“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça
Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e
reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39
anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca
de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados,
servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma
trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela
contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.
Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro
da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o
promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério
Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de
Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e
Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.
Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou
os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no
Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis
décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.
Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a
magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade
profissional.
“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma
profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao
próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.
A visão humanista que marcou sua atuação também ficou
evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro
décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi
que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao
semelhante.”
Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar
ressentimentos ou lamentações.
“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.
A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline
Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de
Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o
magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela
decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de
ascensão profissional.
“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura
e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de
permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve
um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram
na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui,
onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.
A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do
desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas
de atuação no município.
“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a
história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas
criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está
à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e
extremamente humano”, ressaltou.
Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a
admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais
profissionais do sistema de Justiça.
“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem
que realizamos foi muito emocionante".
A dedicação integral ao trabalho é uma característica
reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica
jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara
Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e
com os jurisdicionados.
“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total
entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e
pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade,
integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.
Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda
no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função
de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de
maneira intensa.
“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se
entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha
trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à
magistratura e à Justiça”, contou.
Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como
referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação,
resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao
profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.
Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou
reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que
considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.
“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo
como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que
temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do
mundo estarão resolvidos”, ensinou.
Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da
interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e
interdependentes”.
A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua
carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de
mundo.
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.
Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que
continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente
de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser
feliz. O amor é eterno.”
Despedida
A programação da solenidade contou ainda com a exibição de
um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal
de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram
a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.
Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de
importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a
elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major
PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do
Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.
Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado
chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada
pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao
desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.
A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com
a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua
trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que
passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento
em estruturas improvisadas.
Patrícia Neves
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
29/01/2025 17:03
Poder Judiciário realiza reunião para a realização do 6º Encontro ‘Todos por Elas’ em Rondonópolis
13/10/2026 18:07
Plano de saúde deve custear cirurgias reparadoras de paciente após bariátrica em Rondonópolis
27/01/2025 13:32
Comarca de Rondonópolis realiza palestra com psiquiatra sobre saúde mental











