Palavras importam: terminologias corretas e o poder da linguagem
A
linguagem tem impacto direto na forma como as pessoas são percebidas, tratadas
e incluídas. No contexto das pessoas com deficiência, a escolha das palavras
não é apenas uma questão de estilo: é um ato de respeito, reconhecimento de
dignidade humana e promoção da igualdade.
Expressões como “portador de deficiência”, “deficiente”, ou dizer que alguém “sofre de” uma deficiência carregam conotações negativas, reforçam estigmas e reduzem a pessoa à condição. Esse tipo de linguagem pode inadvertidamente reproduzir preconceitos e barreiras invisíveis no cotidiano institucional.
Por que a linguagem importa?
A
forma de comunicar-se influencia diretamente atitudes, percepções e
comportamentos individuais e coletivos. A linguagem inclusiva contribui para
ambientes mais acolhedores, reduz a discriminação implícita e fortalece
práticas democráticas de convivência. Técnicas de comunicação que respeitam
pessoas com deficiência incluem:
✅ Colocar a pessoa antes da deficiência, reconhecendo que a condição não define a totalidade de quem ela é.
✅ Evitar termos que sugerem inferioridade, limitação absoluta ou sofrimento inerente à condição.
✅ Adotar termos atualizados, precisos e consensuados internacionalmente, como “pessoa com deficiência” ou a sigla PcD (pessoa com deficiência), sempre que for apropriado ao contexto.
Boas práticas e orientações de linguagem
➡️ Priorize o uso de linguagem centrada
na pessoa: “Pessoa com deficiência visual” em vez de “cego” ou “deficiente
visual”.
➡️ Evite termos que reforcem estereótipos negativos, que sugerem inabilidade ou sofrimento inerente, como: “Sofre de…” ou “afetado por…”;
➡️ Termos antiquados como “inválido”, “aleijado” ou “retardado”, reconhecidos como ofensivos.
➡️ Não use a deficiência como adjetivo pejorativo ou metáfora (“Isso foi tão retardado” ou “Bater o carro foi um desastre”), pois isso reforça discriminação implícita e capacitismo.
➡️ Em situações de comunicação direta, respeite a pessoa, pergunte como ela prefere ser referida, pois as preferências linguísticas podem variar.
Capacitismo e linguagem: o que evitar
O
capacitismo é uma forma de preconceito que considera corpos e mentes sem
deficiência como padrão ou superiores, e que associa deficiência a algo
negativo. A linguagem pode reforçar essa visão quando não é cuidadosa.
Expressões que reduzem pessoas a estereótipos, que expressam pena, exageram dificuldades ou tratam a deficiência como algo a ser “superado” constantemente, podem legitimar atitudes capacitistas no ambiente de trabalho e na sociedade.
O papel da comunicação institucional
No
contexto do serviço público, especialmente no âmbito do Judiciário, a
comunicação deve refletir os princípios constitucionais de dignidade da pessoa
humana, igualdade e não discriminação. Uma comunicação institucional que adota
linguagem inclusiva:
🔹 Valoriza a diversidade humana;
🔹 Fortalece a confiança do público;
🔹 Contribui para a construção de ambientes mais justos;
🔹 Combate estigmas e preconceitos, reforçando acesso e
participação.
🟦 Comissão de Acessibilidade e Inclusão em Ação
A
Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso atua
de forma permanente para eliminar barreiras e assegurar o acesso pleno aos
serviços judiciais por todas as pessoas. Em 2025, o trabalho da Comissão foi
intensificado tanto na sensibilização quanto na implementação de melhorias
estruturais.
Além das ações educativas, a Comissão promove vistorias técnicas e implantação de melhorias para garantir acesso viável aos jurisdicionados em Fóruns e Cartórios Extrajudiciais das comarcas da capital e do interior. Entre as adequações realizadas, destacam-se a implantação e melhoria de rampas de acesso, a adequação de banheiros, o acesso às varas judiciais e aos tribunais do júri, reforçando o compromisso institucional com a autonomia, a dignidade e o direito de acesso à Justiça.
Presidida pela vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, a Comissão de Acessibilidade e Inclusão reafirma a prioridade do Tribunal em promover um ambiente judicial mais acessível.
Ao
longo de 2025, foram realizados encontros sobre inclusão em Cuiabá,
Rondonópolis, Cáceres, Sinop e Sorriso, fortalecendo a conscientização sobre
autismo e outras deficiências. Também foram realizadas oficinas visando a
ampliação da comunicação clara e acessível para todos os públicos do PJMT.
🟦 Atitudes que fazem diferença
-
Use sempre o termo “pessoa com deficiência” ou PcD quando for adequado ao
contexto.
- Substitua expressões pejorativas por termos respeitosos e neutros.
- Quando referir-se à pessoa diretamente, fale com ela — não sobre ela — e pergunte sobre suas preferências de linguagem.
- Evite usar a deficiência como metáfora ou termo negativo no discurso cotidiano.
- Ao produzir materiais institucionais, revise o texto com parâmetros de comunicação acessível e anticapacitista.
Leia matérias relacionadas:
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Do modelo biomédico ao biopsicossocial: mudança que transforma olhares em relação às deficiências
Ana Assumpção / Foto: Alair Ribeiro e Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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