Projeto alagoano que usa leitura para transformar vidas no cárcere é apresentado no TJMT
Um
projeto que começou com 40 mulheres dentro de um presídio e hoje alcança mais
de seis mil pessoas privadas de liberdade (PPL) em todo o estado de Alagoas foi
o tema da segunda palestra da capacitação "Práticas de Leitura no Sistema
Prisional e Remição da Pena", realizada nesta terça-feira (2) pelo
Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de
Educação (SEDUC-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública
(SEJUS-MT).
A
professora e pedagoga Juliana Alves, da 16ª Vara de Execuções Penais de Maceió
e coordenadora do projeto Uniliberdade, apresentou a experiência "Livros
que Libertam: Educação, Leitura e Transformação no Sistema Prisional Alagoano”,
considerado um dos maiores projetos educacionais do sistema prisional alagoano.
A
iniciativa é desenvolvida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema
Carcerário e Socioeducativo do Tribunal de Justiça de Alagoas (GMF/TJAL) e tem
por base a Resolução CNJ nº 391/2021, que estabelece diretrizes nacionais para
a remição de pena por meio da leitura.
Da
cela para o pódio nacional
O
projeto nasceu em 2022 no Presídio Feminino Santa Luzia, com três pilares
fundamentais: remição de pena, com a compensação de quatro dias por ciclo
mensal avaliado, estímulo crítico à autonomia intelectual do leitor e respeito
rigoroso aos ritos de segurança das unidades prisionais.
O
crescimento foi rápido e expressivo: em apenas cinco meses, 71% da população
carcerária feminina haviam ingressado no programa. Para expandir a iniciativa
para outras unidades, a equipe criou a figura do monitor de leitura, um detento
capacitado para divulgar o projeto, controlar a distribuição dos livros e
facilitar as atividades de leitura diretamente nas alas prisionais. Com o
tempo, o projeto tornou-se uma extensão universitária que qualifica voluntários
dentro das prisões, atividade que também conta para a remição de pena.
A
ausência de bibliotecas em muitas unidades foi contornada com criatividade: as
atividades passaram a ser realizadas diretamente nas celas, levando a leitura a
quem não poderia se deslocar até um espaço específico.
Campanha
arrecadou mais de 27 mil livros
Para
garantir acervo suficiente, o Tribunal de Justiça de Alagoas e a Secretaria de
Ressocialização e Inclusão Social lançaram uma campanha estadual de doação de
livros. Os próprios detentos construíram as caixas coletoras de madeira, que
foram distribuídas em pontos estratégicos do estado. A resposta da sociedade
superou as expectativas: mais de 27 mil exemplares foram doados, e hoje as
doações chegam de forma sistemática.
Na
fase de consolidação, entre 2024 e 2025, o projeto registrou mais de quatro mil
participações mensais validadas e atingiu mais de 60% de toda a população
prisional de Alagoas, número que caminha para 6 mil participantes ativos.
O
resultado colocou Alagoas no 1º lugar nacional em alfabetização prisional e no
topo das remições por leitura homologadas pelo Sistema Nacional de Informações
Penais (Sisdepen) e pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
Como inovação tecnológica, o projeto migrou para o Kindle em uma unidade
piloto, permitindo que 154 reeducandos acessassem mais de 1.200 títulos
literários de forma digital, ampliando a autonomia do leitor e eliminando
barreiras logísticas de distribuição física.
Capacitação
nacional promovida pelo TJMT
A
apresentação integra a terceira edição da capacitação "Práticas de Leitura
no Sistema Prisional e Remição da Pena", realizada de forma virtual pela
plataforma Teams. O evento é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento
e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do TJMT (GMF/TJMT), da
Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja) da Secretaria de Estado
de Educação – Seduc-MT e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário
(Nesp/SAAP) da Secretaria de Estado de Justiça - Sejus-MT. A coordenação é do
juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes.
A capacitação tem como objetivo preparar professores, pedagogos e outros profissionais para implementar práticas de leitura nos estabelecimentos penais, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com as normativas do Conselho Nacional de Justiça.
Roberta Penha
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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