Iniciativas sustentáveis mostram que pequenas ações podem gerar grandes transformações

Plantar árvores, transformar sementes em “bombas de vida”, remunerar catadores pelo serviço de coleta de resíduos e até criar um mascote para conquistar servidores para a causa ambiental. As experiências apresentadas no nono painel do segundo dia da 4ª Semana Nacional de Sustentabilidade – região Centro-Oeste e 11º Encontro de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) mostraram que não existe uma única fórmula para tornar o Judiciário mais sustentável. O caminho passa por inovação, planejamento, parcerias e, principalmente, mudança de comportamento.
Com o tema “Boas práticas nacionais”, o painel reuniu iniciativas do TJMT, Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) e Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba (TRT-PB). O encontro tem como proposta justamente compartilhar soluções que possam ser adaptadas e replicadas por outras instituições.
Do plantio à floresta
A assessora de Sustentabilidade do TJMT, Elaine Alonso apresentou o CompensaJUD, projeto criado inicialmente para compensação ambiental, mas que pretende deixar um legado permanente para os municípios. As áreas-piloto estão nos fóruns de Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, onde espécies predominantemente nativas são plantadas e monitoradas.Mais do que contabilizar mudas, a iniciativa acompanha o desenvolvimento de cada árvore para estimar a captura de carbono, avaliar a adaptação das espécies e construir uma metodologia que possa ser replicada. “Nós queremos ir muito além de uma mera compensação. Queremos deixar uma estrutura verde para o município”, destacou Elaine.
Segundo ela, o projeto trabalha em três dimensões: reflorestamento urbano, biodiversidade e captura de carbono. As áreas plantadas são monitoradas por meio de inventário florestal e dados sobre cada indivíduo, permitindo acompanhar crescimento, sobrevivência e necessidade de reposição.
Ensinar, plantar e distribuir

O coordenador do Programa Verde Novo, Sérgio Savioli apresentou a trajetória da iniciativa do TJMT, que nasceu da preocupação em aproximar a população da legislação e da educação ambiental. Para ele, a arborização precisa ser acompanhada de conhecimento e participação social. “Não é só pegar a muda e fazer o plantio e esperar que tudo dê certo. É preciso saber o que plantar, onde plantar e quando plantar”, explicou. Ele resumiu a estratégia do programa em três verbos: ensinar, plantar e distribuir.
Criado como projeto em 2017 e transformado em programa permanente posteriormente, o Verde Novo reúne Poder Judiciário, municípios, iniciativa privada, sociedade civil e voluntários. A iniciativa já destinou mais de 259 mil mudas para plantio e promoveu centenas de ações de arborização e educação ambiental.
“Bombas de vida” para recuperar áreas degradadas

Do TRE-MT veio uma solução diferente: o Projeto SilvesTRE, apresentado no evento pelo assessor de comunicação Daniel Dino. A iniciativa utiliza as chamadas “bolitas de vida”, pequenas cápsulas de argila que carregam sementes de espécies nativas e podem ser dispersadas em áreas degradadas.
O projeto nasceu de uma proposta da presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, e foi desenvolvido em parceria com a UFMT e a Unemat. Em Colíder, oficinas levaram a técnica para escolas e comunidades, com a produção e dispersão de cerca de mil sementes na bacia do Rio Carapá. A taxa de germinação identificada nos estudos chegou a 85%. “É uma iniciativa que está nascendo, uma alternativa que o Tribunal Eleitoral está tentando trazer para essa área ambiental”, afirmou Daniel, que também destacou ações de plantio de ipês e educação ambiental realizadas pelo projeto.
Sustentabilidade com uma linguagem diferente

A coordenadora especial de Sustentabilidade e Acessibilidade do Tribunal de Justiça do Piauí - TJPI, Lanny Cléo Macêdo Quadros mostrou como o tribunal piauiense buscou mudar a forma de falar sobre sustentabilidade para conquistar servidores e magistrados. A experiência foi institucionalizada por meio do programa TJPI+Sustentável, estruturado em nove eixos temáticos e alinhado ao planejamento estratégico, ao Plano de Logística Sustentável (PLS) e aos indicadores do CNJ.
Uma das estratégias foi criar o Ramito, mascote que passou a protagonizar campanhas, quizzes, podcasts e ações de conscientização. “A sustentabilidade só acontece dentro da nossa vida, dentro da instituição, dentro da nossa sociedade, quando a gente muda o comportamento”, afirmou Lanny.
A experiência também resultou na criação da Rede de Bosques TJPI+Sustentável, que já conta com oito bosques em oito municípios e aproximadamente 16 mil mudas plantadas.
Resíduo que vira serviço e dignidade

Fechando o painel, o secretário de Governança e Gestão Estratégica do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba, Max Frederico Pereira apresentou a experiência de coleta onerosa de resíduos por cooperativas de catadores. Implantada em 2023, a iniciativa nasceu depois de o tribunal ouvir os trabalhadores e conhecer de perto as condições precárias enfrentadas por eles. “Vamos reconhecer que isto é um serviço prestado e vamos pagar por isso”, relatou Marcos, ao explicar a decisão de remunerar as cooperativas pela coleta dos resíduos produzidos pelo próprio tribunal.
O modelo permitiu a contratação de três cooperativas e uma associação em João Pessoa e Campina Grande, com valores de R$ 400 e R$ 600 por coleta, respectivamente. Segundo Max, auditorias realizadas posteriormente não apontaram ressalvas ao processo. A experiência também contribuiu para a criação de recomendações nacionais sobre a chamada coleta onerosa.
As experiências apresentadas reforçaram uma mensagem comum ao longo do painel: sustentabilidade não é uma ação isolada, mas uma política transversal capaz de transformar a gestão, o ambiente e a relação do Judiciário com a sociedade.
Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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