Plano de ação vai ampliar implantação do gerenciamento de resíduos no Judiciário de Mato Grosso
O Poder Judiciário de Mato Grosso apresentou nesta
terça-feira (1º) Plano de Ação voltado à expansão e fortalecimento do Plano de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) nas comarcas do Estado. A
apresentação, realizada por videoconferência, reuniu 69 participantes, entre
gestores, técnicos e agentes de sustentabilidade das unidades judiciárias.
A reunião foi conduzida por Jaqueline Schoffen, gestora
administrativa do Núcleo de Sustentabilidade, e por Elaine Cristina Pincerato
Alonso, assessora de sustentabilidade, que detalharam as diretrizes do plano e
reforçaram a necessidade de atuação conjunta entre as unidades judiciárias.
“Implantar o PGRS é uma obrigação diária. Deixou de ser uma
boa prática e passou a ocupar um papel estratégico dentro da instituição”,
destacou Jaqueline. Segundo ela, o impacto ambiental gerado pela atividade do
Judiciário é significativo.
“Nossa força de trabalho reúne mais de 10 mil pessoas que,
durante o expediente, consomem materiais e geram resíduos. Quando ampliamos
esse olhar para todo o sistema de Justiça e seu público, estamos falando de um
volume expressivo. Cada ação tem capilaridade e gera impacto”, afirmou.
Jaqueline ressaltou, ainda, que o Núcleo de Sustentabilidade
compreende os desafios enfrentados pelas comarcas na implementação dessas
práticas. “Por isso, temos buscado estar cada vez mais próximos das unidades,
oferecendo apoio, orientações e soluções viáveis para a realidade local. Também
temos produzido materiais de apoio, como vídeos e cartazes, para facilitar a
implementação e contribuir com a mudança de comportamento nas comarcas”,
pontuou.
“O objetivo desta reunião é justamente esse: apresentar
caminhos possíveis, esclarecer dúvidas e fortalecer a atuação das comarcas na
implementação do PGRS, de forma prática e efetiva”, acrescentou.
O Plano apresentado busca criar uma ação mais consistente e
efetiva, promovendo a conexão entre as comarcas e o desenvolvimento uniforme
das práticas de gestão de resíduos. Atualmente, as unidades estão divididas em
três níveis: comarcas com o PGRS implementado, as que estão em fase de
implementação e unidades que ainda não estruturaram o plano. “Esse plano de ação tem um olhar de apoio, muito bem estruturado, pois não se limita a exigir o cumprimento de normas, mas atua diretamente para que elas, de fato, saiam do papel e se concretizem”, disse a gestora.
Durante o encontro, Elaine Cristina Pincerato Alonso
detalhou o modelo de execução do plano, baseado em uma implementação
estruturada, gradual e monitorada, organizada em etapas como de mobilização,
tratamento segmentado, suporte à implementação e monitoramento contínuo.
Após essa apresentação geral, serão realizadas mais três
reuniões, segmentadas por grupos, com o objetivo de tratar de forma mais
direcionada os desafios específicos de cada conjunto de comarcas.
As comarcas serão agrupadas conforme o estágio de
implementação do PGRS, permitindo uma abordagem mais estratégica, com
orientações adequadas à realidade de cada grupo, troca de experiências e
construção conjunta de soluções.
O plano de ação a ser desenvolvido pelas comarcas terá prazo
de até três meses para execução, período em que o Núcleo de Sustentabilidade
permanecerá disponível para acompanhamento, orientações e apoio técnico às
unidades.
Ela também ressaltou a importância da mensuração dos resultados
como ferramenta de gestão e para prestação de informações ao Conselho Nacional
de Justiça.
“Muitas vezes, as ações são realizadas, mas sem a devida
quantificação. Sem mensuração, não conseguimos saber se estamos avançando ou
reduzindo impactos. Essa informação é essencial para a tomada de decisão e para
os relatórios institucionais”, explicou.
Entre os principais desafios identificados nas unidades que
ainda não implantaram o PGRS estão a ausência de coleta seletiva organizada,
falta de parceiros locais para recebimento dos resíduos, inexistência de fluxo
logístico definido e necessidade de organização interna.
