Acadêmicos de Direito vivenciam imersão no TJMT por meio do Projeto Nosso Judiciário
Acadêmicos do curso de Direito da Universidade de Cuiabá,
campus Beira Rio, participaram na tarde desta quarta-feira (4) de uma imersão no
Poder Judiciário. A turma, composta por
45 estudantes, participou de uma intensa programação elaborada por meio do
Projeto Nosso Judiciário. Coube ao juiz
auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Túlio Duailibi
Alves Souza, ministrar uma palestra de boas-vindas ao grupo no Espaço Memória
do Judiciário.
O magistrado destacou que iniciativas como o programa Nosso
Judiciário cumprem um papel estratégico na formação dos futuros profissionais
do Direito. Abrir as portas do Tribunal para os estudantes é investir na
construção de uma Justiça mais transparente, acessível e conectada com a
realidade social.
“Quando o acadêmico tem a oportunidade de conhecer, na
prática, como funciona o Judiciário e as demais instituições que compõem o
sistema de Justiça, ele amplia sua compreensão sobre as responsabilidades de
cada carreira e passa a fazer escolhas mais conscientes para o seu futuro
profissional”, afirmou.
Duailibi também ressaltou que o projeto fortalece a relação
entre o Poder Judiciário e a sociedade. “A aproximação com a universidade
contribui para desmistificar a atuação da Justiça, promovendo conhecimento,
cidadania e responsabilidade social. É um passo importante para formar
profissionais mais preparados e cidadãos mais conscientes.”
Servidora da Coordenadoria Judiciária do TJMT, Marta Maria
de Rezende promoveu uma explanação técnica para os acadêmicos. Detalhadamente,
pontuou aos estudantes que atualmente o Tribunal de Justiça de Mato Grosso
conta com oito Câmaras Cíveis Isoladas: cinco de Direito Privado e três de
Direito Público. O que diferencia cada uma delas é a competência, ou seja, o
tipo de matéria que julgam.
“As Câmaras de Direito Privado analisam recursos
relacionados a divórcios, contratos entre particulares, pensão alimentícia,
entre outros temas dessa natureza. Já as Câmaras de Direito Público julgam
processos em que uma das partes é um ente público, como o Estado de Mato Grosso
ou um município. São exemplos ações ambientais ou demandas de saúde movidas
contra o poder público”, descreveu Marta Rezende, explicando que cada Câmara
isolada é composta por três desembargadores, que participam das sessões de
julgamento para analisar recursos e também processos originários do Segundo
Grau.
Citou ainda que “além das Câmaras, existem as Turmas, que
também funcionam conforme a competência. No Direito Público, por exemplo, há
três Câmaras Isoladas que, juntas, formam uma Turma composta por nove
desembargadores, com os três integrantes de cada Câmara. No âmbito criminal, o
Tribunal possui quatro Câmaras Criminais e uma Turma. Assim como nas demais
estruturas, o que define onde cada processo será julgado é a competência”.
O professor Carlos Vinícius Galdino, do Núcleo de Prática
Jurídica da universidade, ponderou que esta é a primeira vez que participou de
uma visita técnica ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. “Hoje contamos aqui com
aproximadamente 45 acadêmicos, dos 8º, 9º e 10º semestres. Organizamos uma
visita mista para possibilitar que todos, especialmente a partir do 8º
semestre, quando iniciam as atividades no Núcleo de Prática, tenham acesso à
vivência no Tribunal”, relatou.
Sobre a importância do projeto Nosso Judiciário, destacou que
é uma iniciativa relevante, na qual o Tribunal de Justiça de Mato Grosso é
pioneiro. O projeto aproxima o estudante do Judiciário, quebrando o paradigma
de que desembargadores e demais membros são figuras distantes. A experiência
permite que os acadêmicos compreendam, na prática, as funções dos cargos de
desembargador, juiz, além do papel desempenhado pelos servidores.
“Também é uma oportunidade para que aprendam como se portar
durante um julgamento, aspecto fundamental, sobretudo porque grande parte dos
nossos alunos seguirá a carreira da advocacia. A universidade busca justamente
proporcionar essa vivência concreta, aproximando teoria e prática na formação
profissional”, disse.
A menos de um ano de concluir o curso de Direito, o acadêmico
Eguinaldo Merotti Rodrigues avaliou como muito positiva a visita técnica ao Tribunal
de Justiça de Mato Grosso.
“Já tive a oportunidade de participar de outras visitas
técnicas, todas muito proveitosas, mas a de hoje superou as expectativas. A
exposição oral, a análise das decisões em grau de recurso e a dinâmica das
sessões agregaram muito conhecimento e enriquecem significativamente o nosso
currículo”, destacou.
O estudante também ressaltou a fala do juiz Túlio Dualibi
durante a atividade. “Uma frase que me marcou foi quando ele disse que a
magistratura é um sacerdócio. Princípios como os que foram apresentados hoje contribuem para fortalecer a
atuação dos magistrados e aprimorar o sistema de Justiça”, concluiu.
No sétimo semestre, o acadêmico Marcos David Gomes
participou pela primeira vez de uma visita técnica ao Tribunal de Justiça de
Mato Grosso e descreveu a experiência como transformadora. “Foi algo diferente,
uma vivência que eu nunca tinha experimentado. Muitas vezes imaginamos que as
autoridades são distantes da nossa realidade, mas aqui percebi o quanto estão
mais próximas do que pensamos. Tivemos abertura para dialogar, conversar de
forma natural”, relatou.
Marcos destacou, inclusive, a oportunidade de conversar com os
desembargadores. “Estava conversando com
um deles como se fosse alguém próximo. Ele compartilhou fatos da própria
trajetória, o que nos mostra que, apesar da alta capacitação e do cargo que
ocupa hoje, também já foi estudante de Direito. Isso nos faz perceber que é
possível chegar lá. Depende da nossa dedicação e esforço”, afirmou.
Sobre o futuro profissional, o acadêmico revelou que tem
como objetivo prestar concurso público, mas reconhece que a experiência ampliou
suas perspectivas. “Meu intuito é fazer concurso, mas, depois de uma visita
como essa, a gente amplia o leque. Não é fechar portas, é analisar as
possibilidades e entender que eu posso, que eu consigo.”
Organizados pelos técnicos judiciários Neif Feguri e Antônio
Cegati, o projeto tem o objetivo de aproximar o Judiciário da sociedade e
incentivar o exercício da cidadania.
Ainda neste mês, o projeto Nosso Judiciário irá atender
acadêmicos de mais seis faculdades de Direito instaladas em Cuiabá e Várzea Grande.
O projeto foi implantado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em 2015 e, desde então tem oportunizado aos acadêmicos uma experiência imersiva no funcionamento do Judiciário. A iniciativa conta com atividades como visita por toda a estrutura do TJMT, acompanhamento presencial de sessão de julgamento e conversas com magistrados.
Patrícia Neves / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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