“Mulheres que Transformam” é tema de podcast em homenagem ao Dia Internacional da Mulher
Está
no ar a mais nova edição do podcast “Explicando direito”, com o tema “Vozes da
Justiça: mulheres que transformam”. Neste programa especial em homenagem ao Dia
Internacional da Mulher (8 de março), a entrevistada é a juíza Gabriela Knaul
Albuquerque, titular do Juizado Especial da Fazenda Pública de Cuiabá e primeira
mulher juíza nomeada Relatora Especial da Organização das Nações Unidas (ONU)
para a independência de juízes e advogados.
Segundo
a magistrada, essa data é uma oportunidade valiosa para reconhecer os avanços
conquistados e, ao mesmo tempo, também refletir sobre as desigualdades que
ainda persistem. “Hoje podemos celebrar algumas conquistas no Brasil, como, por
exemplo, o direito ao voto, que foi garantido em 1932; a crescente participação
das mulheres em cargos de liderança, inclusive na área da ciência; o
fortalecimento das leis de proteção da mulher, como a Lei Maria da Penha, e
mais recentemente, em 2024, a aprovação da lei que tornou o feminicídio um
crime autônomo, punido com sanção de 20 a 40 anos de reclusão.”
Contudo,
a entrevistada ressalta que, apesar desses avanços, a desigualdade de gênero
ainda continua e é uma realidade entre nós. “Os exemplos claros disso estão na
desigualdade salarial. Mulheres ganham em média 22% a menos que os homens da
mesma função. A sub-representação política é outro fator que merece registro.
Apenas 18% dos parlamentares brasileiros são mulheres, de um total de 51,5% da
população. Outro ponto que é extremamente importante registrar é a própria
questão da violência de gênero. O Brasil ocupa a quinta posição mundial em
número de feminicídios, segundo a Organização Mundial de Saúde. Fica apenas
atrás de El Salvador, Colômbia, Guatemala e da Federação Russa. Então,
portanto, o Dia Internacional da Mulher vai muito além da comemoração. É um
momento de mobilização para garantir um futuro com mais equidade, mais respeito
e melhores oportunidades para as próximas gerações”, observou.
Na
entrevista conduzida pela jornalista Elaine Coimbra, a juíza Gabriela
Albuquerque destacou o progresso da participação feminina na magistratura, mas assinalou
que os desafios ainda persistem, especialmente no acesso das mulheres às cortes
superiores. “Só para se ter uma ideia, por exemplo, no Tribunal Superior do
Trabalho, em 78 anos, dos 157 ministros, apenas 11 foram mulheres. A primeira
nomeação ocorreu em 1990 com a ministra Cnéa Cimini Moreira de Oliveira. No
Superior Tribunal de Justiça, em 35 anos, dos 103 ministros que passaram pelo
STJ, apenas nove eram mulheres. A primeira foi a ministra Eliana Calmon, em
1999. No Supremo Tribunal Federal, dos 170 ministros em 133 anos de história,
foram três mulheres. A pioneira foi a ministra Ellen Gracie, nomeada em 2000. E
no Superior Tribunal Militar, por exemplo, em toda a sua história, apenas uma
ministra foi nomeada, em 2007, que é a ministra Maria Elizabeth Rocha.”
Ela
enfatizou ainda a trajetória da desembargadora Shelma Lombardi de Kato,
primeira mulher aprovada no concurso da magistratura de Mato Grosso, em 1969.
“Além de ela estar entre as primeiras juízas no Brasil, ela foi a primeira
desembargadora mulher no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, foi a primeira
mulher a presidir o Tribunal Regional Eleitoral, em 1985, e foi a primeira
mulher a presidir também o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em 1991. Ela
também foi fundadora da Associação Internacional de Juízas Mulheres, sediada em
Washington DC, nos Estados Unidos, e da Associação Nacional de Magistradas do
Brasil, em 1992.”
“Nesse
contexto todo de reconhecimento e de inclusão das mulheres, hoje o Conselho
Nacional de Justiça é que tem promovido uma política nacional para incentivar a
participação feminina na magistratura e nos quadros do judiciário. Esse
movimento tem refletido num esforço coletivo tanto de mulheres que quebraram
barreiras quanto de homens que também entendem a importância da diversidade para
um sistema de justiça mais equilibrado e mais representativo”, opinou.
Clique neste link para ouvir a entrevista pelo Spotify.
Neste link você ouve o programa na página da Rádio TJ.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
imprensa@tjmt.jus.br
03/02/2026 11:25
Congresso Internacional aprofunda debates sobre precedentes, Direito Comparado e gestão de processos
02/02/2026 17:56
Troca internacional de experiências marca congresso sobre precedentes e IA
04/02/2026 15:21
Congresso Internacional de Precedentes debate inteligência artificial e segurança jurídica em Cuiabá











