Palestra em Cáceres reforça combate à violência doméstica dialogando com homens do grupo reflexivo
No esforço contínuo de combater a
violência contra as mulheres por meio da educação e da informação, a Delegacia
Especializada em Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Cáceres promoveu a
palestra “Papo de homem para homem” para 35 participantes do Grupo Reflexivo
que integra a Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Fórum da
Comarca de Cáceres. Realizada no Fórum, a iniciativa contou com a participação
do juiz Antônio Carlos Pereira de Souza Junior, da 2ª Vara Criminal,
Especializada em Violência Doméstica, e reforça o compromisso do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT) em promover a conscientização e a prevenção da
violência doméstica.
A ação é parte integrante das
estratégias do TJMT, que considera os grupos reflexivos para homens autores de
violência doméstica como pilares fundamentais na mudança de comportamento e na
interrupção do ciclo de agressão. O juiz Antônio Carlos enfatizou a importância
da interação pessoal para a efetividade das medidas protetivas e a eficácia dos
grupos para homens autores de violência como ferramenta de reflexão e
transformação.
"A medida protetiva, por si
só, é um pedaço de papel frio e sem efetividade se não for acompanhada de ações
que toquem o indivíduo. Quando esses homens vêm ao Fórum, conversam com a
delegada e com o juiz, há uma quebra dessa frieza. Há uma aproximação que
permite a reflexão e a conscientização, tirando a medida do papel e tornando-a
um instrumento de transformação real", afirmou.
Quando recebem a medida
protetiva, os autores de violência doméstica são intimados a participar do
grupo reflexivo. Por isso, cabe ao magistrado falar sobre “os cinco tipos de
violência contra a mulher que a Lei Maria da Penha combate” e medida protetiva,
as consequências do seu descumprimento e tirar dúvidas.
“Muitos não sabem que, após
a medida protetiva, não podem nem dizer 'oi' por WhatsApp para a vítima. Não
podem se aproximar porque podem ser presos. Esclareço que qualquer assunto,
mesmo que seja sobre os filhos, precisa ser comunicado à Defensoria Pública ou
ao advogado, que comunica, então, ao juiz para que a comunicação seja
realizada”, explicou o delegado.
A delegada Paula Gomes de Araújo,
da Delegacia Especializada em Defesa da Mulher de Cáceres, explicou que a
palestra “Papo de homem para homem” é um projeto da Polícia Comunitária da
Polícia Civil em parceria com o Poder Judiciário de Mato Grosso. Ela explicou
também que abre a palestra conversando e tirando dúvidas dos participantes e se
retira para que o juiz e o investigador de polícia, Thiago Fontes Figueiredo,
continuem a reunião. Thiago fala sobre o histórico da Lei Maria da Penha e
apresenta alguns vídeos educativos.
A palestra aborda questões
práticas, que surgem após a concessão de medidas protetivas. Uma das dúvidas
mais frequentes dos participantes, muitos dos quais já haviam reatado o
relacionamento com suas parceiras, era sobre "como retirar a medida
protetiva". A delegada Paula Araújo explicou que a medida protetiva é uma
forma, inclusive, de evitar a prática de crimes mais graves.
Ela esclareceu que, mesmo com a
reconciliação, a medida protetiva não é automaticamente revogada. "Se a
mulher voltou com o agressor, ela precisa ir ao Fórum e pedir a revogação da
medida protetiva. É fundamental aguardar a decisão do juiz, porque se a
Patrulha Maria da Penha chegar na casa da mulher e o agressor estiver presente
enquanto a medida ainda está valendo, ele poderá ser preso em flagrante. Se o
Judiciário não sabe que eles voltaram a conviver, a medida continua em
vigor", alertou.
A delegada também falou sobre um
aspecto muitas vezes desconhecido pelos homens. “Se a mulher procurar o homem
durante a vigência da medida protetiva, ele pode registrar um Boletim de
Ocorrência para informar que ela está descumprindo a medida e se proteger se a
Patrulha encontrá-los juntos."
Grupos Reflexivos - uma
ferramenta de transformação
Os grupos reflexivos são espaços
de reflexão e conscientização, obrigatórios para homens em processo judicial
pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), com medidas protetivas, mas também
acessíveis por iniciativa própria. Eles visam contribuir para a prevenção da
violência doméstica e familiar, incentivando a mudança de comportamento dos
homens envolvidos.
Em Mato Grosso, a implementação
desses grupos precede as recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
com ações iniciadas em 2021. Atualmente, o TJMT, por meio da Coordenadoria
Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT),
desenvolve programas em 20 comarcas do estado, promovendo a reflexão e a
responsabilização de agressores autuados pela Lei Maria da Penha.
A expansão dessas iniciativas,
que conta atualmente com 73 Redes de Proteção à Mulher Vítima de Violência
Doméstica em funcionamento em todo o estado, demonstra o crescente
comprometimento do Judiciário mato-grossense no enfrentamento à violência de
gênero. As Redes de Proteção são estruturas interinstitucionais que reúnem
diversos órgãos para oferecer um atendimento integrado e humanizado às mulheres
em situação de violência, garantindo seus direitos e promovendo o acesso à
Justiça.
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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