Da rua para o lar: menino de cinco anos ganha família após ação do PopRuaJud em Rondonópolis
Até
pouco tempo atrás, o pequeno L.G., de apenas cinco anos, vivia em situação de
vulnerabilidade social, sem estabilidade e longe da proteção que toda criança
merece e deve ter. Hoje, a realidade é outra: ele ganhou o sobrenome do pai na
certidão de nascimento, passou a morar em um lar definitivo, está frequentando
a escola e voltou a sorrir. A mudança aconteceu graças a uma atuação conjunta do
Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do mutirão PopRuaJud, realizado em
Rondonópolis em abril deste ano.
O
processo de reconhecimento voluntário de paternidade e regularização da guarda
foi resolvido em apenas um dia durante o mutirão, evitando que a criança fosse
encaminhada para morar com parentes em outra cidade. Há cerca de um mês, o
menino passou a viver com o pai biológico, o gerente de produção Rubens Cley
Guerra de Souza, e com a madrasta, Elisângela Lima da Silva.
Rubens
contou que já sabia da existência da criança, mas nunca havia convivido com o
filho. Segundo ele, após um breve relacionamento, a mãe do menino deixou a
cidade e os dois perderam contato. Anos depois, o Conselho Tutelar o procurou
para informar sobre a situação delicada enfrentada pela criança. “Eles falaram
que a situação estava complicada, que ele estava na rua. Quando me procuraram,
eu falei: ‘Vamos fazer o DNA. Se for meu mesmo, eu já reconheço’. Mas só de
olhar pra ele já dava pra ver que era meu”, relembrou.
O
pai conta que a adaptação aconteceu de forma natural e cheia de afeto. “Ele
gostou daqui, gostou da minha esposa também. O ‘bichinho’ estava bem tristinho.
Agora vive sorrindo, já está na escola e sendo bem tratado aqui. Mudou quase
tudo na vida dele”, afirmou, emocionado.
Justiça
rápida
Rubens
destacou que imaginava enfrentar um processo longo e burocrático, mas ficou
surpreso com a rapidez do atendimento durante o mutirão PopRuaJud. “O pessoal
falava que ia demorar de cinco a seis meses. No mutirão, resolvemos tudo em um
dia só. Foi bom demais”, disse.
A
esposa dele, Elisângela Lima da Silva, também comemorou a chegada do menino à
família. Casada com Rubens há cinco anos, ela conta que a casa, antes composta
apenas por mulheres, ganhou uma nova energia com a presença da criança. “Ele se
adaptou muito rápido. Nós estamos gostando muito. Minhas filhas são tudo
mulher, aí eu falei: ‘Agora tem um homem pra eu cuidar’”, contou, sorrindo.
Ela
explica que a família rapidamente organizou uma nova rotina para acolher o
menino com segurança e estabilidade. “A gente correu atrás de escola pra ele,
porque ele estava indo com a gente pro serviço. Hoje buscamos ele no almoço e
ele passa a tarde com a gente”, relatou.
Para
Elisângela, a agilidade da Justiça foi decisiva para garantir proteção imediata
à criança. “O pessoal fala que essas coisas demoram muito, que tem muita
enrolação. Mas foi rápido demais. Isso ajudou muito, porque ele estava numa
situação difícil e precisava logo de um lugar seguro”, destacou.
Cidadania
e dignidade
O
coordenador do Cejusc, da Justiça Restaurativa e do mutirão PopRuaJud em
Rondonópolis, juiz Wanderlei José dos Reis, explicou que o caso representa
exatamente o propósito do mutirão, que teve sua segunda edição este ano em
Rondonópolis: garantir acesso à justiça, à documentação básica e a
direitos fundamentais a pessoas em situação de rua e de vulnerabilidade social, aproximando-as do Poder Judiciário.
“Essas pessoas, via de regra, não procurariam o Judiciário sozinhas. Mas quando
o Poder Público vai até elas, levando serviços públicos e cidadania, os
problemas são resolvidos com rapidez e dignidade”, afirmou o magistrado.
Segundo
o juiz Wanderlei Reis, assim que o caso chegou ao Cejusc durante o mutirão PopRuaJud,
a equipe realizou imediatamente a audiência de reconhecimento voluntário de paternidade,
com participação da Defensoria Pública e do Ministério Público. Imediatamente,
o cartório extrajudicial providenciou a retificação do registro civil da
criança. “São situações como essa que marcam muito a gente. Fazer o bem para
alguém. Nesse caso, conseguimos garantir o reconhecimento da paternidade e
contribuir para que essa criança tivesse um lar, uma paternidade reconhecida, proteção
e convivência familiar. É o Poder Judiciário de Mato Grosso levando dignidade
humana para quem mais precisa”, concluiu.
Roberta Penha / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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