Cemulher-MT explica protocolo “Não é Não” e alerta sobre selo Mulher Segura
Os blocos de carnaval já estão nas ruas e a campanha “Não é Não” ganha ainda mais
visibilidade em Mato Grosso. A iniciativa é apoiada pela Coordenadoria Estadual
da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do Tribunal
de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT), e tem como base a Lei nº 14.786/2023, que criou o
Protocolo “Não é Não”, em vigor desde junho de 2024.
A coordenadora da Cemulher-MT, desembargadora Maria Erotides Kneip, explica que o
Judiciário tem atuado para que os municípios estejam preparados para cumprir a
legislação.
“O Tribunal de Justiça trabalhou para que os municípios
tivessem suas redes municipais de enfrentamento à violência contra a mulher organizadas
e pudessem estar a postos para cumprir o protocolo ‘Não é Não’, que decorre da
Lei 14.786. Hoje em dia, eventos, casas noturnas e festas com venda de bebida
alcoólica precisam ser ambientes seguros para as mulheres”, relata a magistrada.
A legislação determina que esses estabelecimentos devem
adotar medidas de prevenção e acolhimento. Entre elas, a capacitação de
funcionários para identificar situações de risco e agir rapidamente diante de
possíveis casos de importunação ou violência.
“As mulheres precisam saber se o evento que vão
frequentar possui o selo Mulher Segura. Nesses locais, os trabalhadores são
treinados para proteger a mulher e agir de forma adequada em situações de
violência”, reforça a desembargadora.
Onde termina a cantada e começa o assédio?
Durante o Carnaval, a linha entre paquera e importunação
precisa estar muito clara. Segundo a magistrada, a fronteira está entre o
consentimento e o constrangimento.
“O limite é o constrangimento. A partir do momento em que
a mulher diz ‘não’, ou manifesta de alguma forma que não quer aproximação ou
toque, não há mais espaço para insistência. Quando esse limite é ultrapassado,
passa a ser crime”, destacou.
Ela lembra que o artigo 215-A do Código Penal tipifica a
importunação sexual, prevendo pena e possibilidade de prisão.
Mais do que uma campanha, o “Não é Não” é uma orientação prática: respeito é regra, consentimento é indispensável. E Carnaval seguro é aquele em que a diversão não fere os direitos de ninguém.
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Vitória Maria Sena
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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