Nova edição do “Explicando Direito” aborda critérios científicos para análise da palavra da vítima
A Escola Superior da
Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) lançou uma nova edição do programa
Explicando Direito, abordando um tema central para a rotina dos magistrados que
atuam no âmbito criminal: a análise da palavra da vítima e da prova testemunhal
a partir de critérios técnico-científicos.
Apresentado pelo juiz
coordenador das atividades pedagógicas da Esmagis-MT, Antônio Veloso Peleja
Júnior, o episódio conta com a participação do juiz Tiago Gagliano Pinto
Alberto, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), reconhecido pela sua atuação
acadêmica e científica nas áreas de Direito, Psicologia do Testemunho e
Neurociência.
Durante a entrevista, Gagliano explica como a Psicologia Cognitiva pode contribuir para a construção de critérios objetivos na análise da credibilidade dos depoimentos. Segundo ele, a forma como a memória é construída e expressa permite identificar elementos técnicos na narrativa.
“Nós temos um marcador mnemônico, marcador da memória,
que se transforma em um marcador de narrativa. Se nós, da estrutura decisória,
pudermos identificar os marcadores de narrativa de determinadas situações, nós
podemos analisar, por consequência, a credibilidade do relato”.
O magistrado também chama a
atenção para um dos principais equívocos na prática jurídica: a confusão entre
confiança e credibilidade. Para ele, são conceitos distintos e frequentemente
indevidamente misturados. Segundo ele, essa confusão pode levar a decisões
baseadas em premissas equivocadas e gerar falsos positivos na análise da prova.
Outro ponto relevante do
episódio é a discussão sobre a natureza da memória humana. Gagliano enfatiza
que ela não é estática, mas sim constantemente reconstruída, o que exige
cautela na interpretação de depoimentos. Ele destaca ainda que fatores emocionais
podem afetar significativamente a recordação de fatos, especialmente em
situações traumáticas, mencionando casos em que vítimas não conseguem lembrar
detalhes básicos. “O bloqueio de memória faz com que a vítima não consiga
lembrar determinadas situações”, salienta.
Ao tratar dos instrumentos
técnicos disponíveis, o entrevistado destaca as ferramentas de análise da
credibilidade do testemunho baseadas no conteúdo verbal, como o protocolo SVA e
a análise CBCA. Ele também ressalta o potencial uso da Inteligência Artificial
como apoio para cruzar esses critérios técnicos com os depoimentos, sempre com
a necessária avaliação crítica por parte do julgador.
Gagliano enfatiza a
importância de decisões fundamentadas em critérios científicos, e não apenas em
presunções. “Você decide não mais baseado em presunções, mas sim quanto à
presença ou ausência de determinados marcadores”, o que, segundo ele, contribui
para maior segurança e qualidade na prestação jurisdicional.
Clique neste link para
assistir a entrevista completa no YouTube.
https://www.youtube.com/watch?v=R5vpD2CtzyE
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
imprensa@tjmt.jus.br
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