Escuta Cidadã abre diálogo entre Judiciário e sociedade com foco no futuro
Na manhã desta quarta-feira (06),
o movimento foi diferente no Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá. Em vez
de prazos, processos e rotinas formais, o espaço foi tomado por conversas,
histórias e escuta. Começava ali a primeira oficina “Escuta Cidadã”, com um
propósito simples e ao mesmo tempo desafiador: ouvir de verdade quem vive, usa
e sente o sistema de Justiça no dia a dia.
A oficina teve como tema “Acesso
à Justiça e Atendimento ao Cidadão” e reuniu pessoas de diferentes trajetórias.
Servidores públicos de diversas esferas, representantes de instituições
não-governamentais e integrantes da sociedade civil dividiram o mesmo espaço
para falar sobre experiências reais, dificuldades, percepções e também
sugestões de mudança.
A proposta faz parte da
construção do Planejamento Estratégico do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT)
para os próximos anos. Porém, mais do que um documento, a iniciativa aposta em
algo essencial: colocar o cidadão no centro da conversa.
Planejamento construído a partir da escuta
O coordenador de Planejamento do
TJMT, Afonso Vitorino Maciel, explicou que a iniciativa nasce da necessidade de
ouvir quem realmente utiliza o sistema de Justiça. “Sem dúvida, é um momento
muito importante, porque envolve a sociedade mato-grossense, cidadãos e também
instituições que fazem parte do sistema de Justiça, contribuindo diretamente
para a construção do nosso Planejamento Estratégico 2027–2032. Mais do que
trabalhar apenas com indicadores e metas, nós queremos ouvir. Este é um momento
de diagnóstico, de colher avaliações, sugestões e percepções de quem vivencia a
Justiça no dia a dia”, destacou.
Ele ressaltou que a proposta das
oficinas vai além de opiniões individuais, buscando compreender o cenário de
forma mais ampla. “Nosso objetivo não é só extrair contribuições individuais,
mas também coletivas, para entender como o Judiciário está sendo visto pela
sociedade. Não se trata apenas da decisão judicial, mas da entrega de serviços
como um todo”, explicou.
Afonso também lembrou que o
planejamento estratégico do TJMT é fruto de construção participativa. “Nós
seguimos diretrizes nacionais, mas também temos a preocupação de adaptar esse
planejamento à realidade de Mato Grosso, que é um estado grande, diverso e com
características próprias. Por isso, a presença da sociedade aqui é
fundamental”, afirmou.
Ao final, ele reforçou que tudo o
que está sendo construído nas oficinas terá impacto direto no futuro da
instituição. “Os resultados dessas escutas vão nos ajudar a aprimorar o
planejamento estratégico do TJMT para os próximos anos, tornando a Justiça mais
eficiente, mais acessível e mais conectada com as necessidades reais da
população. A proposta é construir uma Justiça que faça mais sentido para quem
está do outro lado, o cidadão”, concluiu.
Participação que amplia o olhar da Justiça
A presença de diferentes
instituições fortaleceu o diálogo. O promotor de Justiça Ricardo Marques
destacou a importância da construção conjunta. “É muito importante o Poder
Judiciário convidar Ministério Público, OAB e Defensoria para participar desse
planejamento estratégico. A escuta permite compreender pontos de vista
diferentes e construir algo que alcance o máximo da coletividade”, afirmou.
O servidor público José Benedito
Pontes Fernandes, que é deficiente visual, destacou que participar da oficina
vai além do aprendizado técnico e é também uma forma de melhorar, na prática, o
atendimento que presta à população.
“Para mim, estar aqui é muito
importante, porque eu lido diretamente com o público. Quanto mais conhecimento
eu tiver, mais clareza eu consigo passar para as pessoas, principalmente para
quem também enfrenta dificuldades no acesso à informação. Isso me ajuda a
atender melhor, com mais segurança e responsabilidade”, contou.
Já para Marcos Tulio Gattas,
representante do Instituto Cultural das Etnias Ciganas em Mato Grosso e
integrante do Conselho Nacional de Direitos Humanos e da Promoção da Igualdade
Racial Nacional, o momento tem um significado ainda mais profundo. “Trazer a
população cigana para dentro desse espaço é um grande avanço. A gente consegue
mostrar nossas necessidades e contribuir com políticas públicas. Isso é
inclusão de verdade”, destacou.
Escuta ativa para construir o futuro
André Tamura, facilitador da
oficina e diretor da WeGov, startup
focada em estimular ações inovadoras no setor público, destacou que a
iniciativa representa um passo importante na forma como o Judiciário se
relaciona com a sociedade. “A primeira coisa que eu preciso dizer é reconhecer
a coragem do Tribunal em abrir um espaço como esse. As oficinas são pensadas
justamente para escutar, de fato, os públicos com os quais o Judiciário se
relaciona e entender como essas percepções podem impactar os próximos passos
estratégicos”, afirmou.
Segundo ele, o ambiente criado
nas oficinas permite algo que nem sempre acontece na rotina institucional: o
diálogo genuíno. “Aqui não é uma palestra, nem um curso tradicional. É um
espaço de escuta. A gente cria condições para que as pessoas compartilhem suas
experiências reais, suas percepções, e isso gera insumos muito valiosos para
pensar o futuro”, explicou.
Tamura ressaltou que o objetivo é
reunir diferentes visões para construir um diagnóstico mais completo. “Durante
esses encontros, vamos ouvir perspectivas diversas, identificar dores,
barreiras e também oportunidades. Esse conjunto de informações vai ajudar a
orientar as decisões e as estratégias do Tribunal daqui pra frente”, disse.
Ele também enfatizou a importância de colocar o cidadão no centro desse processo. “Quando a gente coloca o cidadão como protagonista da sua própria história, entendendo como ele acessa e se relaciona com a Justiça, o resultado tende a ser um serviço mais efetivo, não só do ponto de vista interno, mas principalmente na forma como isso é percebido pela população”, pontuou.
O trabalho em conjunto para a construção dessa experiência através das Oficinas de Escuta Cidadão envolve a colaboração entre a Coordenadoria de Planejamento e o Laboratório de Inovação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (InovaJusMT).
As conversas continuam nos próximos dias, sempre com novos temas e novas perspectivas. No dia 07 serão tratados os temas “Direitos, Inclusão e Proteção Social” e “Conciliação, Mediação e Solução de Conflitos”. Já no dia 08, as oficinas serão sobre “Justiça Digital e Sistema de Justiça” e “Futuro do Judiciário, Inovação e Sociedade”.
Ana Assumpção / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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