TJMT inicia diálogo direto com servidores sobre prevenção ao assédio
A construção de um ambiente de trabalho mais saudável
começa pela informação, e foi com esse propósito que a Comissão de Prevenção e
Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do Segundo
Grau iniciou as palestras com a primeira Coordenadoria, a de Comunicação do
Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta segunda-feira (23).
A abertura foi conduzida pela presidente da Comissão,
desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, que destacou o início de um
trabalho contínuo de conscientização dentro do TJMT. “Para produzir bem, é
preciso estar em um ambiente seguro. E isso começa pelo respeito”, afirmou.
Segundo ela, a proposta vai além da apuração de casos: busca orientar, prevenir
e promover mudanças culturais no ambiente institucional.
A magistrada explicou que a iniciativa segue
diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e será levada a todas as
coordenadorias ao longo do ano. “O foco é evitar que situações de assédio
aconteçam. Muitas vezes, comportamentos considerados comuns, como brincadeiras
inadequadas, podem evoluir para situações mais graves. É preciso mudar essa
cultura”, pontuou.
Ela também reforçou que a Comissão atua de forma
acolhedora e sigilosa, garantindo proteção a quem busca ajuda. “A função não é
punir, mas educar, orientar e encaminhar quando necessário. O respeito precisa
estar acima de tudo”, destacou.
Outro ponto abordado pela desembargadora foi a
importância de compreender que o assédio pode ocorrer em diferentes tipos de
relação dentro do ambiente de trabalho. “Não acontece apenas de superior para
subordinado. Pode ser entre colegas ou em outras direções. Por isso, todos
precisam estar atentos”, alertou.
A desembargadora também enfatizou que, embora seja
possível registrar denúncias de forma anônima, a identificação contribui para
uma apuração mais efetiva. “Sem identificação, fica mais difícil aprofundar as
informações e dar um retorno adequado. Ainda assim, o importante é que a pessoa
procure ajuda”, explicou.
Prevenção, acolhimento e
informação
Na sequência, a coordenadora de Gestão de Pessoas,
Claudenice Deijany F. de Costa, apresentou a Política de Prevenção e
Enfrentamento do Assédio, baseada na Resolução nº 351/2020 do CNJ. A normativa
estabelece diretrizes para combater o assédio moral, sexual e a discriminação
em todas as relações de trabalho, incluindo magistrados, servidores,
estagiários e terceirizados.
Durante a exposição, foram detalhados conceitos
fundamentais, como o de assédio moral, caracterizado por condutas abusivas que
violam a dignidade e podem causar danos psicológicos, e assédio sexual,
definido como comportamento de conotação sexual não desejado que gera
constrangimento ou ambiente hostil. A apresentação também destacou que uma
única ocorrência já pode configurar assédio, conforme atualização normativa.
Claudenice chamou atenção para os impactos dessas
práticas, que vão desde adoecimento físico e emocional, até queda de
produtividade e afastamentos. “A pessoa pode entrar em um ciclo de adoecimento,
com afastamentos frequentes e dificuldade de retorno ao ambiente de trabalho.
Isso afeta não só o servidor, mas toda a equipe”, afirmou.
A coordenadora destacou que o Tribunal
disponibiliza canais seguros para acolhimento, com atendimento humanizado,
escuta ativa e garantia de sigilo. Entre as medidas possíveis estão apoio
psicológico, acompanhamento multidisciplinar e, em casos necessários, ações de
proteção, como realocação do servidor.
Informação que transforma
A escolha da área de Comunicação para iniciar as
ações não foi por acaso. De acordo com a desembargadora Juanita, os
profissionais do setor têm papel estratégico na disseminação das informações.
“A Comunicação tem contato com todos os setores e pode atuar como
multiplicadora desse conhecimento”, ressaltou.
Gerente de Redes Sociais do TJMT, Marco Cappelletti
participou da reunião e destacou a importância do tema a partir da própria
experiência. “Já passei por uma situação de pressão excessiva em outro ambiente
de trabalho, e isso deixa marcas. Os impactos podem durar muito tempo. Por
isso, é fundamental buscar ajuda”, relatou.
Ele também reforçou a importância de conhecer os
canais disponíveis. “O servidor precisa saber que não está sozinho. O Tribunal
oferece suporte e ferramentas para enfrentar esse tipo de situação com
segurança”, disse.
Próximos passos
A Comissão informou ainda que o trabalho de
conscientização será ampliado nos próximos meses, incluindo ações com novos magistrados
e outras unidades do Tribunal, com foco na prevenção e na disseminação de
informações.
Também está prevista a realização de iniciativas
institucionais alinhadas às diretrizes nacionais, como a Semana de Combate ao
Assédio e à Discriminação, que busca ampliar o debate e fortalecer a cultura de
respeito no ambiente de trabalho.
Ao final, a Comissão se colocou à disposição para
orientar, acolher e esclarecer dúvidas, reforçando que o enfrentamento ao
assédio passa, acima de tudo, pela informação, pelo respeito e pela construção
coletiva de um ambiente de trabalho mais digno.
Para mais informações, os servidores podem acessar o portal oficial: https://portalassedio.tjmt.jus.br/
Roberta Penha / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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