Mutirão de Conciliação Ambiental fortalece integração institucional e amplia soluções consensuais
A manhã desta segunda-feira (13) foi marcada pela abertura oficial do 8º
Mutirão de Conciliação Ambiental, realizado no Centro Judiciário de Solução de
Conflitos e Cidadania (Cejusc Ambiental) da Comarca de Cuiabá. A iniciativa,
que ocorre ao longo da semana no Complexo dos Juizados Especiais da Capital,
consolida-se como uma das principais estratégias institucionais para a
resolução célere e eficaz de conflitos ambientais no Estado de Mato Grosso.
Coordenado pelo Cejusc Ambiental, o mutirão reúne esforços do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Núcleo Permanente de Métodos
Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), em parceria com a Secretaria de
Estado de Meio Ambiente (Sema), Ministério Público Estadual, Procuradoria-Geral
do Estado e Polícia Judiciária Civil. A ação tem como foco a regularização de
passivos ambientais e a promoção de soluções consensuais, com base no diálogo
entre as partes envolvidas.
Durante a solenidade de abertura, o presidente do Nupemec, desembargador
Mário Kono destacou a transformação promovida pelo modelo conciliatório na área
ambiental, com a superação de práticas historicamente marcadas pela morosidade
processual e pela ausência de resolutividade prática.
“Quando há um sistema de justiça unido num só propósito, com todos os órgãos
trabalhando de forma integrada, Executivo, Judiciário, Ministério Público,
forças de fiscalização e também os próprios cidadãos, conseguimos transformar
processos que antes se arrastavam por anos em soluções construídas em poucos
minutos, por meio de um diálogo coerente, com análise individual de cada
situação, da capacidade econômica das partes e, principalmente com foco no
restabelecimento e na proteção do meio ambiente”, afirmou.
O magistrado também pontuou que, em muitos casos, áreas permaneciam
embargadas por longos períodos, sem recuperação ambiental efetiva e sem
aproveitamento econômico regular, cenário que, segundo ele, vem sendo revertido
com a adoção dos métodos consensuais. “Esses mutirões demonstram que é possível
dar efetividade às decisões, com qualidade e resultados concretos, ampliando a
prestação jurisdicional e garantindo respostas mais adequadas à sociedade”,
completou.
A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti enfatizou o
caráter inovador do mutirão, especialmente pela busca de soluções simplificadas
voltadas aos pequenos produtores rurais, segmento que, segundo ela,
historicamente enfrentou dificuldades no acesso à regularização ambiental.
“Nós passamos a pensar em soluções mais simples e acessíveis, principalmente
para os pequenos produtores, e essa é uma das inovações desta oitava edição.
Esse projeto se tornou um modelo para o país porque reúne pessoas engajadas,
determinadas e comprometidas em entregar resultados concretos à sociedade”,
destacou.
A gestora também evidenciou que a iniciativa vai além da formalização de acordos, promovendo inclusão e educação ambiental.
“Mais do que audiências de conciliação e termos de ajustamento de conduta, nós
promovemos a pacificação de temas complexos e garantimos que pessoas que muitas
vezes não têm acesso à informação possam resolver seus problemas em um único
espaço. Isso fortalece uma cultura de produção sustentável, baseada na
conservação dos recursos naturais e na inclusão social”, pontuou.
Mauren ainda ressaltou que o modelo mato-grossense já desperta interesse
nacional e vem sendo replicado em outros estados. “Esse é um formato exitoso, que
atende não apenas à sociedade mato-grossense, mas ao Brasil como um todo.
Estados como São Paulo, Pará e Mato Grosso do Sul já demonstram interesse, e
outras unidades da federação vêm conhecer de perto essa experiência”,
acrescentou.
Representando o Ministério Público Estadual, o promotor de Justiça Miguel
Slhessarenko Junior reforçou o papel da atuação integrada entre os órgãos de
controle e fiscalização para o sucesso da iniciativa, destacando a estrutura
montada para garantir eficiência e segurança jurídica nos acordos firmados.
“Estamos reunidos com todos os parceiros institucionais para viabilizar
acordos, resolver demandas ambientais e assegurar a preservação do meio
ambiente. Essa atuação conjunta é o que garante a eficiência do mutirão e a
efetividade dos resultados que buscamos alcançar”, afirmou.
Já a delegada Lílian Murata, titular da Delegacia Especializada do Meio
Ambiente, destacou o comprometimento das equipes envolvidas desde a fase
preparatória e a importância da cooperação institucional para o êxito da ação.
“É uma satisfação participar de mais este mutirão. Ao longo dos meses de
preparação, foi possível perceber o empenho de todos os servidores envolvidos,
desde a organização dos processos até a estruturação do evento. A expectativa é
de uma semana marcada pelo diálogo, pela cooperação entre as instituições e
pela construção de soluções efetivas”, declarou.
Cultura de Pacificação
O mutirão tem como principal objetivo fomentar a regularização ambiental de
forma célere, segura e eficiente, reduzindo a judicialização prolongada e
promovendo a reparação de danos ambientais. Ao priorizar o consenso, a
iniciativa contribui para fortalecer a cultura da pacificação social, ao mesmo
tempo em que assegura a proteção dos recursos naturais e o desenvolvimento
sustentável.
A expectativa é de que aproximadamente 200 procedimentos, vinculados a autos
de infração ambiental e previamente cadastrados no sistema Processo Judicial
Eletrônico (PJe) como Registros Pré-Processuais (RPPs), sejam analisados. Os casos
serão submetidos a audiências de conciliação, com o objetivo de viabilizar
acordos, especialmente por meio da formalização de Termos de Ajustamento de
Conduta (TACs), garantindo a reparação de danos e a retomada da regularidade
ambiental das atividades.
Patrícia Neves / Foto: Maycon Xavier
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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