Inclusão: Corregedoria busca informática para garantir acessibilidade no PJe para estagiária cega
Durante os trabalhos correcionais na 5ª Vara Criminal de Rondonópolis,
no dia 12 de março, a equipe da Corregedoria-Geral da Justiça recebeu uma
solicitação da estagiária Alessandra Gomes da Silva, pessoa com deficiência
visual. Ela pediu melhorias no sistema do Processo Judicial Eletrônico (PJe)
para poder realizar suas atividades com mais autonomia.
O juiz auxiliar da Corregedoria, João Filho de Almeida Portela, que conversou com a estagiária em Rondonópolis, retornou ao Tribunal de Justiça e convocou uma reunião virtual com técnicos da Coordenadoria de Tecnologia da Informação (CTI), o gestor da 5ª Vara Criminal, José Ricardo Silva Queiroz e a própria estagiária.
Os técnicos ouviram o relato e, por meio do compartilhamento de tela, puderam visualizar a dificuldade que Alessandra enfrenta para executar determinadas tarefas no PJe.
A equipe vai implementar melhorias para que Alessandra tenha mais autonomia no trabalho, garantindo maior inclusão de pessoas com deficiência visual, otimizando os serviços do Judiciário e ampliando o aprendizado do estágio.
O juiz João Portela destacou que a iniciativa, além de promover a inclusão da estagiária, beneficiará outros servidores e colaboradores com baixa visão ou cegos.
O gestor da 5ª Vara Criminal explica que Alessandra contribui significativamente para a produção da equipe e tem superado barreiras. “Ela realiza suas atividades a contento e é um grande exemplo para os demais”, destacou José Queiroz.
No início do estágio de Alessandra, a unidade precisou passar por um período de adaptação, com redistribuição de tarefas e ajustes no fluxo de trabalho. As mudanças deram certo, e atualmente, Alessandra consegue ler integralmente os processos, especialmente as decisões, para iniciar a expedição. A principal tarefa dela é a expedição das comunicações das audiências, requisição de presos, requisição de perícias e comunicações diversas.
Alessandra explica que foi aprovada para estágios em outros órgãos, mas não pôde assumir por falta de acessibilidade. “Diferente do que aconteceu nesses lugares, aqui no Poder Judiciário, mesmo com a incerteza sobre minha adaptação, as portas foram abertas para tentarmos juntos a minha inclusão. E tem dado certo”, celebra.
A estagiária enaltece a iniciativa do juiz auxiliar em mobilizar a equipe técnica para garantir que possa trabalhar com mais autonomia. “Mesmo com minha limitação visual, tenho habilidades para lidar com tecnologia, aprender novas tarefas e contribuir com a missão do Judiciário”, explica.
A juíza da 5ª Vara Criminal, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, ressalta que Alessandra tem contribuído para a produtividade da Vara e que os servidores a acolheram prontamente. “Alessandra é um exemplo de ser humano e de mulher. Pela forma como supera os obstáculos que surgem diariamente. Infelizmente, ainda vivemos em um país que não oferece grande acolhimento para pessoas com deficiência, mas ela nos mostra que, mesmo assim, é possível seguir em frente”, afirmou.
Alessandra está no 9º semestre do curso de Direito e pretende seguir carreira jurídica, no Poder Judiciário ou no Ministério Público.
Assessoria de Comunicação
CGJ-MT
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