Curso sobre Direitos Humanos mobiliza magistrados e reforça aplicação de normas internacionais
Magistrados(as),
assessores(as) e servidores(as) do Poder Judiciário de Mato Grosso participam de
uma formação estratégica voltada à aplicação dos tratados internacionais de
direitos humanos. Promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso
(Esmagis-MT), o curso “Pacto Nacional do Judiciário pelos Direitos Humanos –
Ação nº 11 – 3ª Fase” chega hoje (24 de junho) ao seu segundo e último dia,
consolidando o compromisso com uma prestação jurisdicional alinhada às
diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e às normas internacionais de
proteção da pessoa humana.
Iniciado
nessa terça-feira (23 de junho), o curso aprofunda temas fundamentais como o
Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos, o controle de
convencionalidade e a atuação da Comissão e da Corte Interamericana. A
capacitação é conduzida pelo professor doutor Valério de Oliveira Mazzuoli,
referência nacional e internacional na área.
Presente
à capacitação, a desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, presidente
da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e
da Discriminação do Poder Judiciário de Mato Grosso, também destaca a
relevância da temática. “Em todas as áreas, administrativa e judiciária, nós
precisamos ter esse senso de humanidade, de conhecer e reconhecer o Direito no
contexto global”, afirma.
Para ela,
a iniciativa reforça a importância da formação continuada. “A Esmagis está de
parabéns. É um assunto relevante, atual e necessário. É fundamental que todos
nós conheçamos esses temas para fazer boas escolhas e aplicar o Direito de
forma justa. É um tema extremamente importante para a atuação jurisdicional”,
conclui.
Também a
juíza auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Christiane
da Costa Marques Neves, participante do curso, ressalta o impacto da formação
na atuação cotidiana dos magistrados. “Uma capacitação como essa é fundamental
e muda muita coisa na vida do magistrado. Nós lidamos diariamente com diversos
temas que exigem estudo constante. Igualdade de gênero e direitos humanos são
aspectos que demandam muita atenção e cuidado, além de representarem uma
diretriz do CNJ, que orienta o julgamento sob essa perspectiva”, afirma.
Segundo a
magistrada, a iniciativa também evidencia o compromisso institucional com a
qualificação permanente. “É uma iniciativa da Presidência, alinhada às
determinações do CNJ, mas que, acima de tudo, é desenvolvida com muito cuidado.
Contamos com um professor de renome internacional, que é do nosso Estado e
extremamente qualificado, o que certamente contribui para o aprimoramento do
nosso trabalho”, completa.
O
professor Valério Mazzuoli destaca que a capacitação está diretamente ligada a
uma das metas do CNJ para o Judiciário brasileiro. “Hoje, essa é uma
prioridade. O CNJ criou unidades de monitoramento e fiscalização das decisões
do Sistema Interamericano de Direitos Humanos e recentemente editou a
Recomendação n. 168/2026, que institui o Estatuto da Magistratura Brasileira
Interamericana. Isso exige que os juízes conheçam os tratados e a
jurisprudência internacional relacionados à proteção da pessoa humana”,
explica.
Ele também enfatiza os efeitos concretos desse conhecimento no exercício da jurisdição. “Quando os juízes aplicam tratados de direitos humanos, conferem ao cidadão garantias internacionais que, muitas vezes, não estão expressamente previstas na legislação ou até na Constituição. Isso revoluciona a forma de aplicação do Direito na prática, no cotidiano das decisões”, pontua.
A
coordenadora da iniciativa no âmbito da Escola Superior da Magistratura de Mato
Grosso (Esmagis-MT), juíza Henriqueta Fernanda Chaves de Alencar Ferreira Lima,
avalia a capacitação como um avanço institucional relevante. “É um passo à
frente que o Poder Judiciário de Mato Grosso vem dando, no sentido de oferecer
instrumentos e conhecimento técnico para efetivar um compromisso essencial não
apenas para o Judiciário, mas para toda a sociedade democrática”, afirma.
Ela
ressalta o diferencial do curso ao aproximar teoria e prática. “O professor
Valério é uma referência, tanto nacional quanto internacional, especialmente no
tema do controle de convencionalidade. Trazer esse olhar científico permite que
magistrados analisem se os casos concretos estão em conformidade com a
jurisprudência internacional, o que repercute diretamente na qualidade das
decisões judiciais”, observa.
A programação segue até as 16h desta terça-feira.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos
telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito / Foto: Rodrigo Moura
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
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