Do sonho à realidade: sete adoções são confirmadas em Cuiabá
O sorriso largo, o olhar emocionado e o gesto espontâneo das crianças
nos braços dizem mais do que qualquer palavra: ali, naquela sala, nascia
oficialmente uma família. Para Rita e Milton, a cena registrada em foto traduz
o fim de uma longa espera e o início de uma nova vida ao lado dos filhos
gêmeos, adotados ainda bebês. “Foi amor à primeira vista”, resume o pai ao
lembrar do momento que marcou definitivamente sua história.
A emoção tomou conta da audiência concentrada realizada pela Primeira
Vara da Infância e Juventude de Cuiabá, que confirmou a adoção de sete
pretendentes que já estavam em estágio de convivência com as crianças. O ato,
conduzido pela juíza Gleide Bispo dos Santos, reuniu famílias que aguardaram,
por anos, pela concretização do sonho da parentalidade.
Rita e Milton sabem bem o que é esperar. Eles permaneceram na fila de
adoção por três anos e meio. No início, ocupavam a posição 278 em Cuiabá e 550
no Estado. A expectativa aumentou à medida que avançavam na fila, até que, já
entre os primeiros colocados, receberam a tão aguardada ligação. “Foi um
sentimento muito grande. A espera pela adoção é a gravidez mais longa do
planeta”, descreve Rita.
O casal havia indicado no perfil do cadastro de pretendentes a adoção o
desejo de adotar duas crianças de até três anos, mas não imaginava que seriam
gêmeos idênticos, com apenas cinco meses de idade. Desde o primeiro encontro, a
conexão foi imediata. “Impressiona o quanto eles são nossos. Às vezes até
esquecemos que não temos laço genético”, afirma Milton.
Outro momento marcante foi a audiência que oficializou a guarda
definitiva. Para Milton, ouvir seu nome e o de seus pais sendo mencionados como
avós das crianças foi simbólico. “Ali me senti, de fato, legitimado como pai”,
relata.
Histórias como essa também se repetem em outras famílias. Foi o caso de
Jéssica e Weslei, que aguardaram dois anos e três meses até a chegada da
pequena Ayla, hoje com um ano e seis meses. “Foi mais rápido do que
imaginávamos”, conta Jéssica, destacando a tranquilidade do processo.
De acordo com a magistrada Gleide Bispo dos Santos, atualmente há 122
pretendentes habilitados na fila de adoção em Cuiabá. Apesar disso, nem todas
as cerca de 150 crianças e adolescentes acolhidos em casas-lares estão aptos
para adoção, pois muitos ainda não tiveram o poder familiar destituído.
A juíza destaca que a realização de audiências concentradas, como a que
oficializou as sete adoções, é uma forma de dar celeridade ao processo e
garantir segurança jurídica às famílias. “A concretização de uma adoção é
sempre motivo de alegria. São crianças que já estavam em convivência com as
famílias pretendentes a adotar e agora têm sua situação definitivamente
regularizada”, afirma.
Entre lágrimas, sorrisos e abraços, a audiência reafirmou o que todos
ali já sabiam: o vínculo mais forte não é o de sangue, mas o construído pelo
afeto, pela espera e pelo desejo genuíno de ser família.
Como iniciar o processo de adoção - Quem deseja adotar em Mato Grosso pode buscar
orientação na Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), vinculada à
Corregedoria-Geral da Justiça do Poder Judiciário.
A Ceja mantém um hotsite com informações sobre
cadastro, documentos e etapas do processo. O acesso pode ser feito pelo
endereço https://adocao.tjmt.jus.br/.
O processo é gratuito e inclui inscrição, entrega de documentos, avaliação psicossocial e curso preparatório obrigatório. Após a habilitação, os pretendentes passam a integrar o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), que organiza a fila conforme o perfil indicado.
Fotos: arquivo pessoal
Assessoria de Comunicação
CGJ-MT
corregedoria.comunicacao@tjmt.jus.br
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