protetivas, que são instrumentos importantíssimos. Combate-se também com prevenção, educação e articulação institucional. Tenho constatado a força do funcionamento das redes nesse sentido”, afirma a desembargadora Maria Erotides.
Educação como base
As
redes de enfrentamento à violência doméstica e familiar têm possibilitado que o
Poder Judiciário de Mato Grosso desenvolva projetos que ajudam a romper a lógica
da naturalização da violência. E uma das formas como isso tem sido feito é por
meio da Educação, que ganhou prioridade na “Carta de Mato Grosso”, elaborada
durante o II Encontro de Redes de Enfrentamento
à Violência Doméstica e Familiar de Mato Grosso, realizado em dezembro do ano
passado no TJMT.
A Cemulher já colocou essa prioridade em prática, desde o final
do ano passado, por meio do
concurso cultural “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, que ocorreu no ano passado
nas cidades-polo de Cuiabá, Rondonópolis e Sinop, em parceria com as
Secretarias de Educação do Estado e dos Municípios.
Neste
ano, a Cemulher capacitou mais de mil professores da rede estadual de ensino,
durante a Semana Pedagógica 2026, sobre como abordar a violência contra a mulher de forma
interdisciplinar, com o objetivo de fazer com que os estudantes tenham acesso ao
conhecimento sobre o tema ao longo de todo o ano letivo, e não somente durante
a Semana
Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, que ocorre sempre no mês de
março, por força a Lei nº 14.164/2021. “Para
construirmos uma sociedade onde a mulher seja tratada de forma verdadeiramente
humana e igualitária, é preciso que isso aconteça por meio da educação”,
defende Maria Erotides Kneip.
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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