Visita guiada ao TJMT leva acadêmicos de Direito à vivência prática e reflexão sobre violência

Participaram da atividade
estudantes do primeiro, segundo, oitavo, nono e décimo semestres do curso de
Direito, que também acompanharam uma sessão da Terceira Câmara de Direito
Público e Coletivo, ampliando o contato direto com a rotina forense.

“Não adianta apenas julgar e
aplicar uma pena de 40 anos, acreditando que isso, por si só, resolverá o
problema. É preciso implementar políticas públicas voltadas tanto para as
mulheres, quanto para os homens. Estamos lidando com pessoas que, se não
receberem o tratamento adequado, não terão mudança de comportamento”, defendeu
Ana Graziela.
A juíza ressaltou que o
Tribunal de Justiça investe em grupos reflexivos para autores de violência
doméstica, além de ações preventivas no ambiente escolar, citando o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”,
realizado por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência
Doméstica e Familiar (Cemulher-MT).
“O Tribunal realiza um grande investimento em
grupos reflexivos para autores de violência doméstica e familiar, justamente
para transformar a mentalidade desses cidadãos. Ao mesmo tempo, também atuamos
na política pública primária, dentro do ambiente escolar”, afirmou.
Para a magistrada, o
investimento na formação de jovens é essencial para romper ciclos de violência.
“A criança que passa por esse tipo de formação, dificilmente, ao chegar aos 18
anos, ingressará no sistema de violência. Por isso, não basta dizer que prender
vai resolver.”
Outro ponto abordado foi a
responsabilidade na divulgação de casos de violência contra a mulher. “A
proposta é construir um protocolo de como noticiar crimes contra mulheres,
evitando abordagens que distorçam os fatos.”
A magistrada aponta que a
forma como os crimes são noticiados pode influenciar comportamentos. “Já
observamos situações em que a exposição inadequada contribui para a repetição
de crimes. Isso mostra a importância de comunicar com responsabilidade”.


Sobre a promoção da reflexão
quanto ao enfrentamento da violência doméstica e à prevenção do feminicídio, a
coordenadora ponderou que a instituição participa da rede de enfrentamento.
“A questão não se restringe a
um contexto específico de políticas públicas, seja do Executivo ou do
Legislativo, mas envolve também o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso,
que demonstra um genuíno interesse e busca soluções para o enfrentamento desses
casos. A apresentação da juíza Ana Graziela é especialmente importante para os
acadêmicos, que estão no início de um curso com duração de cinco anos.
Considero essencial abordar essa temática desde a formação, pois, embora a
sociedade possa ter a sensação de já ter ouvido falar sobre o assunto, é
necessário aprofundar a reflexão e buscar soluções para os conflitos que a
envolvem”, analisou a professora Izabel.
A experiência foi considerada
marcante pelos acadêmicos. O estudante Pedro Henrique Queiroz, do primeiro
semestre do curso de Direito, destacou a importância da visita para sua
formação. “Foi uma experiência única. Eu nunca me imaginei cursando Direito.
Mas, em pouco tempo, percebi que isso despertou um sentimento dentro de mim,
algo muito forte.”
Ele afirmou ainda que a vivência contribuiu para ampliar sua visão sobre a carreira. “Essa visita, em especial, foi muito importante, porque me fez enxergar que é possível chegar lá. Pude adquirir mais conhecimento, entender melhor como tudo funciona, como são os cargos, como é a organização do Tribunal.
”Também do primeiro semestre,
a acadêmica Tiffany Caroline Batista relatou entusiasmo com a oportunidade.
“Quando a professora falou que iríamos fazer essa visita técnica aqui no
Tribunal de Justiça, já me interessei. Conversei com minha chefe, falei com meu
pai, que é advogado, e ele disse para eu aproveitar tudo”.
A estudante também avaliou
positivamente a abordagem sobre o combate à violência contra mulher. “Achei que
somou muito. Principalmente quando ela falou sobre o modo de reportar essas
mensagens. Isso tudo agregou muito.”

Patrícia Neves / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
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