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13.11.2014 17:11

Dicas do Professor Germano - "Vê-lo" ou "o ver"?
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 Num corredor do TJMT, um servidor estampa sua dúvida: Professor, mais adequado é dizer “se eu vê-lo” ou “se eu o ver”? Supunha ele que o busílis (o xis da questão) residisse na colocação do pronome: próclise – anteposto ao verbo – ou ênclise – posposto a ele. O problema estava mais embaixo...
 

O que realmente importa é identificar o tempo verbal. Soberana, triunfa em todo canto a confusão entre o infinitivo pessoal, que aceita o pronome antes ou depois dele, e o futuro do subjuntivo. Este, mais discreto, só acolhe a próclise.

 

Assim, tanto é certo dizer “para amá-lo” quanto “para o amar”. É infinitivo. No entanto, cochilo, e cochilo dos graúdos é dizer “se eu amá-lo”. Correto é tão só isto: “se eu o amar”. O futuro rejeita o pronome posposto.

 

A coluna não se presta a demoradas considerações. Fiquemos na essência.

 

O infinitivo corresponde exatamente ao nome do verbo pretendido: de amar é amar; de fazer é fazer. Assim se conjuga: para eu amar, amares, amar, amarmos, amardes, amarem.

 

Olhos atentos: ele é antecedido por preposição – para, por, de, a –, quando não por locução prepositiva, em que o último elemento é preposição: antes de fazer algo/ no caso de haver greve/ em vez de irmos ao cinema.

 

E o futuro do subjuntivo? Assim ele se conjuga: quando eu amar, amares, amar, amarmos, amardes, amarem. Observe que suas formas verbais são idênticas às do infinitivo pessoal. Isso porque se cuida do verbo amar, que é regular.

 

Demos mais um passo: o que distingue esses dois tempos verbais é a palavra que lhes antecede. No futuro do subjuntivo, esta será sempre uma conjunção – quando, se, conforme – ou um pronome relativo: que, quem. Pode igualmente ser uma locução conjuntiva, em que o último elemento é a conjunção que.

 

Veja só: Assim que você puder, venha. Logo que ele chegar, também eu irei. Quem quiser me procure. Nesses exemplos, o futuro impera.

 

Relevante é assinalar que o tempo primitivo do futuro do subjuntivo é o pretérito perfeito do indicativo. Nasce da terceira pessoa do plural, com a supressão do -am final. Para que não pairem dúvidas quanto ao pretérito perfeito, anteponha a ele o advérbio ontem.

 

Daí, do verbo chegar temos: ontem eles chegaram. Excluído o -am, fica o futuro do subjuntivo: quando eu chegar. Veja o que ocorre com o verbo fazer: ontem eles fizeram possibilita o futuro quando eu fizer. No caso de fazer – cujo infinitivo também é fazer –, a forma do futuro do subjuntivo não mais se identifica com ele: fizer. Trata-se de verbo irregular.

 

Caminhemos para o desfecho da dúvida. Afinal, o correto é “se eu vê-lo” ou “se eu o ver”?

 

Uma vez que uma e outra possibilidades se iniciam com a conjunção se, não há fugir disto: trata-se de futuro do subjuntivo.

 

De outra parte, ficou claro que este tempo verbal repele a posposição do pronome. A essa luz, a opção “se eu vê-lo” não se justifica. Por sua vez, a opção – se eu o ver – também não merece crédito. Se o futuro do subjuntivo nasce do pretérito perfeito, recorramos ao expediente já visto: ontem eles viram. Apagado o -am, fica a forma apropriada: vir. Daí o acerto: se eu o vir. Esta forma, só esta, é a correta.

 

Quando, em ocasiões semelhantes, a dúvida nos assaltar, saída é nos valermos desta oração: Se você vir (avistar) o Paulo, traga-me notícias dele quando vier (chegar).

 

É bem isto: se eu vier, é com os pés. Se eu vir, é com os olhos.

 

Basta!

 

Professor Germano Aleixo Filho,
Assessor Especial da Presidência do TJMT.

 
 
Exercícios de Fixação (acesse aqui)