TJMT amplia Rede de Enfrentamento e fortalece proteção às mulheres em Campinápolis
A expansão da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar em Mato
Grosso segue avançando, consolidando o trabalho do Tribunal de Justiça de Mato
Grosso (TJMT) na articulação de políticas públicas voltadas à proteção das
mulheres. Nesta sexta-feira (24), uma nova unidade foi instalada no município
de Campinápolis, por meio da atuação da Coordenadoria Estadual da Mulher em
Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), coordenada pela
desembargadora Maria Erotides Kneip.
A Rede tem como principal objetivo garantir uma resposta estatal integrada,
superando a fragmentação histórica no atendimento às vítimas. Conforme explica
a juíza da Comarca de Campinápolis, Michele Cristina Ribeiro de Oliveira, a
proposta é assegurar que a mulher não precise mais percorrer, sozinha,
diferentes instituições sem conexão entre si.
“O que se busca é uma atuação articulada e contínua, em que saúde, segurança
pública, assistência social, educação e o sistema de justiça atuem de forma
coordenada, garantindo prevenção, assistência, proteção e responsabilização,
além da reeducação do agressor”, destacou a magistrada.
A iniciativa materializa, no âmbito local, o que já está previsto na Lei
Maria da Penha: o enfrentamento à violência doméstica exige ação conjunta entre
os entes federativos e suas estruturas. Com isso, o TJMT fortalece sua atuação
como indutor de políticas públicas e garante maior efetividade na proteção das
vítimas.
Além de integrar serviços, a Rede também atua como um canal institucional de
escuta qualificada. Demandas que antes eram tratadas de forma isolada passam a
revelar falhas estruturais, permitindo a construção de soluções concretas, como
fluxos padronizados, protocolos conjuntos e capacitações intersetoriais.
Na prática, essa atuação integrada resulta em respostas mais rápidas e
eficazes, reduzindo a revitimização, a demora no atendimento e a desarticulação
entre os órgãos. “Nenhuma instituição sozinha consegue enxergar todo o ciclo da
violência. A integração transforma a proteção em realidade concreta”, pontuou a
juíza.
Também foi anunciada, durante a instalação da Rede, a implantação do Grupo
Reflexivo para Homens Autores de Violência Doméstica e Familiar na comarca. A
medida, prevista na Lei Maria da Penha, reforça a atuação do Judiciário não
apenas na responsabilização, mas também na prevenção da reincidência.
Os grupos funcionam como espaços de diálogo e conscientização, promovendo a
reconstrução de condutas. “Punir sem reeducar é, muitas vezes, devolver à
sociedade o mesmo homem. O ciclo da violência só é interrompido quando o Estado
atua também na transformação de quem agride”, ressaltou a magistrada.
Mato Grosso se destaca como estado pioneiro na implementação desses grupos,
com iniciativas tomadas ainda em 2021, antes mesmo das diretrizes nacionais. A
ação está alinhada à Recomendação nº 124/2022 do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), que orienta os tribunais a instituírem programas de reflexão e
sensibilização de agressores.
Com a implantação da unidade em Campinápolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso reafirma seu compromisso com a proteção das mulheres e com a construção de uma Rede efetiva, capaz de transformar realidades e romper ciclos de violência em todo o estado.
Patrícia Neves
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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