Judiciário debate governança fundiária na Amazônia em seminário do Solo Seguro
Cerca de
300 participantes acompanharam o seminário virtual “Regularização Fundiária na
Amazônia”, promovido pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso dentro
da programação da 4ª Semana Nacional de Regularização Fundiária do programa
Solo Seguro Amazônia Legal, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça.
O evento
foi transmitido pelas plataformas Teams e YouTube na tarde desta segunda-feira
(16) e reuniu magistrados, servidores, representantes de cartórios, gestores
públicos e profissionais que atuam na área fundiária.
Na
abertura, o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote,
destacou que a regularização fundiária exige cooperação entre instituições e
soluções práticas para enfrentar os conflitos territoriais. “A regularização
fundiária é um tema que exige diálogo entre instituições e soluções práticas,
especialmente na Amazônia Legal, onde se concentram realidades territoriais
complexas. Quando a terra está regularizada, a família tem segurança, o poder
público consegue planejar melhor e os conflitos diminuem”, afirmou.
A juíza
auxiliar da Corregedoria, Myrian Pavan Schenkel, ressaltou que as Comissões de
Soluções Fundiárias têm contribuído para ampliar a compreensão dos conflitos
coletivos relacionados à terra e fortalecer o diálogo entre instituições. “A
regularização fundiária exige respostas institucionais que articulem
conhecimento técnico, diálogo interinstitucional e sensibilidade social. As
Comissões de Soluções Fundiárias representam um instrumento importante para ampliar
a cognição judicial e contribuir para soluções mais adequadas nos conflitos
coletivos fundiários”, afirmou.
A primeira
palestra foi ministrada pelo juiz de direito Agenor Andrade, do Tribunal de
Justiça do Pará. Ao abordar o papel do Poder Judiciário na governança fundiária
da Amazônia, ele destacou o trabalho desenvolvido pela Comissão de Soluções
Fundiárias do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e afirmou que a experiência do
estado inspirou iniciativas semelhantes em outros tribunais.
Durante a
apresentação, o magistrado explicou que a região amazônica enfrenta um cenário
complexo de conflitos territoriais, marcado por sobreposição de títulos,
grilagem de terras públicas, disputas entre posseiros e grandes proprietários e
ocupações em áreas de preservação e territórios tradicionais.
Segundo
ele, o modelo tradicional de atuação judicial, baseado em decisões caso a caso
em ações possessórias, muitas vezes não enfrenta as causas estruturais desses
conflitos. “A questão fundiária amazônica é uma das mais complexas do país,
porque envolve direitos sobrepostos, ausência histórica do Estado e pressões
econômicas sobre um território de dimensão continental”, afirmou.
O
magistrado também destacou a mudança de paradigma defendida pelo Conselho
Nacional de Justiça, que propõe uma atuação mais estruturante do Poder
Judiciário. “Além de decidir processos individuais, o Judiciário precisa atuar
na prevenção de conflitos, na articulação institucional e na construção de
soluções estruturais que reduzam a judicialização e ampliem a segurança
jurídica”, disse.
A
programação do seminário continuou com as palestras da registradora de imóveis
Clicia Roquetto e da assessora executiva da Presidência do Instituto de Terras
de Mato Grosso, Iza Karol, que abordaram aspectos da governança fundiária e os
desafios da regularização de terras na Amazônia Legal.
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também:
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Alcione dos Anjos
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
corregedoria.comunicacao@tjmt.jus.br
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