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Poder Judiciário de Mato Grosso

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13.11.2018 16:25

Constelação fortalece vítimas de violência
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A Primeira Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá realizou na última sexta-feira (09) exercícios sistêmicos com mulheres vítimas de violência. A atividade foi feita pelo juiz Jamilson Haddad Campos e a facilitadora sistêmica de constelações, Gilmara Thomé.
 
A relação de conflitos na vida das pessoas e da importância de se buscar cada vez mais conhecimento para encontrar soluções diferentes daquelas utilizadas no dia a dia é uma das propostas das reuniões sistêmicas que são promovidas uma vez por mês no Fórum de Cuiabá.
 
Em meio às explicações, as mulheres verbalizam seus conflitos, recebem orientações práticas da consteladora sobre o que elas poderiam fazer para solucioná-lo e podem compreender onde muitos conflitos se originam.
 
O juiz da Primeira Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher de Cuiabá, Jamilson Haddad Campos, explica que durante os encontros as mulheres são orientadas para que possam entender o ciclo da violência, o porque, qual a causa e de que forma estão inseridas neste ciclo, nessa repetição da violência em suas relações. E também, para que tomem consciência de que nada justifica serem submetidas a um relacionamento de dor e de agressão. “Queremos que elas se empoderem e rompam com esse ciclo de violência, não mais se relacionem com pessoas desestruturadas e que saibam que esse emaranhado é vinculante, às vezes tem codependência, mas que nada justifica a violência”.
 
Ainda segundo o magistrado, o objetivo é trazer ao conhecimento destas mulheres os efeitos da repetição dos ciclos da violência, o impacto que isso provoca na vida dos filhos, porque a dificuldades de romper com esse relacionamento. “O Poder Judiciário está dando a essas mulheres o empoderamento para compreenderem essa estrutura pelas quais elas estão vivenciando, dando ferramentas para que elas consigam romper esse ciclo da violência e com esse sofrimento desmedido. Estamos fazendo algo novo – a aplicação da constelação junto com a programação neurolinguistica – para ajudar estas mulheres vítimas de violência doméstica”, ressaltou Jamilson Haddad.
 
A Primeira Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá faz em média de 8 a 12 audiências por dia com mulheres vítimas de violência domésticas, além das audiências coletivas que reúnem de 30 a 40 mulheres.
 
Para a facilitadora sistêmica de constelações, Gilmara Thomé a constelação sistêmica - um método psicoterápico, desenvolvido pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, que estuda as emoções e energias que, consciente e inconscientemente, acumulamos. Este aprofundamento possibilita compreender como estes fatores influenciam em nossa tomada de decisão, reverter aspectos negativos que desequilibram nossa vida - auxilia as mulheres a poderem voltar o olhar para aquilo que prende elas em um relacionamento abusivo. “Elas podem ver de uma forma diferente. Com os exercícios sistêmicos elas podem também ver o quanto estão emaranhadas no próprio sistema familiar, o quanto essas relações estão conectadas, às vezes com a repetição de padrão das histórias da mãe ou da vó, repetindo isso. Quando participam dos exercícios sistêmicos, elas percebem a postura que estão repetindo e podem fazer isso de outra forma e mais empoderadas e valorizadas” pontou a facilitadora.
 
Entre as mulheres vítimas de violência que foram atendidas na sexta-feira (09), estava uma dona de casa, mãe de um menino, separada há oito anos e sofre com ameaças e a violência do ex-marido, que não quis ser identificada. Ela disse que a oportunidade de poder participar da oficina foi muito importante e transformadora para sua vida.
 
“O que me trouxe aqui foi à necessidade de me encontrar, de me valorizar mais. Entrei de uma maneira na palestra e saio totalmente diferente, senti uma mudança muito grande em função do que ouvi. Agora vou procurar fazer totalmente diferente o que vinha fazendo, me valorizar, estar próxima das pessoas, apreender ouvir mais, isso é fundamental para que se consiga viver melhor. Se tiver outra oportunidade estarei presente com certeza”, destacou.
 
N. S. R, mãe de dois meninos, que veio do estado de Minas Gerais (MG) e está em Cuiabá em busca de ajuda da família e da justiça para recomeçar a vida, disse que depois de viver anos em um relacionamento abusivo, poder participar da reunião sistêmica é um recomeço. “Gostei muito, saio mais leve. Consegui me libertar um pouco daquela dor e angustia ouvido e participando das dinâmicas desenvolvidas. Pude perceber que muitas coisas que aconteceram comigo podiam ter sido diferente. Vou para casa com uma confiança maior. Agora quero lutar para realizar meus sonhos e ser feliz,” disse.
 
A estudante do 5º ano do Curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Karoline Pontes está fazendo o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre o uso da constelação junto ás vítimas de violência doméstica, e acompanhou as dinâmicas na última sexta-feira no Fórum de Cuiabá. “Essa iniciativa do PJMT é muito importante e estou encantada em poder estudar e fazer meu TCC sobre esta ferramenta do direito sistêmico, que busca a pacificação social,” concluiu a estudante.
 
Serviço: As mulheres que quiserem participar das oficinas, ou de audiências coletivas podem procura o Fórum de Cuiabá. A Defensoria, Ministério Público ou advogados das vítimas de violência doméstica também podem fazer a indicação para participação.
 
Cleci Pavlack
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
(65) 3617-3393/3394/3409