Projeto “Descobrindo Talentos” inicia com foco na inclusão e no futuro de adolescentes em Cuiabá
A primeira oficina de 2026 do
projeto “Descobrindo Talentos para o Mercado de Trabalho”, promovido pela 2ª
Vara da Infância e Juventude de Cuiabá, por meio da Coordenadoria da Infância e
Juventude do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, marcou o início do terceiro
ano da iniciativa voltada à inserção de adolescentes em atendimento
socioeducativo no mercado formal.
A ação integra um cronograma
que prevê, em média, quatro oficinas ao longo do ano, conforme a demanda,
preparando os jovens para processos seletivos e para a rotina profissional.
Durante os encontros, são abordados temas como postura em entrevistas,
comunicação, vestimenta adequada e organização de documentos.
A gestora da Coordenadoria da
Infância e Juventude (CIJ-TJMT), Wanderleia da Silva Dias, destaca que a
iniciativa vai além do cumprimento de medidas socioeducativas. “Trata-se de uma
política pública voltada à ressocialização humanizada de adolescentes em
conflito com a lei. A aplicação da medida, por si só, não é suficiente. É
fundamental oferecer oportunidades reais de reconstrução de vida com
dignidade”, afirmou.
Ela ressalta ainda que o
projeto reconhece esses jovens como pessoas em formação, que necessitam de
orientação e oportunidades. “A iniciativa busca garantir dignidade e mostrar
novos caminhos. Esse acolhimento se estende também às famílias, compreendendo
que o suporte familiar é essencial nesse processo”, pontuou.
Para a gestora da Central de
Execução de Medidas Socioeducativas, Alciane Rodrigues Alves, o impacto do
projeto é percebido nas escolhas dos próprios adolescentes. “É gratificante
perceber que, apesar das dificuldades, muitos decidem, por conta própria, mudar
de vida e construir um novo caminho”, destacou.
O agente da Infância e Juventude,
Fernando Antônio Gavioli, enfatizou que a iniciativa funciona como uma porta de
entrada para o mercado de trabalho. “É a oportunidade de ingressarem em vagas
formais, seja como estagiários ou com carteira assinada”, explicou.
Muitos dos adolescentes,
segundo Gavioli, vivenciam a primeira experiência profissional. “É a primeira
oportunidade de muitos desses jovens. Alguns sequer possuem carteira de
trabalho, e o projeto também auxilia nesse processo”. Nos últimos três anos,
são vários os casos de sucesso. “Temos muitas experiências de sucesso, de quem
começou trabalhando como estoquista e chegou a gerente de unidade”, celebra.
A iniciativa conta com
parcerias com o Grupo Pereira, responsável pelas redes Comper, Fort Atacadista
e farmácias, além do apoio do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e do
próprio Poder Judiciário. Ao longo dos três anos, o projeto já soma mais de cem
encaminhamentos. Atualmente, há dez vagas de estágio disponíveis no Judiciário,
sendo seis já preenchidas.
Adolescentes entre 14 e 16
anos são direcionados para estágios no contraturno escolar, com capacitação
semanal. Já os maiores de 16 anos podem ingressar diretamente no mercado de
trabalho formal. Muitos vivenciam, ali, a primeira experiência profissional.
“Alguns sequer possuem carteira de trabalho, e o projeto também auxilia nesse
processo”, acrescentou Gavioli.
A seleção considera o
interesse dos participantes, o perfil das vagas e a proximidade com o local de
trabalho, favorecendo a permanência e o bom desempenho. Os adolescentes
atendidos cumprem medidas em meio aberto e são acompanhados por equipes
técnicas.
A consultora de atendimento
do CIEE, Mariângela Vieira, explicou que o processo de cadastramento permite
identificar automaticamente vagas compatíveis com o perfil dos estudantes. “A
partir disso, eles são vinculados às oportunidades e encaminhados para
entrevistas. Por isso, é fundamental que estejam inseridos e comprometidos com
a vida escolar, já que a educação amplia suas chances no mercado de trabalho”,
ressaltou.
Ao lado do filho, um
garotinho “fofo” de cinco meses, uma adolescente de 16 anos participou
atentamente da palestra e destacou seu principal desejo: “Que ele {o pequenino}
tenha o melhor na vida. E vou fazer para que tenha”. A jovem também ressaltou a
importância das orientações recebidas: “Às vezes, a gente não tem a orientação
de como vestir, falar, se comportar. É bom para aprender”.
Usando gravata, sapato social
e camisa de mangas longas, um adolescente de 17 anos também chamou atenção pela
postura e elegância durante a oficina. “Foi na união, sabe? Todo mundo junto,
como uma equipe mesmo. Esse aprendizado foi muito importante pra minha vida e
vai abrir muitas oportunidades pra mim e pra outros adolescentes melhorarem lá
na frente. E também agora, no presente, ajuda a gente a pensar em ter uma
família, conquistar uma vida melhor dentro de casa. Com esse curso, dá pra
crescer, aprender mais e seguir focado pra, no futuro, também poder ensinar e
ajudar outras pessoas”, sintetizou.
A
oficina dá continuidade a uma política pública já realizada em parceria com o
GMF/MT - Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e
Socioeducativo do Estado de Mato Grosso e o Centro Judiciário de Solução de
Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Infância e Juventude de Cuiabá.
As ações são coordenadas pela juíza Leilamar Aparecida Rodrigues, coordenadora do Eixo Socioeducativo do GMF e juíza da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca de Cuiabá.
Patrícia Neves / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br











