Formação inicial debate contraditório, gestão por dados, experiência prática e linguagem simples
A
semana de aulas do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi 2026) reuniu temas
centrais para a atuação dos novos magistrados, passando pela aplicação prática
do contraditório, gestão de unidades judiciais baseada em dados,
compartilhamento de experiências sobre atos processuais e a importância da
linguagem simples no Judiciário. As atividades foram conduzidas por
especialistas que trouxeram perspectivas teóricas e práticas para fortalecer a
atuação dos juízes em início de carreira.
A aula ministrada na
segunda-feira (24 de fevereiro) pelo formador Welder Queiroz, no módulo Teoria
da Justiça, Decisão Judicial e Direito no Estado Democrático de Direito –
Princípio do Contraditório, começou com a apresentação do recorte temático
escolhido para o encontro. O professor, que é juiz membro substituto do
Tribunal Regional Eleitoral e diretor da Escola Judiciária Eleitoral, explicou
que a aula se concentraria em três eixos: devido processo legal, princípio do
contraditório e juízo e fase postulatória do processo.
Ele destacou que o
foco seria a aplicação prática dessas garantias, especialmente a partir de sua
própria pesquisa acadêmica sobre Princípio do Contraditório e Vedação de
Decisão Surpresa, tema de sua dissertação de mestrado. Welder Queiroz observou
que a abordagem da aula foi pensada para dialogar com a realidade dos
magistrados em formação, um público distinto daquele com quem costuma trabalhar
na graduação e na especialização. Por isso, estruturou o encontro para discutir
elementos centrais da fase postulatória — como petição inicial, juízo de
admissibilidade, defesas do réu e impugnação ou réplica — e preparou estudos de
caso para problematizar situações concretas.
Ao
introduzir o primeiro grande tema da aula, o professor enfatizou a necessidade
de interpretar o processo à luz da Constituição e dos tratados internacionais
de direitos humanos, especialmente o Pacto de San José da Costa Rica, que
disciplina garantias judiciais essenciais. Segundo ele, compreender o devido
processo legal e o contraditório no Estado Democrático de Direito exige
integrar essas duas fontes normativas, reconhecendo que os direitos
fundamentais processuais não se esgotam no texto constitucional, mas se ampliam
pelas obrigações internacionais assumidas pelo Brasil.
Metas e indicadores
Na
terça-feira (24 de fevereiro), o servidor Marcos Ferreira Girão Júnior, gestor
do Núcleo de Justiça Digital dos Juizados Especiais, conduziu a aula “Gestão de
Unidades Judiciais para alcance de metas e indicadores”. A capacitação
enfatizou a importância do uso inteligente de dados para aprimorar a gestão das
unidades e fortalecer a entrega jurisdicional.
Segundo
Girão, a proposta central do encontro foi mostrar aos participantes como
trabalhar de forma direcionada a partir de informações concretas. “A ideia é
que eles consigam entrar na unidade e atuar com base em dados, entendendo quais
processos impactam as metas e os números. Hoje, os dados são o nosso novo
petróleo”, afirmou.
O foco,
explicou o gestor, é desenvolver a capacidade de identificar gargalos e
priorizar demandas. “Quando você trabalha de forma direcionada, atua exatamente
no processo que demanda mais tempo ou que está vinculado a uma meta específica.
Às vezes a pessoa trabalha muito, mas não vê resultado porque está distribuindo
esforço em tudo ao mesmo tempo.”
Entre
os pontos que mais chamaram a atenção dos magistrados, Girão apontou a
temporalidade processual. Para ele, compreender o tempo de tramitação e seus
fatores é essencial para enfrentar um dos maiores desafios atuais: reduzir o tempo
de duração dos processos.
“A
aula do Marcos eu reputo que foi uma das mais importantes até agora, porque nos
trouxe um olhar sobre a ferramenta Omni, que é aquilo que nos orienta sobre a
atuação diária, os processos em que devemos nos focar, as metas do CNJ, enfim,
nos deu uma orientação muito precisa acerca do trabalho a ser desenvolvido”,
pontuou o juiz substituto Yago da Silva Sebastião.
Experiência prática
A
quarta-feira (25 de fevereiro) foi marcada pela aula do desembargador Jones
Gattass Dias, que conduziu o módulo “Técnicas dos atos judiciais –
Elaboração de decisões e sentenças e realização de audiências”. Com décadas
de experiência, ele contou que seu maior objetivo é dividir com os novos
magistrados e magistradas as situações reais vividas ao longo da carreira.
Gattass destacou que as dúvidas sobre a condução das audiências — e os temidos
momentos de saia justa — são as que mais preocupam os recém-ingressos. Para
ele, a troca tem sido valiosa: “A participação dos alunos tem sido o ponto alto
dessas aulas”, afirmou.
Confira neste link matéria da TV.JUS sobre essa aula.
Segundo
o juiz substituto Danilo Marques Ribeiro Alves, o desembargador Jones
apresentou uma aula sobre processo civil, especificamente sobre as fases
processuais e sobre a dinâmica prática de como o magistrado deve atuar no
decorrer das fases do processo. “Está sendo uma aula bastante proveitosa. Ele
está trazendo a prática acumulada em vários anos de magistratura e enriquecendo
de forma grandiosa o nosso currículo.”
Já
o juiz substituto Lessandro Réus Barbosa destacou que a aula foi muito
construtiva. “É um desembargador que tem uma ampla experiência, um bom tempo de
magistratura e está compartilhando as experiências práticas dele, sobretudo
voltado para o Processo Civil. Isso contribui muito para quem está iniciando na
carreira, ter essa visão prática, essas nuances que acontecem no dia a dia.
Então, isso enriquece muito profissionalmente esse contato com magistrados mais
antigos.”
Linguagem Simples
Na
quinta-feira (26/02), a aula foi ministrada pelo jornalista e professor Gabriel
Henrique Collaço. Ele destacou que a formação inicial na magistratura precisa
considerar desde cedo o início da carreira e o futuro do Judiciário,
especialmente no que diz respeito ao uso da linguagem. Ele lembra que a
simplificação da linguagem não é apenas uma diretriz do Pacto Nacional da
Linguagem Simples, mas uma exigência legal que orienta o trabalho no Judiciário
e nas carreiras públicas.
Por
isso, os cursos de formação já incorporam reflexões sobre boa escrita,
gramática adequada, elaboração de glossários e uso de manuais produzidos pelos
laboratórios de inovação, de modo que as sentenças sejam compreensíveis para
qualquer cidadã ou cidadão. Esse processo envolve também o planejamento da
escrita e da fala, garantindo que a comunicação seja clara e acessível. Collaço
explica que, embora a linguagem jurídica tenha termos técnicos próprios, é
fundamental que ela seja direta, objetiva e compreensível.
Para
ele, todo o percurso — da preparação das audiências à redação das decisões —
deve ser vivenciado com atenção ao planejamento textual e ao compromisso de
aproximar o Judiciário da sociedade.
Corregedoria
Nesta
sexta-feira (27 de fevereiro), os juízes auxiliares Jorge Alexandre Martins
Ferreira, Anna Paula Gomes Freitas e Myrian Pavan Schenkel, acompanhados da
servidora Nilcemeire Vilela, apresentaram aos novos juízes a estrutura e o
funcionamento da Corregedoria-Geral de Justiça.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Fotos: Josi Dias e Josiane Dalmagro
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br
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