Juízes mato-grossenses participam de encontro do CNJ sobre combate ao crime organizado
Os juízes
Anderson Clayton Dias Batista da 5ª Vara Criminal de Sinop e Djessica Giseli
Kuntzer da 3ª Vara de Pontes e Lacerda representaram o Poder Judiciário
Mato-grossense no encontro nacional “Desafios do Poder Judiciário ante o crime
organizado”, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília
(DF). O evento abordou os principais obstáculos enfrentados pelo Judiciário no
combate à criminalidade organizada.
O evento
reuniu magistrados, membros do Ministério Público, autoridades da segurança
pública e especialistas de todo o país, com o objetivo de discutir estratégias
institucionais e aprimorar a atuação do Judiciário no enfrentamento à
criminalidade organizada, fenômeno que tem se consolidado como uma das maiores
ameaças ao Estado Democrático de Direito.
Para o
juiz da 5ª Vara Criminal de Sinop, Anderson Clayton Dias Batista o encontro
promovido pelo CNJ possibilitou que juízes de todo o país, que atuam
diretamente no enfrentamento ao crime organizado, fossem ouvidos e
contribuíssem com propostas voltadas ao aprimoramento da atuação judicial.
“A troca
de experiências entre os participantes se mostrou essencial e já resultou em
encaminhamentos importantes, como a proposta de criação da Rede Nacional de
Magistrados com Competência em Criminalidade Organizada, apresentada pelo
ministro Edson Fachin e que deverá ser apreciada pelo Conselho”, disse.
O
magistrado ainda ressaltou que Mato Grosso teve participação ativa no debate.
“Tivemos a oportunidade de apresentar as particularidades do crime organizado
na região, além de iniciativas do Tribunal de Justiça, como a criação de
unidades judiciais especializadas, com competência regionalizada, voltadas ao
enfrentamento desse tipo de criminalidade”, detalhou Anderson Clayton Dias
Batista.
A juíza da
3ª Vara de Pontes e Lacerda, Djessica Giseli Kuntzer, complementou que o estado
de Mato Grosso ocupa uma posição estratégica nesse debate, em razão de sua
localização e da fronteira com a Bolívia.
“Na minha
Comarca observamos de forma concreta a atuação do crime organizado,
especialmente em rotas do tráfico internacional de drogas que atravessam o
estado e seguem para outras regiões do país. O que reforça a relevância da
participação do Estado nas discussões e na construção de soluções conjuntas”,
pontuou.
A magistrada
ainda destacou que o encontro foi um avanço importante na construção de uma
atuação mais integrada do Poder Judiciário frente ao crime organizado.
“Especialmente
devido à apresentação do Painel Nacional do Crime Organizado, que surge como
uma ferramenta estratégica, além da proposta de criação da Rede Nacional de
Magistrados com competência na área, o que tende a fortalecer essa articulação
conjunto em todo o país”, disse Djessica Kuntzer.
Ao longo
da programação, foram debatidos temas como o papel do Judiciário na segurança
pública, os desafios da persecução penal, o funcionamento do sistema prisional
e a necessidade de integração entre os órgãos de controle e investigação.
Painel
Nacional -
Durante o evento, realizado nos dias 23 e 24 de março, o CNJ lançou o Painel
Nacional do Crime Organizado. A plataforma permite acesso público a informações
processuais sobre organizações criminosas e milícias. A ferramenta será
alimentada de forma automatizada a partir da Base Nacional de Dados do Poder
Judiciário (DataJud), responsável pelo armazenamento centralizado dos dados e
dos metadados processuais relativos a todos os processos que tramitam na
Justiça. Os números têm atualização mensal. O desenvolvimento do painel se deu
no âmbito do Programa Justiça 4.0, parceria do CNJ com o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Rede
Nacional – No
encontro o Ministro Edson Fachin, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal
Federal (STF), propôs a criação da Rede Nacional de Magistrados com Competência
em Criminalidade Organizada, fortalecendo a atuação conjunta em todo o Brasil.
Para o
ministro, a iniciativa é um dos principais avanços do Judiciário no
enfrentamento a esse tipo de crime, já que deve atuar como instrumento
estratégico para dar respostas com a celeridade e a profundidade necessárias à
sofisticação crescente das organizações criminosas. A portaria de criação da
rede está em fase de elaboração e contou com as contribuições dos participantes
do encontro.
Larissa Klein
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
corregedoria.comunicacao@tjmt.jus.br
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