Congresso evidencia o papel dos precedentes e da IA na qualidade e na agilidade da Justiça
Promovido pela Escola
Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis), o Congresso Internacional de
Precedentes reuniu juristas do Brasil, da Itália e da Espanha para debater a
formação e a aplicação dos precedentes judiciais sob uma perspectiva comparada,
além dos impactos da Inteligência Artificial no sistema de Justiça. A
programação ocorreu nos dias 2 e 3 de fevereiro e foi voltada a magistrados,
servidores, membros do Ministério Público, advogados e acadêmicos do Direito.
Os debates evidenciaram que a
discussão sobre precedentes e tecnologia não se limita ao ambiente interno das
instituições jurídicas. Trata-se de temas que repercutem diretamente na vida da
sociedade, uma vez que os precedentes existem justamente para mitigar a demora
processual e reduzir conflitos em decisões judiciais que tratam de casos
semelhantes, promovendo maior segurança jurídica, previsibilidade e igualdade
de tratamento às partes.
Da mesma forma, a
Inteligência Artificial tem se tornado cada vez mais presente no cotidiano do
Judiciário e na atuação dos magistrados, seja na gestão de processos, na
análise de dados ou no apoio à tomada de decisão.
Nesse cenário, especialistas
ressaltaram que o juiz contemporâneo não pode permanecer alheio às inovações
tecnológicas, mas sim compreendê-las criticamente para utilizá-las de forma
responsável, ética e alinhada aos princípios do Estado de Direito.
Durante o evento, o
magistrado Antônio Veloso Peleja Júnior, juiz auxiliar da Vice-Presidência do
Tribunal de Justiça de Mato Grosso e coordenador pedagógico da Esmagis-MT,
destacou o caráter prático e formativo das discussões ao relacionar
experiências estrangeiras com a realidade brasileira.
“Tivemos uma visão dos
precedentes a partir do Direito Comparado, com base no Direito estrangeiro, ou
seja, como os precedentes funcionam em outros países, como Itália e Espanha,
para que possamos aprender e aplicar esses conhecimentos à nossa realidade”,
relatou o juiz.
Antônio Peleja explica que “quando
falamos em precedentes, costumamos associá-los ao sistema da common law, originário principalmente da
Inglaterra, mas também presente nos Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia.
Contudo, é importante compreender não apenas essa origem, mas também como os
precedentes vêm sendo aplicados em países de tradição romano-germânica, como
Espanha, Itália e Alemanha, para que possamos adaptar essas experiências ao
nosso contexto jurídico”.
O magistrado explica que no Brasil, esse processo ainda está em construção. “Por isso, há necessidade de estudo e aprofundamento para que nossos juízes possam exercer, da melhor maneira possível, a função jurisdicional, que envolve interpretar a lei e aplicar corretamente os precedentes. Para aplicar um precedente, é essencial compreendê-lo em sua essência. Nesse sentido, o Congresso agrega muito para a formação dos magistrados e, como consequência, contribui para uma prestação jurisdicional mais qualificada. Isso beneficia não apenas os operadores do Direito - advogados, servidores e demais atores do sistema -, mas, sobretudo, a população do estado, que é a principal destinatária da Justiça.”
Leia mais:
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Patrícia Neves / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
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