Para essas unidades, o Plano prevê diagnóstico logístico
regional, identificação de parceiros, soluções intercomarcas, adoção de medidas
iniciais de baixa complexidade e avanço progressivo na estruturação do
gerenciamento de resíduos.
Comarcas relatam
desafios e experiências na implantação
A gestora geral da Comarca de Nova Monte Verde e agente
sustentável, Karla Beatriz Bernatzky, destacou que a implantação do PGRS é um
processo contínuo e que depende do engajamento coletivo.
“Não é algo que faço como um encargo a mais, porque tenho
afinidade com o tema da sustentabilidade e também atuo voluntariamente fora do
Judiciário. O PGRS é uma construção diária, que exige uma rede de apoio para
que as ações se concretizem. Um dos principais desafios é o engajamento das
pessoas, já que nem todos percebem a gestão de resíduos com a mesma
importância”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que a consolidação do PGRS na comarca só
foi possível a partir da articulação de parcerias.
“Sem coleta seletiva no município, foi necessário construir
uma rede de apoio dentro e fora do fórum para viabilizar a destinação dos
recicláveis, inclusive com apoio de empresa de município vizinho”, completou.
Na Comarca de Cuiabá, o gestor administrativo Claudiomiro
Donadon Pereira destacou o avanço das ações e o potencial de crescimento da
política ambiental no Judiciário.
“É fundamental ouvir as unidades sobre a implementação do
PGRS. O empenho dos servidores em coletar materiais, organizar informações e
garantir o descarte correto é digno de reconhecimento, especialmente diante das
demandas diárias. O cenário demonstra viabilidade operacional e indica
potencial para ampliar as ações, com foco no aprimoramento contínuo e no
fortalecimento da cultura institucional de sustentabilidade”, pontuou.
Já na Comarca de Sinop, a agente sustentável Luzimeiry Tomaz
Nazário destacou que o maior desafio ainda é garantir a destinação correta de
todos os resíduos, especialmente aqueles que dependem de logística reversa.
“Um dos principais, se não o maior desafio, é conseguir
fazer a destinação adequada dos resíduos, como por exemplo o vidro. O Estado de
Mato Grosso, assim como o Brasil de forma geral, enfrenta o desafio da
logística reversa na prática. Mas temos grandes avanços também, já conseguimos
destinar de forma adequada vários tipos de resíduos, como papel e papelão,
alguns tipos de plásticos, metais, pilhas, baterias e óleo de cozinha”,
afirmou.
Segundo ela, o plano vem sendo consolidado gradativamente na
comarca. “O PGRS vem se consolidando em nossa comarca de forma gradativa e
constante. Graças ao apoio do Núcleo de Sustentabilidade do Tribunal, estamos
conseguindo implementar e gerenciar os resíduos sólidos de forma responsável e
sustentável. Sabemos que temos um longo caminho a percorrer, mas já demos
início à nossa jornada”, destacou.
Monitoramento e ações
socioambientais
Outro ponto apresentado foi o sistema de monitoramento e
indicadores, disponível em painel de Business Intelligence (BI), ferramenta
considerada essencial para o avanço do PGRS. O painel, disponível na página do
Núcleo de Sustentabilidade, permite acompanhar dados de destinação de resíduos,
ecopontos, campanhas institucionais e o desempenho das comarcas, possibilitando
a troca de experiências e a replicação de boas práticas.
O Núcleo de Sustentabilidade também auxilia as comarcas na
busca por cooperativas, associações e parceiros para a destinação adequada dos
materiais recicláveis, além de incentivar a criação de ecopontos nas unidades
judiciárias.
Reciclajud
Durante a reunião, também foram apresentadas iniciativas de
arrecadação de materiais recicláveis em parceria com associações e cooperativas
de catadores, a exemplo do Reciclajud. A ação, que se iniciou em junho do ano
passado em parceria com a Corregedoria-Geral da Justiça, foi transformada em
uma política, que pode ser replicada nas 79 comarcas do estado. O Reciclajud
une sustentabilidade e impacto social, gerando renda e promovendo a destinação
correta dos resíduos.
“O impacto que geramos é o legado que escolhemos construir”, destacou a equipe do Núcleo de Sustentabilidade ao incentivar as comarcas a fortalecerem a gestão de resíduos e as ações socioambientais em todo o Judiciário mato-grossense.
Patrícia Neves
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br











