Seminário Internacional inicia debates sobre IA e Métodos de Solução de Conflitos em Cuiabá
Nesta quarta-feira (4
de fevereiro), o Seminário Internacional “MASC – Métodos Adequados de Solução
de Conflitos e Inteligência Artificial” abriu sua programação em Cuiabá com a participação
de profissionais do Direito, pesquisadores e estudantes. Realizado pela Escola
Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) em parceria com a Escola
de Direito da ALFA Educação, o evento gratuito iniciou hoje as primeiras
atividades presenciais, que marcaram o início de uma agenda de 15 horas-aula
distribuídas entre Mato Grosso e Amazonas.
A etapa cuiabana
ocorreu no Auditório do Complexo dos Juizados Especiais, onde foram ministradas
as duas primeiras aulas do seminário, ao longo da manhã e da tarde. O encontro
reuniu magistrados, assessores, membros do Ministério Público, procuradores,
advogados, professores, servidores do Judiciário, mediadores judiciais e
acadêmicos interessados em compreender o papel da Inteligência Artificial na
transformação dos métodos de solução de conflitos.
Palestra
A palestra do
professor espanhol Lorenzo Mateo Bujosa Vadell, professor catedrático de
Direito Processual da Universidade de Salamanca (Espanha), acrescentou ao
seminário uma análise aprofundada sobre a evolução dos métodos alternativos de solução de conflitos e o impacto
crescente da tecnologia no sistema de Justiça. Ele estruturou sua contribuição
em três eixos: a importância dos meios adequados de resolução de conflitos e as
mudanças recentes observadas na Espanha; os avanços da digitalização em
diferentes frentes; e, por fim, o papel da inteligência artificial tanto na
Justiça em geral quanto nos próprios mecanismos alternativos de solução de
conflitos.
Bujosa também analisou o potencial da IA para ampliar a
eficiência dos métodos alternativos, ressaltando que a tecnologia tende a
acelerar procedimentos e oferecer suporte técnico ao trabalho humano. “A
inteligência artificial é um fato, então devemos aproveitar as vantagens e
minorar os riscos. É necessário estudar como tirar as vantagens dela”,
enfatizou.
Para ele, a IA pode inclusive atuar como ferramenta de
apoio, ajudando a identificar perfis de mediadores mais adequados a
determinados casos ou adaptando-se a situações que exigem maior objetividade.
Ainda assim, observou que as experiências disponíveis no mundo são iniciais e
devem ser acompanhadas com cautela para evitar subjetividades, arbitrariedades
ou discriminações.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de transparência
no funcionamento dos algoritmos, especialmente no que diz respeito à seleção de
dados e à influência que podem exercer sobre propostas de acordo.
Sobre a possibilidade de substituição do mediador humano,
Bujosa avaliou que a IA tende a atuar como auxiliar, embora reconheça que já
existem sistemas capazes de sugerir soluções automáticas aceitas pelas partes
sem supervisão direta. Ele observou que esses modelos, presentes em diferentes
países, continuam em aperfeiçoamento e devem permanecer sob vigilância ética.
O pesquisador também ponderou que, embora a IA seja
naturalmente mais célere, a rapidez nem sempre é desejável em processos de
mediação, que dependem de etapas cuidadosas e da atuação sensível do mediador.
Para ele, a utilidade da tecnologia varia conforme o caso concreto. Por fim,
destacou que a União Europeia tem avançado na definição de princípios gerais e
exigências éticas mínimas para orientar o desenvolvimento e a aplicação da
inteligência artificial no campo jurídico.
Organização
O juiz coordenador
das atividades pedagógicas da Esmagis-MT, Antônio Veloso Peleja Júnior,
destacou que o fortalecimento dos meios alternativos de resolução de
controvérsias permanece como diretriz do sistema processual brasileiro,
previsto no Código de Processo Civil e essencial para a redução do volume de
demandas judiciais. Para ele, a consolidação de uma cultura de autocomposição é
fundamental para que a própria sociedade encontre caminhos de pacificação sem
depender exclusivamente da intervenção do Judiciário.
Ao analisar o cenário
tecnológico, o magistrado ressaltou que a inteligência artificial representa
uma nova etapa de transformação — considerada parte da “quarta revolução” — e
que o Judiciário precisa acompanhar esse movimento. Ferramentas já utilizadas pelo
Tribunal de Justiça de Mato Grosso, como a LexIA e a Hannah, foram citadas como
exemplos de iniciativas que exigem atualização constante, dada a velocidade com
que as tecnologias evoluem.
Peleja enfatizou
ainda a relevância da participação do professor Lorenzo Mateo Bujosa Vadell,
cuja expertise abrange tanto os métodos adequados de solução de conflitos
quanto o uso da inteligência artificial no sistema de Justiça. “O professor tem expertise nos dois
temas, traz também essa realidade na União Europeia, e também sobre a
inteligência artificial. Então, as lições são muito valiosas e serão muito bem
aproveitadas pelas juízes e pelos juízes do Estado de Mato Grosso.”
Clique neste link para assistir à íntegra da palestra.
Transmissão on-line
Com transmissão
simultânea pelas plataformas da UNIALFA e da FADISP, a programação alcançou
também o público inscrito na modalidade on-line, que integra as 1.000 vagas
disponibilizadas para acompanhamento remoto. As atividades presenciais contam
ainda com certificação especial para alunos dos programas de Stricto Sensu da
Unialfa/Fadisp, mediante participação em pelo menos duas aulas presenciais com
frequência integral.
Próximos encontros
A programação seguirá
para Manaus, onde as próximas aulas serão ofertadas nos dias 6 e 7 de
fevereiro, no Auditório da Defensoria Pública do Amazonas. A etapa amazonense também
contará com a presença do professor espanhol Lorenzo Bujosa Vadell.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito / Foto: Josi Dias
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br
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