Painel reúne instituições para fortalecer enfrentamento à violência infantil em Mato Grosso
A vice-presidente do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho,
participou na manhã desta quinta-feira (09) do Painel de Referência da Auditoria
Operacional sobre Violência Infantil nos municípios de Mato Grosso, promovido
pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
O painel reuniu representantes do
sistema de justiça, da segurança pública, da assistência social e de outros
órgãos que atuam diretamente no atendimento às crianças e adolescentes vítimas
ou testemunhas de violência. A equipe de auditoria apresentou os principais
achados do levantamento e as recomendações elaboradas para subsidiar o
aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas a esse público em Mato Grosso.
A desembargadora Nilza Maria
Pôssas de Carvalho compartilhou experiências marcantes vividas ao longo da
trajetória profissional e chamou a atenção para a gravidade do problema. “Os
números são alarmantes e exigem uma atuação conjunta. O fortalecimento da rede
de proteção é fundamental para garantir que essas crianças sejam acolhidas e
protegidas. A capacitação de professores e outros profissionais é essencial,
pois muitas vezes são eles os primeiros a identificar sinais de violência”,
afirmou.
A auditoria operacional do TCE-MT
identificou quatro problemas centrais na política pública de enfrentamento à
violência infantil. O primeiro deles é a ausência de um plano estadual
específico e a baixa adesão dos municípios a planejamentos estruturados sobre o
tema. Segundo os dados apresentados, apenas um número reduzido de municípios
possui plano municipal vigente, o que demonstra fragilidade no direcionamento
das ações.
Outro ponto detectado foi a baixa
prioridade orçamentária atribuída à pauta. De acordo com o levantamento, embora
existam despesas relacionadas à assistência à criança e ao adolescente, as
ações de enfrentamento à violência infantil não aparecem de forma destacada no
orçamento público, o que dificulta o monitoramento dos investimentos e revela
falhas na aplicação do princípio da prioridade absoluta previsto na legislação.
O conselheiro e vice-presidente
do TCE-MT, Waldir Teis, destacou que o órgão tem ampliado sua atuação para
contribuir com a melhoria das políticas públicas. “Por meio de auditorias e
painéis como este apresentado hoje, nosso trabalho vai além da fiscalização.
Estamos aqui buscando integrar instituições e promover melhorias nas políticas
públicas. É preciso unir esforços para enfrentar um problema que exige
respostas coordenadas”, afirmou.
O auditor e secretário da 2ª
Secretaria de Controle Externo, Felipe Favoreto Groberio, explicou que o painel
teve justamente a finalidade de submeter os achados da auditoria à apreciação
dos profissionais que atuam diretamente na rede de proteção. “Este momento é
fundamental para validar os achados e as recomendações junto aos gestores que
atuam no dia a dia. Identificamos a ausência de um plano estadual estruturado e
a necessidade de maior prioridade orçamentária, que são pontos essenciais para
avançarmos nessa política pública”, disse.
A delegada e coordenadora de
Enfrentamento à Violência contra a Mulher e Vulneráveis, Ana Paula Reveles
Carvalho, ressaltou que os números reforçam a urgência do tema. “Este tema
exige urgência. Hoje temos milhares de procedimentos em andamento, o que
demonstra a dimensão do problema. Por isso, é fundamental fortalecer tanto a
repressão quanto a prevenção, com ações integradas e capacitação contínua dos
profissionais”, pontuou.
Entre as recomendações
apresentadas pela auditoria estão a elaboração e implementação de plano
estadual e planos municipais de prevenção e enfrentamento à violência infantil,
a garantia de prioridade orçamentária, a criação e fortalecimento de comitês
intersetoriais, a inserção do tema nos currículos escolares, a capacitação
contínua dos profissionais da rede e o estudo de viabilidade para implantação
de Centros de Atendimento Integrado em Cuiabá e Várzea Grande.
No campo da prevenção, a
auditoria apontou insuficiência de ações educativas voltadas às crianças e
adolescentes. Em grande parte dos municípios, o tema da violência infantil
ainda não está inserido nos currículos escolares, não há material didático
adequado para apoiar os professores, nem capacitação específica para que esses
profissionais trabalhem o assunto em sala de aula. Também foi verificada a
falta de formação continuada para os integrantes da rede, o que compromete a
identificação precoce, a notificação e o encaminhamento correto dos casos
suspeitos.
O encontro reforçou a compreensão
de que a proteção integral de crianças e adolescentes depende do esforço
conjunto de todas as instituições. Ao participar do painel, a vice-presidente
do TJMT destacou o compromisso do Poder Judiciário com essa pauta e com o
fortalecimento de ações articuladas que permitam prevenir a violência, acolher
as vítimas e romper ciclos de violação de direitos.
Participaram do encontro representantes da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Prefeitura de Cuiabá, Secretaria Municipais de Promoção e Assistência Social dos municípios de Rondonópolis, Sinop, Cuiabá e Sorriso, Coordenadoria de Polícia Comunitária e Direitos Humanos, Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), Secretaria de Saúde, Defensoria Pública do Estado, Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Polícia Judiciária Civil, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e Delegacia Regional de Várzea Grande, evidenciando o caráter interinstitucional da iniciativa.
Ana Assumpção / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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