19 de abril: datas históricas reforçam a importância da representação dos povos indígenas
A
celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o registro histórico do
“Descobrimento” do Brasil, lembrado no mesmo mês (22 de abril), convidam a
sociedade brasileira e, em especial, a mato-grossense, à reflexão sobre o papel
histórico, social e político dos povos originários. Para o diretor‑geral da
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis‑MT), desembargador
Márcio Vidal, a proximidade dessas datas evidencia a necessidade de reconhecer
não apenas o passado, mas também os desafios contemporâneos enfrentados pelas
populações indígenas.
Segundo o
desembargador, é fundamental recordar que, quando os portugueses chegaram ao território
que viria a ser chamado de Brasil, ele já era amplamente habitado por povos
indígenas, que aqui viviam organizados social, cultural e politicamente. “Os
povos indígenas não apenas estavam aqui primeiro, como constituíram, por
séculos, uma parcela expressiva da população que formou as bases da nossa
sociedade”, destacou.
Presença
indígena em território mato-grossense
De acordo
com o Censo Demográfico 2022, a população indígena residente no Brasil é de
1.694.836 pessoas, o que corresponde a 0,83% da população total apurada pela
pesquisa. O número representa quase o dobro do registrado no Censo de 2010,
quando o IBGE contabilizou cerca de 896 mil indígenas, equivalentes a 0,47% da
população brasileira à época.
Em um
intervalo de 12 anos, esse crescimento corresponde a uma variação positiva de
88,96%, resultado, principalmente, da ampliação da metodologia — com maior
alcance em áreas remotas — e do aumento da confiança das pessoas em se
autodeclararem indígenas, refletindo avanços no reconhecimento de sua própria
identidade.
Em Mato
Grosso, esse debate ganha ainda mais relevância diante da expressiva presença
indígena no Estado. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso abriga cerca de 58
mil indígenas, sendo um dos estados com maior diversidade étnica do país. São
195 etnias reconhecidas, número que representa um crescimento significativo em
relação ao último levantamento do Censo.
Participação
política
Apesar
dessa relevância histórica, o desembargador ressalta que os povos indígenas
ainda enfrentam obstáculos significativos quanto à participação política
efetiva nos espaços de poder. “O Parlamento é o ambiente onde se constroem as
regras de convivência humana. A ausência ou a baixa representatividade indígena
nesses espaços contribui para que suas demandas sejam, muitas vezes, tratadas
como secundárias”, alertou.
Ao
refletir sobre a realidade atual dos povos indígenas, Vidal fez referência ao
pensamento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, que chama atenção para o
fato de que os povos indígenas não constituem uma minoria, mas sim uma ampla
parcela da sociedade historicamente excluída dos espaços de decisão. Para o
magistrado, garantir representação indígena nos três níveis de poder político —
municipal, estadual e federal — é medida essencial para a promoção da justiça
social e da preservação cultural.
“A
participação política não é um privilégio, mas um direito. É por meio dela que
os povos indígenas podem cooperar diretamente com a formulação de políticas
públicas voltadas à proteção de seus territórios, à preservação de suas
culturas e à defesa de seus modos de vida”, frisou.
Vidal
também enfatizou o papel das instituições, do próprio Poder Judiciário e da
formação jurídica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais inclusiva.
“Refletir sobre essas datas é um exercício de cidadania. A Esmagis‑MT entende
que fomentar o debate sobre direitos fundamentais, diversidade cultural e
inclusão política também é parte de sua missão institucional”, concluiu.
Umanizzare:
diálogo e efetivação de direitos
Esse
compromisso com a promoção dos direitos e da dignidade dos povos originários
também se reflete nas ações institucionais da Esmagis‑MT. Em 2025, a Escola
promoveu a sexta edição do Umanizzare, encontro que reuniu magistrados,
acadêmicos e especialistas para debater cidadania, saúde e direitos humanos dos
povos indígenas.
Ao abrir
o evento, o desembargador Márcio Vidal destacou que se trata de um tema
sensível e de interesse de toda a sociedade, ressaltando que o desafio não está
apenas na existência de normas constitucionais, tratados internacionais e
legislações infraconstitucionais, mas na efetivação desses direitos.
Para ele,
é necessário despertar a consciência de quem aplica o Direito e fortalecer a
inclusão dos povos indígenas, reconhecendo que foram eles os primeiros
habitantes deste território e que não podem permanecer à margem das estruturas
sociais e institucionais.
Representatividade
Apesar de
Cuiabá estar inserida em um Estado com expressiva população indígena e
crescente protagonismo de lideranças originárias, a capital mato-grossense
ainda não conta, na atual legislatura, com parlamentares indígenas na Câmara
Municipal. Já o Estado possui 11 vereadores indígenas empossados para o mandato
de 2025-2028, representantes de etnias
como os Xavante, Bakairi e Bororo.
Exatamente
nesta semana (15 de abril), Mato Grosso registrou um fato inédito: Eliane
Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar
uma cadeira de deputada estadual na história do estado. Ela assumiu como
suplente na vaga do deputado Lúdio Cabral (PT), que se licenciou por 30 dias. A
posse foi realizada às vésperas do Dia Nacional dos Povos Indígenas, o que
reforça o simbolismo do momento.
Clique neste link para se informar sobre o Brasil Indígena.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Dados e imagens do IBGE
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br
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